Edda Bergmann: um exemplo de coragem na luta contra a injustiça - por Beatriz Zuker

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Dela ficarão a recordação da pujança, da indignação com tudo o que fosse sinônimo de injustiça, e do judaísmo profundo aliado a um conhecimento ímpar da história de nosso povo e da memória do Holocausto. Edda Bergmann se foi. Mas, mais do que a Vice-Presidente Internacional da B´nai B´rith, perdemos uma líder incontestável dentro da comunidade judaica e da sociedade brasileira. Uma líder que nunca se calou e que, com sua enorme capacidade, nos enriqueceu a todos com seu conhecimento e erudição.

Formada em Letras e Psicologia, com pós-graduações em História Social e Análise Política, além de Religiões Comparadas pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Edda Bergmann foi autora de livros e artigos publicados na Revista Shalom, Tribuna Judaica e, esporadicamente, nos jornais `O Estado de S. Paulo`,`Folha de São Paulo`, entre outros em todo País.

Também se destacou pela atuação na área de Direitos Humanos desde 1968, tendo recebido o Prêmio de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Na ECO/92, no Rio de Janeiro, abordou temas como Direitos da Mulher, Entrosamento entre Religiões e Alimentação Alternativa, demonstrando, desde aquela época, sua preocupação com o Desenvolvimento Sustentável.

Edda foi uma ativista, no verdadeiro sentido da palavra. Foi, por exemplo, co-fundadora da OAT (Oficina Abrigada de Trabalho), diretora da Unibes (União Israelita do Bem-Estar Social), na área de Juventude e Conselheira da Comunidade Solidária durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso. Dentro de nossa entidade, presidiu a B´nai B´rith do Brasil entre os anos 2000 e 2003, foi diretora de Direitos Humanos durante 15 anos e seis presidências, e Vice-Presidente Internacional desde 2004.

Implantou o Concurso Fábio Dorf de redação, promovido pela entidade para todas as escolas judaicas do País, e o Concurso sobre o Holocausto para a Rede Municipal de Ensino de São Paulo, à exemplo do Concurso de Desenho e Pintura da Wizo de São Paulo para as escolas estaduais, do qual foi uma das criadoras.

Incansável na busca do diálogo inter-religioso, Edda Bergmann foi co-fundadora e Presidente do Conselho da Fraternidade Cristã Judaica e Diretora Latino-Americana do Diálogo Inter-Religioso.

Que sua obra e sua vida sejam objeto de admiração por parte de todos e sirvam de exemplo para que continuemos a buscar a verdade e a justiça na comunidade judaica e na sociedade em geral. Para Abraham Goldstein, presidente da B´nai B´rith do Brasil, `cabe-nos, agora, lembrar e praticar os ensinamentos, a determinação e a coragem que ela nos propiciou nos anos de dedicação à nossa entidade e a toda a Comunidade`.


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