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A história surpreendente de como uma integrante da Liderança Internacional do KH, Judy Feld Carr (CM), de Toronto, Canadá, conseguiu resgatar milhares de judeus sírios
Uma edição atualizada do livro “The Rescuer” (O resgatador), de autoria de Harold Troper, foi recentemente publicada por Lester, Mason & Begg, em 25 de setembro de 2007. O livro conta a incrível história de nossa amiga, Judy Feld Carr, e de seu envolvimento, com muita determinação, para resgatar mais de 3 mil judeus da Síria, ao longo de 28 anos. É com grande orgulho que trazemos este livro e sua história ao conhecimento de nossos leitores. É difícil de acreditar que esta despretensiosa ex-professora de música e, hoje, avó de 13 netos, tenha sido a responsável pelo resgate de 3.228 judeus da Síria, ao longo de 28 anos, em uma história de intriga internacional que geralmente serve de enredo para a ficção.
No seio das famílias judias que salvou, ela é conhecida apenas como “Ms. Judy”, se é que chegaram a saber o seu nome. E foi apenas após ela ter contrabandeado sua última família judia para fora da Síria que a história desta mulher formidável veio a público. Aliás, as duas famílias em questão chegaram em Nova York menos de uma hora antes dos dois aviões seqüestrados por terroristas arremeterem contra o World Trade Center, em 2001... Nascida em Montreal e criada em Sudbury, Judy Feld Carr sentiu a picada do anti-semitismo desde cedo. “Cresci em uma cidade pequena e era a única judia da escola. Na 2ª. Série, apanhei por ter matado Cristo – os colegas me deram um soco tão forte que arrancou meu dente da frente”.
Foi por intermédio de Sophie, sua vizinha em Sudbury e sobrevivente do Holocausto, que Judy conta ter tomado conhecimento do transe horroroso vivido pelo povo judeu. Sophie, cujos dois filhos tinham sido mortos em Auschwitz e vítima, ela própria, dos inqualificáveis experimentos do Dr. Mengele, foi sua musa inspiradora. “Quando eu tinha 10 anos, Sophie me disse: ‘Você tem que fazer algo para que isso nunca volte a acontecer com o povo judeu’. E eu nunca me esqueci as suas palavras”, conta Judy Feld Carr. “Sempre que pensava em desistir, o que acontecida dia sim, dia não, logo me lembrava das palavras de Sophie e dizia para mim mesma, ‘eu volto, tudo bem, eu volto. Afinal, eu prometi a ela. E o cumpri”.
Como foi para ela entrar no mundo perigoso do contrabando, da propina, das rotas de fuga e dos agentes secretos? “D’us age por caminhos maneiros”, conta Judy. “Eu não venho desse ambiente. Venho de Sudbury. Como eu aprendi a transitar naquele mundo? Tudo é muito surrealista...” Tudo começou em 1972, quando Judy e seu primeiro marido, o Dr. Ronald Feld, tomaram conhecimento da trágica sorte de 12 rapazes judeus que tinham sido mortos ao tentar fugir da Síria. O casal decidiu, então, juntamente com alguns amigos, adotar a causa do judaísmo sírio. Mediante um simples telefonema, “a única ligação telefônica, na história, que conseguiu ser concretizada, vindo de uma comunidade judaica para a Síria”, destaca Judy Feld Carr, eles conseguiram contatar o Rabi Avraham Hamra, Rabino Chefe da Síria, sediado em Damasco. A partir daí, caixas e mais caixas de livros religiosos começaram a voar de Toronto para a Síria. A comunicação era feita em código, inserido nos endereços dos telegramas.
Foi quando, em 1973, seu marido falece. Judy decidiu continuar o trabalho, com o auxílio da Fundação Dr. Ronald Feld para Judeus em Países Árabes, constituída pelo Conselho Curador da Congregação Beth Tzedec. Logo montou uma campanha de direitos humanos para arregimentar políticos e a mídia. Em 1977, casa-se com Donald Carr, que também deu total apoio à causa que ela abraçara. Com o tempo, foi ficando claro que havia gente na Síria que podia ser facilmente “comprada” – e que os judeus poderiam ser “resgatados mediante pagamento” para fora do país. “Foi quando comecei a comprar as pessoas por um determinado preço”, conta a corajosa Judy. Ela criou redes através das quais canalizava o dinheiro a ser pago como resgate aos agentes, através de contrabandistas confiáveis. “Esse resgate foi assim bem sucedido porque eu nunca contei a ninguém como funcionava”.
“O estresse, no entanto, era terrível”, continua. Ela viajou por todo o país para entabular suas negociações secretas, sempre conduzidas através de intermediários. “Era preciso eu levar duas vidas – uma, a da intriga internacional; a outra, a de uma mãe como qualquer outra, com suas tarefas diárias por realizar”. O perigo era imenso – tanto para as famílias a quem ela tentava resgatar, que poderiam ser mortas se descoberto o plano, quanto para Judy, que recebeu muitas ameaças. “O fato de ainda estar viva é puro milagre”. O trabalho, em si, era às vezes desagradável. “A parte difícil era ‘comprar’ outro ser humano. Como negociar o preço de vidas humanas? Estávamos separando pais e filhos. Era como na década de 1940 – os pais estavam desesperados para mandar seus filhos para longe daquele inferno”, observa J. Feld Carr.
Muitos daqueles a quem Judy contrabandeou para fora da Síria vivem, hoje, em Israel, apesar de serem encontrados em lugares distantes como a Cidade do México e São Paulo, no Brasil. E muitos deles deram o nome dela a seus filhos, como gratidão eterna. Judy recebeu muitas homenagens por sua luta heróica em prol dos judeus da Síria, mas aquela que lhe é mais querida é a Ordem do Canadá. “È surpreendente – recebi a Ordem do Canadá por salvar judeus. Isso nunca aconteceu antes na história do país. Agora, é algo concreto”, ela diz, satisfeita. “Cada um de nós age de acordo com a sua missão na Terra. Cada um de nós pode fazer a diferença”...
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Fontes:
- UIA Federation of Greater Toronto)
- Keren Hayesod Boletim Informativo No. 395 - 23.11.07 |