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O professor Paul Kennedy, da prestigiosa Universidade de Yale, em seu artigo “O maior problema de Israel” publicado na “Folha de S. Paulo”, assegura que o crescimento populacional desigual entre árabes e israelenses ameaça o poder de dissuasão e põe em xeque política de Washington e Jerusalém, pondo em alto risco o futuro do Estado judeu. Seria mesmo? A pedra fundamental “histórica” do texto de Paul Kennedy “The Israel Lobby” impressiona qualquer leitor incauto.
Ele jura que o Estado judeu teria recebido dos Estados Unidos, em assistência militar e econômica nada menos do que a fábula de US$ 140 bilhões desde a II Guerra Mundial (“since World War Two”), a maior do planeta. Esse apoio a Israel teria inflamado a opinião árabe e Islâmica, colocando em risco não só a segurança dos EUA como do resto do mundo.
Pois bem, estes $140 bilhões de ajuda americana ao Estado judeu não existem, nunca existiram, a não ser na propaganda do Islã radical anti-Israel. De fato, uma das melhores fontes de informação a respeito de assistência dos EUA, o conhecido CRS, em seu relatório sobre a assistência para Israel, registra que, entre 1949 e 2004, a ajuda dos EUA a Israel efetiva, provada, comprovada, é de $93.648 bilhões, e não de fantásticos US$ 140 bilhões difundidos.
Posta a séria dúvida o artigo-referência de Paul Kenedy, vejamos os dados que correm por conta deste autor. Trata-se do crescimento demográfico desigual entre árabes e judeus, erguido como o maior problema de Israel. A partir de censos de 1973, 2006, e estimativa de 2050, que resultariam no crescimento no conjunto de países árabes vizinhos, de 54,7 milhões de pessoas em 1973, para 138 milhões em 2006 e 238 milhões projetados para 2050, contra 3,2 milhões israelenses, 6,4 milhões, 8,5 milhões respectivamente de Israel, Kennedy especula dramaticamente.
Propala que, com tanta disparidade populacional entre árabes e judeus, seria inútil até mesmo uma a ameaça de uma retaliação nuclear israelense a um ataque deixará de ter o poder de intimidação. Conclui Kennedy que seria a partir daí que Shimon Peres estaria investindo na busca de soluções políticas.
Tudo isso, é mero truísmo. Se consideramos a história, as conclusões estatísticas são outras. Kenedy, estranhamente “se esqueceu” que o Egito e a Jordânia, outrora, os maiores e mais figadais inimigos de Israel, já assinaram tratado de paz com esta nação há quase 30 e 13 anos, respectivamente. Estão, nesses anos, consolidando o processo as relações pacificas bilaterais entre eles.
Estes dados históricos, públicos e notórios, mostram a falácia absoluta da conclusão estatística de Paul Kennedy: Dos 138 milhões de árabes supostamente potenciais vizinhos inimigos de Israel expostos no gráfico do artigo de Kennedy, nada menos de mais 97%, ou seja, 127 milhões de egípcios e 11 milhões de jordanianos, já vivem em paz com Israel, não se vendo no horizonte quaisquer problemas e obstáculos que este processo avance cada vez mais, pois, não existe nenhum contencioso pendente entre elas. Ao contrário, o Egito e a Jordânia estão sendo alvo do jihadistas do Islã radical a indicar claramente o sucesso do processo de paz com Israel.
É precisamente isso que não convém à paradoxal aliança da esquerda e direita anti-judaica com o Islã, unidas para “varrer Israel do mapa”. O artigo de Paul Kennedy faz um empenho para induzir o leitor a crer que entre Israel e vizinhos árabes só existe clima de guerras, terror e morte, não havendo possibilidade alguma para a paz, sendo natural até o conflito para a destruição do Estado judeu... |