Cansados de Guerra - por Herman Glanz

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02/09/2007 - Continuam os preparativos do Quarteto – Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas, em conjunto com países árabes, especialmente da Jordânia e Egito, para promover, em novembro próximo, Conferência visando a criação do Estado Palestino. Para os Estados Unidos, parece, que esse objetivo os credenciam para uma saída honrosa do Iraque. Circulam notícias de que Israel concordou em ceder boa parte da chamada Margem Ocidental, além de dividir a indivisível Jerusalém.

Numa ‘Carta Aberta’ a Tony Blair, ex-Primeiro Ministro britânico e a agora enviado especial para mais uma “Iniciativa de Paz” entre Israel e palestinos, o General da reserva israelense, ex-Chefe do Estado Maior, Moshe Ya’alon, escreveu:

“O Sr. tem repetido que a solução do conflito entre Israel e palestinos é pré-requisito para a estabilidade no Oriente Médio. Este ponto de vista parece ser predominante no Ocidente, e até mesmo em alguns círculos em Israel, mas é inteiramente falso. O Oriente Médio tem sido palco de múltiplos conflitos que nada têm a ver com Israel.(...) Para dar alguns exemplos, o Estado Judeu nada tem a ver com os conflitos entre xiitas e sunitas, entre persas e árabes, entre nacionalistas árabes e fundamentalistas.” (...)

“Ao empregar o termo ‘ocupação’, muitos no Ocidente e até em Israel, estão se referindo aos territórios conquistados por Israel na guerra de defesa de 1967, conhecida como ‘Guerra dos Seis Dias”. Mas quando palestinos e árabes-israelenses empregam a palavra, referem-se a todo o território de Israel (do Mar até o Rio, isto é, do Mar Mediterrâneo até o Rio Joedão, da expressão árabe ‘min al-baher ila al-naher’).”

Conforme já dissemos em texto anterior, o último ante-projeto da Constituição Palestina, que segue a atual Lei Básica palestina, aprovada pelo Conselho Legislativo Palestino da OLP – Organização de Libertação da Palestina, e que rege a Autoridade Palestina, estabelece que o território palestino é uma unidade indivisível, como era, antes da Guerra dos Seis Dias, pois para a OLP – a Palestina era o Estado de Israel, a ser eliminado, e antes de 1967 não havia ‘territórios ocupados’. Ya’alon declara que o conflito na região não é territorial, mas ideológico, e que ideologia não se pode derrotar com concessões. Não deu certo na Segunda Guerra Mundial, nem dará certo hoje em dia.

Ya’alon continua: Outra idéia errada é que Ocidente vê o problema regional não como ele é, mas sob a perspectiva ocidental: acredita que o desenvolvimento econômico é capaz de neutralizar os sentimentos nacionalistas e religiosos, e assim se terá paz, que por sua vez, conduzirá à segurança regional. Devemos lembrar as palavras de Ben Gurion, na abertura da sessão legislativa do Parlamento (Knesset) de 1960, quando denominou de ‘ingênuos sionistas’ aqueles que defendiam esse ponto de vista.

Finalmente, uma concepção errada é a crença de que os palestinos querem e têm condições de ter um Estado que viverá em paz, lado a lado, com Israel.

Conhecendo os Estatutos da OLP, do Hamas, do Fatah e do Hizbollah, a única coisa que se vê é a intenção de destruir Israel. Acreditar que concessões conduzem à paz é ilusório – conduzem, sim, à destruição de Israel pela teoria do salame, cortando fatia por fatia. Voltando-se às fronteiras pré-1967, que Abba Eban chamava fronteiras de Aushwitz, se terá a paz?

Mas com um Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que inclui o Sudão, com a nova Conferência Contra o Racismo de Durban programada, só podemos ver que o anti-semitismo continua influindo nas decisões mundiais e que o mundo nada aprendeu com as lições da Segunda Guerra. Parece que a Guerra Fria ainda está presente no Oriente Médio – a Rússia fomentando as intenções belicistas e de supremacia do Irã e da Síria, contra os Estados Unidos. Ainda aguardamos os moderados para ter paz, que têm de entrar em cena, a qualquer custo, porque guerra também cansa.


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