A Internacional Terrorista - por José Roitberg

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Mohammed M. Hafez escreveu o livro "Suicide Bombers in Iraq" (Homens-Bomba Suicidas no Iraque). Alguém da Newsweek leu e colocou no ar uma das informações mais relevantes do livro para o entendimento do que acontece no Iraque: os nomes e nacionalidades dos suicidas que se explodiram matando milhares de iraquianos de todas as afiliações religiosas, idade e sexo. O que acontece todos os dias é resistência iraquiana contra a ocupação americana ou é um campo de batalha onde a Al Qaeda decidiu imolar seus seguidores e destroçar sunitas e xiitas?

A lista é assustadora, pelo menos para mim. Ela remete a uma semelhança com listas da Guerra Civil Espanhola onde voluntários de todo o mundo, a maioria comunistas, foram para a Espanha lutar contra as forças de Franco, apoiadas por Hitler com homens, equipamentos e aviação. De forma curiosa, mesmo com a vitória de Franco e a instauração do regime fascista espanhol, que só caiu em 1977, a Espanha ficou neutra na Segunda Guerra (1).

No Iraque estamos vendo nomes completamente árabes, de cidadãos de diversos países que abandonam suas famílias, seus empregos, seus amigos, seu futuro, não para lutar por um ideal político, mas para morrer por uma promessa de um paraíso religioso, destroçando o maior número de inocentes possível em suas ações. Neste contexto entende-se um dos últimos atentados em Tel Aviv, onde os suicidas eram britânicos. Se juntarmos estes dois, mais o da lista, mais os dos ataques na Inglaterra, já teremos uns 12 muçulmanos ingleses que partiram para se matar em nome de Deus.

O livro lista os nomes de 139 entre os terroristas suicidas que atacaram no Iraque e apontados pelo autor do livro. Arábia Saudita (53), Iraque (18), desconhecidos (18), Itália (8), Síria (8), Kuwait (7), Jordânia (4), Turquia (4), Líbia (3), Egito (3), Tunísia (3), Yemen (3), Bélgica (2 incluindo uma mulher), França (2), Espanha (2), Líbano (1), Marrocos (1), Inglaterra (1), Bengal (1), Sudão (1).

São 15 europeus, jovens, provavelmente filhos de imigrantes de terceira geração. Se juntarmos estes aos outros terroristas na Inglaterra, na França, na Espanha, mudaremos nossa visão do quadro geral. Certamente oito muçulmanos italianos se explodindo no Iraque é um choque cultural muito violento. A hegemonia de sauditas, como em 9/11, da mesma nacionalidade de Osama, mostra que o melhor lugar para se encontrar a Al Qaeda verdadeira pode ser em Ryad em não em Tora Bora. Mas parece que ninguém se impressiona com isso, pois esta notícia foi ignorada quando publicada.

A lista com os 139 nomes pode ser vista em www.msnbc.msn.com/id/20094235/site/newsweek/

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Franco

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José Roitberg é jornalista e diretor de Comunidade na TV

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