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29 de Novembro de 1947. Nesta data, a Assembléia Geral da ONU, sob a presidência do brasileiro Oswaldo Aranha, tomou a histórica decisão de dividir o território remanescente da Palestina – que havia sido destinado originalmente ao futuro Lar Nacional Judeu –, criando dois países independentes: um árabe e outro judeu. A decisão da ONU foi recebida com indescritível júbilo pelos judeus-palestinos. Ao ser proclamado o resultado da votação, a alegria tomou conta da população judaica, que saiu às ruas em manifestações de regozijo. Finalmente o sonho milenar estava por se tornar realidade.
Este foi um momento crucial naquilo que viria a ser o conflito israelo-palestino, resultando afinal numa grande tragédia para as duas comunidades “palestinas”, constituídas igualmente por judeus e árabes. Convém ter em mente essa data histórica de 29 de novembro de 1947, em que teve lugar a Resolução da ONU de número 181.
Enquanto os judeus aceitavam com enorme entusiasmo a decisão da ONU, criando um Estado Judeu, todos os países árabes se retiraram da Assembléia no dia da votação. Dois dias depois, em 1° de dezembro de 1947, os árabes-palestinos, armados, atacaram as comunidades judaicas e suas instituições, causando a morte de centenas e centenas de judeus-palestinos.
Na noite de 13 para 14 de maio de 1948, David Ben Gurion, o "Pai da Pátria", acabara de redigir o documento histórico proclamando a formação do Estado de Israel, como o "País dos Judeus", e definindo, entre outros, os direitos de igualdade de seus cidadãos, sem distinção de credo, sexo, cor ou nacionalidade, com uma mensagem que propunha uma convivência harmônica e de paz com todos os países vizinhos.
A criação do Estado de Israel, pode se afirmar hoje, foi um verdadeiro milagre. Como dizia Ben Gurion: "em Israel, quem não acredita em milagres não é realista!" A data foi comemorada pelos judeus em todo o mundo. Alguém se recorda da enorme manifestação pública jamais antes vista no Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo, comemorando a criação do Estado de Israel, naquela época?
E os árabes, o que aconteceu com os árabes-palestinos? Alguém parou por algum momento para pensar quão diferente teria sido o destino deles e desse interminável conflito israelo-palestino, que já custou um interminável número de vitimas, se tivessem os árabes palestinos aceitado a decisão da ONU e então criado seu próprio Estado? Hoje estariam vivendo lado a lado dois Estados, um judeu e outro palestino, conforme assim foi pela ONU definido.
Desgraçadamente, não foi o que aconteceu. Os palestinos perderam a sua grande oportunidade histórica há 60 anos. E, à medida que passa o tempo, a idéia de que possa surgir um Estado Palestino parece cada vez mais um sonho distante e irrealista. Isto, apesar de que Israel está pronto a aceitar a existência de dois países que possam viver lado a lado. E os palestinos, nos dias de hoje, onde estão?
Neste mês de novembro está programado um encontro em Anápolis, nos EUA. Lá deverá se discutir, mais uma vez, a solução de dois países para dois povos. Vai depender muito da disposição dos países árabes de decidir, e de uma vez por todas, a pôr um ponto final no conflito israelo-palestino. Para tanto, será preciso vontade política.
Acabar com a miséria dos palestinos, que vivem, até hoje, das esmolas da ONU e de alguns países ricos, da Europa e dos EUA. A renda do petróleo de um par de dias de um dos países árabes ricos em petróleo seria suficiente para dar um impulso a um Estado Palestino. Há 60 anos faltou aos palestinos um líder da estatura de um Ben Gurion. Haverá hoje alguém que os lidere para constituir o seu Estado e chegar a uma paz construtiva, vivendo lado a lado com Israel?
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Marcos Wasserman é presidente do Centro Cultural Israel-Brasil, em Tel-Aviv |