Guerra do Yom Kipur para varrer Israel do Mapa - por José Roitberg
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O mês de outubro chegou ao fim e devido a quantidade de material que tivemos para colocar no ar em nosso programa de TV, não houve espaço para o especial sobre a Guerra de 1973. Optamos por colocar o documentário de 20 minutos, dublado, no YouTube. Não podemos nunca nos esquecer ou deixar de entender que a Guerra do Yom Kipur não foi apenas mais uma guerra no conflito árabe-israelense, mas foi "a guerra". Foi a guerra de extermínio do Estado Judeu. Foi a guerra em que a União Soviética armou Síria, Egito, Iraque e Jordânia com os armamentos mais modernos da época, com um número de tanques e blindados maior do que a própria União Soviética possuía para uma improvável invasão da Europa Ocidental.

Contra essa avalanche blindada, apenas 1.400 tanques e muita coragem dos soldados judeus que estavam em suas casas e sinagogas, já há mais de 14 horas em jejum. Destes 1.400 tanques, 1.000 foram atingidos, sendo 400 destruídos e 600 danificados. 25% da aviação israelense foi abatida. Mais de 2.500 soldados de Israel foram mortos e outros 7.500 foram feridos. Em 20 dias, tudo estava terminado com uma derrota árabe devastadora e uma ameaça soviética de lançar sete divisões aéreas posicionadas no sul da União Soviética e 40.000 fuzileiros navais deslocados do Mar Cáspio para o Mediterrâneo, contra o que sobrara das forças de defesa de Israel. Jogando a carta do massacre final, a União Soviética acabou sendo impedida de agir pelo Conselho de Segurança da ONU que obrigou Israel a parar a 40 km de Damasco e a 80 km do Cairo.

Em 20 dias o mundo mudou. Como punição ao mundo por Israel ainda existir, a OPEP elevou o preço do barril de petróleo de 4 dólares, antes da guerra, para 17. Hoje quando estamos no patamar de 90 dólares o barril, isso até parece pouco, mas atrasou a economia mundial em pelo menos 20 anos. Itzhak Rabin, do Avodá, embaixador de Israel nos EUA, foi chamado para o cargo de primeiro ministro com a queda do gabinete de Golda Meir. Após negociações com os árabes e palestinos, seu gabinete também caiu sendo substituído pelo linha dura do Likud, Menahem Begin, de quem se esperava a guerra. Mas em 1978, Beguin e Anwar Sadat, presidente do Egito que declarava na mídia que iria "Varrer Israel do Mapa", o mesmo que diz hoje Ahamadinejad, assinaram a paz entre Egito e Israel.

Sadat pagou com a vida, sendo assassinado por fundamentalistas muçulmanos numa parada militar que comemorava o início da Guerra do Yom Kipur no Cairo. Um dos autores do plano de ataque foi Aiman Al Zahawiri, hoje o número 2 da Al Qaeda. De volta ao governo, em 1994, Rabin e o rei Hussein da Jordânia assinam o acordo de paz entre Israel e Jordânia, no significativo dia 26 de outubro, data do final da Guerra do Yom Kipur. Rabin pagou com a vida, um ano depois, sendo assassinado por um fundamentalista judeu, hoje condenado à prisão perpétua, mais 14 anos por conspiração para o assassinato.

Hoje, as palavras são as mesmas. O nacionalismo pan-árabe foi substituído por uma violenta ação de extremistas religiosos. O armamento de última geração foi substituído pelo homem bomba, "o míssil inteligente do terceiro mundo". O Irã pode chegar à bomba atômica, apoiado pela Rússia. Os Kassans palestinos e Grads russos só não usam ogivas "sujas", com qualquer coisa radioativa, como ampolas de aparelhos de Raio-X, porque há uma ordem de não usar. E se Israel não está mais cercado por países inimigos, está cercado por grupos terroristas alimentados por seus inimigos. Há várias edições atrás dizíamos que Israel atacaria o projeto nuclear iraniano de forma inédita e surpreendente. E assim o fez. O reator norte-coreano, adequado para a fabricação de armas atômicas estava na Síria, ao lado da fronteira da Turquia e não no Irã.

http://www.youtube.com/watch?v=qQG_lYNKGnE

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José Roitberg é jornalista e diretor de Comunidade na TV


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