| Progresso Retrógrado - por Herman Glanz |
| 05/08/2007 - O que preocupa, hoje, é a maneira como certos grupos, inclusive formadores de opinião, encaram a situação no Oriente Médio, foco de guerra permanente, e matéria de manobras para vantagens e desvantagens econômicas de países e dos respectivos grupos políticos. De um lado o Estado de Israel, sempre em desvantagem; do outro lado, o mundo. De um lado o petróleo, que ainda move o mundo, ainda é a fonte de energia usada abundantemente, apesar da “guerra” contra a poluição que o petróleo provoca. Lembremo-nos que Israel não tem petróleo.
Com desprezo pela pessoa humana, onde direitos humanos são uma ficção, países árabes, com dirigentes que desprezam a vida e prezam a morte, mantêm seu povo oprimido, mas servindo de massa de manobra para criar um fato consumado, invertendo os fatos históricos, omitindo a verdade e deturpando-a por conveniência. E o mundo contempla, apoiando o lado errado, porque o petróleo conta e o anti-semitismo, também. Existem, há quase 60 anos, Campos para os Chamados Refugiados, com um organismo específico das Nações Unidas, sem resolver o problema, servindo esses campos como foco de tensão. Os demais refugiados, pelo mundo afora, têm um organismo único da ONU, e têm suas situações resolvidas – não existem refugiados nessa situação há sessenta anos. Os refugiados judeus dos países árabes, expulsos com a roupa do corpo, nem são mencionados, nem suas propriedades indenizadas. Assim, criou-se um povo palestino. Invadiram Israel, que passou a ser Palestina, apelido cunhado pelos conquistadores imperialistas para a Terra de Israel. Mataram e expulsaram seus habitantes judeus, em diversas hordas. E a ocupação imperialista decorrente das invasões, trouxe uma população muçulmana, árabe e não-árabe, para essa Palestina judaica. Depois, com o passar dos anos, quem está na terra, lá nasceu, se julga dono do lugar. A retomada do que fora usurpado pela força, pela matança e expulsão, esbarra numa deturpada visão do direito. Quer dizer que quem foi expulso pela força não tem o direito de voltar? Quem lá se assentou em virtude da chegada com o exército invasor passa a ter direito? E quem volta passa a ser chamado de “ocupante”? O errado predomina.... Não há composição que dê jeito. Árabes passam a contar a história de maneira ingênua, deturpada. Vejam o que dizem (há um artigo de Professor da USP): o sionismo decidiu que a solução do problema dos judeus era criar um Estado, de acordo com a onda emancipacionista do final do Século XIX, “um mito do fundador do Sionismo nacionalista”. Havia vários locais sugeridos para a criação de uma pátria para os judeus – Palestina, Uganda, Bacia do Rio da Prata... Fixaram-se os sionistas na Palestina, “pelo simbolismo”, sem se preocupar com os palestinos, diz o professor. É, parece que os sionistas decidiram por um país alheio - quando decidiram, não havia povo palestino, não havia Palestina que não fosse judaica, omite-se todo o passado. Mas assim se forja mais uma usurpação. E assim se forja mais um povo. E assim se forjam guerras, que continuam matando os judeus. E mais uma guerra se prenuncia, prestem atenção. Agora a Síria quer “retomar” o Golã. O Golã nunca foi da Síria. A Síria tomou o Golã na guerra que fez ao Estado de Israel, em 1948, logo após a independência de Israel. E veja-se que muita gente fala que essa conquista, apesar de contrária a todo direito Internacional, passa a valer, e a retomada por Israel, em outra guerra que a mesma Síria fez, em 1967, passa a não valer. Israel nunca tem direito a viver. O Ministro da Informação síria, acaba de dizer que Israel é uma “nação imoral”. Os americanos estão financiando a construção de uma nova cidade na chamada Margem Ocidental, para uma população de 40.000 palestinos. É uma forma de ocupar a Palestina, subtraindo de vez, qualquer possibilidade de Israel com respeito a seu território. Assim, assenta-se mais gente e passa a não haver perspectiva de paz, porque a palavra de ordem dos palestinos atuais é “resistir à ocupação”, mais uma inversão dos fatos, e uma vez mais, expulsando os judeus. Irão parar aí? Já foi cedida a Faixa de Gaza, mas a paz, que é bom, não foi alcançada. Nem com toda a Margem Ocidental entregue (e seria possível negociá-la, se ocorre-se uma paz verdadeira), se acredita em paz. Mas existe gente que acredita no direito do inimigo, agindo com a mentalidade do estrangeiro no gueto: eles têm direito, o que vão dizer de nós... esquecendo o seu próprio direito. Há ceticismo com o novo impulso nas negociações de paz, com a pressão americana, haja vista a presença da Secretária de Estado americana, inclusive buscando engajar a Arábia Saudita, mesmo que esse país não satisfaça a Doutrina Bush de democracia, um país de uma só família, os Saud. Veteranos interlocutores nos “processos de paz” demonstram ceticismo: o Presidente de Israel, Shimon Peres, acredita que Gaza está perdida para o Hamas; O Ministro da Defesa, Barak, diz que Hamas e Fatah querem a mesma coisa, mas diferem nos métodos. Enquanto isso, só podemos ver nova guerra, e não paz. Pode ser que as coisas fiquem tão ruins, que o melhor será a paz. Assim se espera, porque devemos ser otimistas. |
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