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fonte: Arab News - 23/10/2007
tradução: Herman Glaz
“Estamos no começo do processo”, disse a Secretária de Estado americana Condoleezza Rice depois de seu tour de quatro dias pelos países diretamente envolvidos no conflito árabe-israelense. Mas o “Processo de Paz” começou com os Acordos de Oslo de 1993 e morreu quando Ariel Sharon foi eleito em 2001. O último prego foi colocado no caixão do defunto com a tomada da Faixa de Gaza, este ano, pelo Hamas, que de plano rejeita a idéia de Estados Palestino e Israelense lado a lado. Rice pode sacudir o defunto, mas não pode fazê-lo andar.
Ao ser criticada como sendo de um cinismo universal a sua proposta de uma Conferência de Paz sobre o Oriente Médio, em Maryland, no mês vindouro, ela protestou dizendo “tenho coisas melhores a fazer do que posar para fotografias”. Em todo o caso há suspeita de que isso é somente um projeto de última hora para salvar a reputação do Presidente George W. Bush.
A “solução de dois estados”, base dos Acordos de Oslo, considerava que os israelenses ficariam com quatro quintos da Palestina, no que já eram suas fronteiras legais, e que os palestinos ocupariam o quinto remanescente. Isso não estava fora da realidade naquela ocasião, pois os palestinos estavam muito cansados depois de um quarto de século de ocupação militar e a maioria dos israelenses concluíra de que não poderia manter os territórios ocupados para sempre. Entretanto, isso nunca aconteceu.
Os israelenses não podiam chegar a um consenso sobre quanto de território deveriam entregar. Os palestinos achavam que haviam feito todas as concessões possíveis ao reconhecer Israel dentro das fronteiras de antes de 1967, e queriam o território conquistado de volta. De ambos os lados havia, também, os do contra: israelenses que consideravam que todos os territórios ocupados constituíam uma inalienável herança e palestinos que recusavam a aceitar a legitimidade de Israel. O tempo foi passando, a paciência se desgastou e a esperança morreu.
Podem-se gastar semanas discutindo a quem culpar mais, mas tudo isso é irrelevante agora. Nem se deve lançar a culpa sobre o permanente entendimento do Presidente Bush “negando” a principal razão do fracasso. A intervenção americana não é solução, porque os árabes vêem os Estados Unidos como um aliado de Israel e não um mediador imparcial.
Existe uma outra razão, além de uma fadiga e desilusão, para o fracasso do processo de paz. Os partidos e grupos fundamentalistas islâmicos, que constituem a principal oposição aos regimes da maioria dos países árabes, sempre condenaram a idéia de se fazer a paz com Israel. Essas organizações são ilegais em muitos países, mas seus pontos de vista a respeito de Israel são muito populares. Após trinta anos de tentativas, esses fundamentalistas não conseguiram o poder em qualquer país árabe (o Irã não é árabe NT), seja através de eleições (o que teoricamente é possível) ou por meio de uma revolução, mas agora estão com o vento soprando em suas velas. A exploração do fundamentalismo no domínio da insurgência antiamericana no Iraque e, mais recentemente, o sucesso do Hizballah em estancar o avanço israelense no sul do Líbano, no ano passado, os fazem heróis nas ruas árabes, dando aos partidos fundamentalistas mais chances de conquistar o poder.
Foi o que aconteceu na Faixa de Gaza. A tomada do poder pelo Hamas, em junho passado, acabou, de fato, dividindo em dois o proto-estado palestino – o Hamas se recusa a aceitar a permanente divisão da Palestina em Estados Judeu e Árabe. Como pode Israel se entender com Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina, quando ele só tem controle sobre a Margem Ocidental e não pode obter o consentimento do Hamas para um acordo? Mesmo aqueles israelenses que, sinceramente, querem o acordo, ficam relutantes em entregar territórios em troca da paz, desde que não existe nenhuma garantia de que o regime com quem tratam permanecerá no poder. O que aconteceria se Israel entregar o Golã para a Síria num Tratado de Paz e, poucos anos depois, o Presidente Bashir Assad é derrubado pelos fundamentalistas, que denunciam o Tratado e remilitarizam o Golã?
Até mesmo Tratados de Paz oferecem riscos. O que pode acontecer se os fundamentalistas conquistam o poder no Egito? Nas eleições de 2005 a semi-legal Irmandade Muçulmana (pode ter candidatos nas eleições, mas como “independentes”) teve multiplicadas por cinco suas cadeiras no Parlamento, de 17 para 88, apesar do ajuste de votos, manipulação da mídia e intimidação? Uma de suas promessas de campanha, caso eleita, era de um imediato referendo ou plebiscito sobre o Tratado de Paz do Egito com Israel, de 1979. Nesse referendo, os egípcios, provavelmente, votariam contra o Tratado de Paz.
De fato tudo acabou: Não haverá um compreensivo Acordo de Paz entre árabes e israelenses nesta década. Na próxima década, pode até haver guerra. |