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60º ANIVERSÁRIO DA PARTILHA DE PALESTINA PELA ONU (29.11.1947)
Profecia de Amós proferida há mais de 2.700 anos: 9:14- “Trarei de volta do exílio o meus povo Israel; reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão. Plantarão vinhas, e beberão o seu vinho; farão os seus pomares, e lhes comerão o fruto. Planta-los-ei na sua própria terra e não serão mais arrancados da terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus”
26 de novembro de 1947- A Assembléia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do Dr. Oswaldo Aranha, representante do Brasil, dá inicio às suas deliberações sobre o plano de partilha da Palestina, apresentado pela Comissão Especial da ONU para a Palestina (UNSCOP em inglês). Essa comissão, composta de 11 paises, de todos os continentes, de todos os blocos político-economicos da época, capitalistas e socialistas, depois de examinar profundamente todos os aspectos da questão palestina, durante meses, inclusive ouvido as lideranças judaicas e árabes, recomendaria às Nações Unidas dar o seguinte futuro da região tutelada: - libertação para os habitantes árabes e judeus do jogo britânico, com a cassação do mandato do Governo de S. Majestade sobre a Palestina, dando ensejo à criação de dois paises independentes, o Estado judeu e o Estado árabe, instituindo um status internacional para Jerusalém. Era a consagração do direito de autodeterminação dos povos contra o sistema colonialista britânico que dominava a região desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Mas as perspectivas de aprovação da proposta da UNSCOP eram sombrias. Parecia impossível sua aprovação com o elevado quorum 2/3 dos membros da ONU. Já se fazia sentir uma furiosa oposição do mundo islamita, fortemente coadjuvado pelo colonialismo britânico e o lobby das multinacionais que exploravam o petróleo árabe. Tudo isso compunha um tsunami contra a proposta da partilha elaborada por sete países da UNSCOP, Suécia, Dinamarca, Uruguai, Tchecoslováquia, Holanda, Guatemala, Peru.
A esperança para a aprovação da Partilha naquele momento voltava-se para o delegado do Brasil, Oswaldo Aranha, eleito para presidir a Assembléia Geral que iria vota-la. Reconhecido como cidadão de um povo que foi submetido a 300 anos de sistema colonialista, correndo nas suas veias históricas a chama da libertação dos povos dos impérios espoliadores, aguardava-se que algo iria fazer Aranha para rever a difícil situação, altamente favorável à persistência do mandato do império britânico. Os judeus depois de uma vivencia de 1.812 anos sem-Estado- do ano 135 até 1947- teriam perdido a primeira grande de soerguerem-no na Palestina britânica? Pesado silencio dos judeus se contrastava com a exaltada alegria dos inimigos da Partilha.
Mas numa faísca de iluminada lucidez, digna de uma inspiração divina, Oswaldo Aranha encontrou uma saída legitima para impedir que a Palestina continuasse sob o jugo do império britânico. Aconselhou os membros da Agência Judaica no sentido de incrementar o número de oradores inscritos na sessão. Assim, quando os inimigos de Israel começaram a exigir em coro a imediata votação, Oswaldo Aranha declarou solenemente:- “Senhores, temos uma lista de oradores antes da votação”. Esgotada a lista, Oswaldo Aranha, na hora marcada do encerramento, declarou “Senhores, nós tivemos um longo e dramático dia sobre as demandas históricas sobre o que foi proposto. Suspendo a sessão até a manhã de sexta-feira ( no dia seguinte, quinta, era feriado nacional- Dia de Ação de Graças...).
Assim, Oswaldo Aranha conseguiu evitar que ocorresse a quarta-feira negra a rejeição da proposta da Partilha. Finalmente, dia de 29 novembro de 1947, ocorreu a votação. Foi aprovada com 33 votos a favor, 13 contra, 10 abstenções, o que veio a ser a histórica Resolução 181 da ONU. Nahum Goldman, membro da delegação, judaica declarou que Aranha salvara a Partilha. Em sinal de agradecimento de Israel, lhe foi outorgada “post-mortem”a medalha Ben Gurion. .
Assim, o Brasil, país forjado dentro das tradições de paz, de respeito aos direitos de autodeterminação dos povos, teve a honra excepcional de participar ativamente, na pessoa de Oswaldo Aranha, da realização da profecia de Amós em nossos tempos. A lembrança e relembrança desta data inspira os anseios justos para a paz na Terra Santa com o cumprimento da Resolução 181 da ONU, com o absoluto respeito aos direitos de autodeterminação dos povos.
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Marx Golgher é ex-presidente da AIB - Associação Israelita Brasileira BH |