Sobel e a Páscoa - por Maria Alice Maluf

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Não sou judia, nem amiga pessoal do Rabino Henry Sobel. Também não sou comunista, nem esquerdista, nem petista, nem malufista (apesar do sobrenome). Escrevo, como brasileira, jornalista , filha da ditadura, cristã, catolica praticante, descendente de avós de origem libanesa, para traduzir o que sinto e penso a respeito do tão falado episódio envolvendo o Rabino Sobel. Como estudante de jornalismo na época da morte de Vlado, e tendo presenciado tantas cerimonias presididas pelo rabino Sobel, hoje , como profissional da área da comunicação e como cidadã, me sinto na obrigação de me manifestar. Época de Páscoa Judaica, Semana Santa para nós cristãos. Vamos refletir, não importa qual religião professemos, porque sob tantas denominações existe uma única verdade: Todos os caminhos levam a Deus. Sobel me impressionou, desde que o vi pela primeira vez, com a sua pregação no culto ecumênico de uma de minhas formaturas. Lembro que ao final da cerimônia falei à minha colega de classe , tão querida, Sarah Mindlin : "com um rabino desses dá vontade de ser judia!!! " Sarah sorriu docemente, com aquele seu olhar meigo e bom. Depois ,quando estudante de Jornalismo da Cásper Libero, fomos à Praça da Sé, claro que sem o conhecimento de nossos familiares, para o culto ecumênico em homenagem ao Vlado. Choramos muito e saímos, minhas colegas e eu, de braços dados, conforme recomendação dele e do Cardeal Arns: voltar para casa, andando sempre de 3 em 3, tamanho o medo da repressão! Sobel sempre foi corajoso. E tem além de coragem , a humildade de vir a público pedir desculpas. Atitude digna , que nenhum de nossos "lideres" teve, mesmo sob a comprovação dos escandalos dos mensaleiros, do Valerioduto e tantas maracutais mais.

É escutar o nome do Rabino Sobel, que imediatamente me volta à memória o diálogo de minha mãe com Dona Lia e Seu Bernardo, pais de nosso amigo de infância Paulo Markum, e da aflição deles naquela época negra. Lembro do nosso idealismo de querer ser jornalista para lutar por uma sociedade mais justa (que no Brasil de hoje está cada vez mais injusta ) . E nessa hora, é inevitável: vem a imagem do Rabino Sobel, seguida das de minhas amigas e amigos, tão queridos e íntegros, que só praticam o bem, Ilana Goldberg, Ena, Rosely e Peggy Beçak, Monica e Jacques Elkis, Eve Pekelman, Majoy Antaby, Ruth Bobrow, Max e Ligia Kaufmann, Débora e Dr. Moze Raiz , Sarah Tepermann e Clarinha Pascowitch , Rosi e Gabriel, Radah Abramo, do Engº C. Venezia e seus filhos, dos generosos donos da Dryzun Joalheiros, da René Behar, do Max Fefffer, dos competentes Civita que construíram o Império Abril , dos brilhantes Carlinhos Brickmann , Gilberto Dimenstein, Alberto Dines, Claudio Abramo e Samuel Wainer, dos meus colegas de classe Peter , Sheila , Fanny e Priscila, do José Mindlin , dos maestros que levam nossas orquestras á ovação no exterior, da cantora Fortuna, dos Safra , Safdieh, Feffer, Klabin, Lafer, Goldberg e de todos que fundaram, ampliaram e mantêm o Hospital Albert Einstein , um orgulho para S. Paulo e o Brasil, com sua medicina de primeirissimo mundo, a quem tanto devemos. Enfim, são tantos , artistas, filosofos tão competentes e tão queridos, que não dá para enumerá-los, todos , sem cometer qualquer injustiça.

Todos eles, com certeza, devem estar tristes como eu, com tanta midia e piadinhas de mau gosto em cima do rabino. Enquanto líderes, ativistas daquelas decadas de 70 e 80, sindicalistas, políticos de todos os matizes e formadores de opinião ,que num passado recente , ao lado de Sobel, subiam nos palanques para clamar por justiça social, hoje no poder, esqueceram seu discurso daquela época e deixaram a ética de lado. Tem mais, se aliaram aos antigos "inimigos" , deslumbrados, para perpetuar-se no Poder!! Sobel não mudou de lado, o rabino permaneceu onde sempre esteve : ao lado dos que lutam por justiça social, seja qual for o regime e governo. É um liberal convicto. Promove o diálogo, aproxima as religiões, prega a tolerância, a paz e harmonia. Assisti a várias cerimonias de casamento e bar mitzva , celebradas por ele. Suas palavras, sempre, sempre tocaram os corações de todos, já vi até ateu com lágrimas nos olhos depois de escutar o Sobel. Ajudou muita gente. Portanto , é necessário compreensão e compaixão com um homem que precisa de ajuda nesse momento. Senão de nada vale nossa religião, seja ela qual for. Que atire a primeira pedra, quem nunca pecou!!! A todos judeus, católicos, protestantes, anglicanos, batistas, evangélicos, espíritas, agnosticos, ateus : Páscoa é ressurreição, é perdão, é compaixão. FELIZ PÁSCOA.

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