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Para onde vão os judeus da Diáspora que estão desaparecendo? - por Eli Bardenstein
Não tornamos o judaísmo suficientemente atraente... - por Malcolm Hoenlein
Enquanto a população judaica, em Israel, aumenta ano após ano, o número de judeus na Diáspora, de fato, vai diminuindo ? Nem mesmo a comunidade judaica nos EUA registrou crescimento significativo ? A razão: alta assimilação e baixa taxa de natalidade
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1. Para onde vão os judeus da Diáspora que estão desaparecendo?
por Eli Bardenstein
Madonna e seus amigos de Hollywood talvez estejam provocando um grande interesse no judaísmo e na Cabalá, mas, ao que tudo indica, o número de judeus na Diáspora está, de fato, em queda. Segundo o Instituto de Planejamento de Políticas do Povo Judeu (JPPPI), fundado pela Agência Judaica, o número de judeus na Diáspora registrou uma queda de 2,3 milhões nos últimos 37 anos, estando, atualmente, em meros 7,76 milhões. No momento, são 13,1 milhões de judeus no mundo, incluindo Israel. O número constitui um aumento de menos de meio milhão, ou apenas 4%, desde 1970. A maior queda na população judaica na Diáspora ocorreu nos países da ex-URSS e da Europa Oriental, de onde cerca de 1 milhão de judeus emigrou para Israel. A população judaica nesses países está em 450 mil, sendo que 221 mil na Rússia e 79.000 na Ucrânia.
Outra significativa queda de 24% ocorreu na América do Sul, onde atualmente contam-se apenas 393 mil judeus: 189 mil na Argentina, 96 mil no Brasil e 40 mil no México. Registrou-se, também, importante declínio no número de judeus da África do Norte, onde há atualmente apenas 5 mil, comparados aos 83 mil que havia em 1970. Nesse mesmo ano, viviam em países asiáticos cerca de 100 mil judeus, enquanto que hoje há apenas 20 mil, sendo a vasta maioria no Irã. Contam-se uns 300 judeus no Iêmen, 10 na Síria e 1 único judeu remanescente no Afeganistão.
O número de nossos correligionários que vivem na América do Norte não sofreu mudança representativa, apesar das grandes ondas de imigração judaica da Europa Oriental para os EUA, sendo que chega, hoje, a 5,6 milhões. Na Europa Ocidental, a população judaica caiu cerca de 5%, atingindo hoje pouco mais de 1 milhão: 490 mil na França, 295 mil na Inglaterra e 120 mil na Alemanha. Apenas se registrou um aumento da população judaica na Austrália e na Nova Zelândia, aonde seu total chega a 11 mil, comparados aos 70 mil de 1970. Contrastando com a queda no número de judeus na Diáspora, a população judaica em Israel duplicou desde 1970, batendo hoje os 5,4 milhões – o que representa 40% do judaísmo mundial.
Uma das principais razões para a queda no número de judeus da Diáspora é, obviamente, a emigração. Contudo, a outra razão – não menos importante – é a assimilação. Estimam-se os índices de assimilação em 50%, na América do Norte; 70%, na Rússia, e 45% na Europa Ocidental. A taxa de natalidade judaica é outro fator determinante relacionado à queda no número de judeus no mundo. Enquanto em Israel a taxa de natalidade é de 2,75 crianças por família judia, no Ocidente esse percentual está em 1,5. Nos países da antiga URSS, o número é ainda mais baixo, estando em 1 criança por família.
De acordo com Avinoam Bar Yosef, Diretor do Instituto JPPPI, a melhor maneira de resolver a questão dos casamentos mistos é estimular a emigração para Israel; e, para tanto, as leis de conversão devem-se tornar mais flexíveis antes que se façam quaisquer mudanças drásticas na Lei do Retorno. “O povo judeu já sofreu muitos golpes no século passado”, acrescentou Bar Yosef. "Não deve-se forçar os judeus a emigrar". No entanto, fontes da liderança judaica na Diáspora não vêem as tentativas de Israel de estimular a Aliá com muito bons olhos. Ao longo dos anos, a elite judaica nos Estados Unidos tem-se oposto à promoção da emigração para Israel e, apenas recentemente, alguns deles suavizaram sua posição a respeito. Algumas fontes da liderança comunitária francesa alegam que a Aliá para Israel enfraquece sua comunidade.
