Crônica de um Fracasso Anunciado - por Herman Glanz
IMPRIMIR | FALE CONOSCO | | RECOMENDE ESTE SITE

21 de outubro de 2007 - Está prevista para o próximo mês a Conferência de Anápolis, em Maryland, nos Estados Unidos da América, para alcançar um acordo entre Israel e palestinos, com vistas a se ter dois Estados para dois povos. Na realidade, seria um novo Estado árabe, pois o outro Estado, o de Israel, já existe e, diga-se, tem população judaica e árabe israelense. A rigor, já existe, também, o Estado Palestino, ainda chamado de Autoridade Palestina, mas um estado apartheid, porque exclui judeus. Eis a diferença. O que se quer, afinal, é fixar as fronteiras entre os dois Estados, significando que o Estado de Israel seja forçado a ceder mais partes de seu território para um Estado Palestino, sem judeus.

A Secretária de Estado americana, Condolizza Rice, acabou de visitar Israel e a Autoridade Palestina para tentar um acordo prévio, a fim de que a Conferência do próximo mês tenha um desfecho rápido, com fotografias, apertos de mão e imagens televisivas de um acordo final. Voltou de mãos vazias. A Sra. Rice deve voltar ao Oriente Médio para salvar a Conferência de Anápolis, na sua tentativa de fixar as fronteiras dos dois Estados, pensando em terminar um dos mais antigos conflitos, o de árabes e judeus na Palestina, e que deve conduzir, assim supõe, a uma paz de Israel com países árabes. É muita pretensão da Sra. Rice fazer coroar sua atividade e a do Presidente Bush com a paz no Oriente Médio, pensando salvar o governo americano do atoleiro do Iraque, porque considera que a saída americana do Iraque passa por Israel.

Mas as coisas não caminham tão fáceis assim. E não é pelo lado de Israel. Mahmoud Abbas, o Presidente da Autoridade Palestina não desfruta de apoio interno. Foi derrotado pelo Hamas. O Hamas venceu as eleições legislativas palestinas, e venceu o Fatah de Abbas e ocupou Gaza, onde se fez governo. E Abbas não pode fazer qualquer acordo, assim como não fez o falecido líder Arafat. E deve-se dizer que Arafat gozava de prestígio inegável. Devemos nos lembrar que, em Camp David II, no ano 2000, o então Primeiro Ministro de Israel, Ehud Barak, hoje Ministro da Defesa, ofereceu quase tudo, dividir Jerusalém, entregar Gaza e 97% da chamada Margem Ocidental, inclusive compensações territoriais, para chegar aos 100%, mas Arafat não aceitou. E fez a Intifada II.

Mahmoud Abbas, no momento, exige que o Estado Palestino se faça dentro das fronteiras de antes de junho de 1967, mas com continuidade territorial. Isso significa que Israel não possua continuidade territorial, o que sabe ser inviável para Israel aceitar. Por isso Abbas já fala em adiar a Conferência de Anápolis e até em renunciar se não se chegar a um acordo satisfatório.

Apesar de ter os Estados Unidos como um grande aliado, e reciprocamente, ser aliado dos Estados Unidos, Israel não pode achar que o que é bom para os Estados Unidos é bom para os israelenses. E também não significa que o Presidente Bush disponha de total apoio interno. Pelo contrário: a oposição do Partido Democrata cria problemas, porque quer ganhar as eleições do próximo ano. Veja-se o que acaba de fazer esse Partido Democrata, com uma votação declarando como genocídio o assassinato de armênios pelo então Império Turco, na Primeira Guerra Mundial. As relações dos Estados Unidos com a Turquia ficaram estremecidas. E a Turquia é um aliado importante dos Estados Unidos. Isso deve alertar o Governo de Israel.

Se não houver acordo em Anápolis, haverá Intifada III, assim se pronuncia o Hamas e tudo faz para que não haja acordo. E tudo faz convergir para que não haja acordo mesmo. Portanto, temos algum prognóstico do que poderá vir a acontecer. Preocupa, porque tudo pode continuar como está, com os perigos rondando Israel: o Irã está dando ajuda financeira e treinamento para a indústria de armas do Hamas. Da Jordânia chegam relatos da presença do Hizbollah. Circula que o Hizbollah formou um contingente de 50.000 homens para tomar o governo do Líbano. E, com sites na Internet, o Hizbollah está se espalhando na América Latina – Venezuela, Bolívia, Argentina, El Salvador, Nicarágua. Tudo preocupa.

Mas para que se preocupar: a revista Playboy está aí e a personagem Bebel virou heroína (não confundir o dito).


PLETZ.com - informando desde 1998