“Entre casamentos mistos e a baixa taxa de natalidade, os judeus da Diáspora se encontram deficitários na comparação entre os nascimentos e os óbitos”, afirma Sergio Della Pergola, o principal demógrafo do JPPPI. “A emigração para Israel pode ser uma influência positiva, mas os judeus não devem ser forçados a emigrar. Israel está interessado em ter uma Diáspora forte e poderosa, não em vias de extinção”.
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2. Não tornamos o judaísmo suficientemente atraente...
por Malcolm Hoenlein (Diretor Executivo da Conferência de Presidentes das Principais Organizações Judaicas dos EUA)
A declinante população judaica, nos Estados Unidos, é motivo de grande preocupação para todos, apesar do fato de acreditarmos que a comunidade judaica continuará existindo, no futuro. A questão, no entanto, envolve qualidade e quantidade e, até agora, não encontramos a fórmula vencedora. Mas, temos certeza de que o segredo está na educação judaica, tanto formal quanto informal. Escolas judaicas, colônias de férias, machanot, o programa Taglit e tudo o mais, no gênero, somente pode ajudar, pois não há um único remédio para todos os males. Um dos problemas que estamos enfrentando é o grande número de solteiros judeus, nos Estados Unidos e em Israel, que chega a quase 1 milhão de pessoas. Às vésperas das celebrações do 60º aniversário da independência, recomendamos que se faça um esforço especial entre os casamenteiros, para apresentar nossos jovens, estimulando a imigração para Israel. Além do que, mesmo se esses casais ‘apresentados’ não se radicarem em Israel, pelo menos terão constituído famílias judaicas. Isto é algo no qual todos nós, inclusive o Governo de Israel e a Agência Judaica, podemos ter um ativo papel.
Não vejo contradição alguma entre investir maiores esforços na educação judaica e em estimular os jovens a fazerem Aliá. A promoção da Aliá não é o que irá destruir a comunidade judaico-americana; nem o que irá determinar seu futuro, pois as cifras imigratórias, como bem o sabemos, são pequenas. A situação é diferente do que a da Europa, onde Israel deveria aumentar seu empenho para estimular a Aliá em virtude do crescimento das comunidades muçulmanas, nos países europeus, e as preocupantes implicações disto para o futuro. É muito fácil culpar a Aliá pela redução no número de judeus nos Estados Unidos, mas a verdade é que fracassamos em nosso intento de criar um sistema educacional judaico adequado e fracassamos em apresentar o judaísmo sob uma óptica atraente. Não levamos suficientemente a sério a questão da educação judaica e não investimos suficientemente em nossa juventude. Hoje, também, não estamos fazendo tudo o que deveríamos. A sociedade americana é extremamente aberta, o que facilita grandemente o processo assimilatório. É simplesmente uma questão de tomar as decisões pertinentes sobre a distribuição dos recursos filantrópicos judaicos. Os grandes benfeitores de museus e hospitais deveriam também doar para as causas judaicas que visam instilar conteúdo judaico na juventude judia, e isto fará uma grande diferença. Todos devem aspirar a se conectar a algo judaico, e, portanto, é necessário pensar de forma criativa para se conseguir alcançar os jovens.
Concordo que seja mais fácil permanecer judeu em Israel do que em qualquer outra parte. Mas isso não basta. Também em Israel é preciso investir-se mais na educação judaica e na identidade judaica de sua juventude. Muitos jovens israelenses não estão familiarizados com a história e a herança judaica e, por isso, são destituídos de identidade e conteúdo. Se as crianças não sabem por que Israel é especial, por que razão elas continuariam a viver lá? Basta ver quantos deixam o país para viver em outro lugar. Não basta ser israelense e, assim sendo, é necessário dar-lhes o conteúdo. O judaísmo não se resume ao Holocausto e, em Israel, é necessário entender que aquilo que a juventude vai buscar na Índia e na Tailândia pode, na verdade, ser encontrado em Israel. Ademais, é essencial fortalecer a conexão entre Israel e a Diáspora – e tal conexão tem que ser nos dois sentidos!
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fonte:
Maariv - 17/09/07
Keren Hayesod - Boletim Informativo - No. 390 - 10.10.07 |