Hanuca - por Herman Glanz
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09/12/2007 - Estamos em plena Hanuca, a Festa das Luzes, relembrando o milagre divino depois da libertação do antigo Estado de Israel, com a derrota do domínio imperialista da antiga Grécia, há quase 2200 anos. O milagre foi percebido quando se restabeleceu o Templo de Jerusalém, dando fim ao paganismo helênico e retornando à fé judaica, restabelecendo a cidadania e a nação judaicas. O milagre foi o único pote de óleo sagrado encontrado, que queimava por um só dia, mas durou oito dias, tempo necessário para o preparo de novo óleo sagrado, entronizando o Templo de Jerusalém, simbolizando a luz da liberdade e da fé.

Nós entendemos que o milagre é mais amplo. A luz que permaneceu acesa por oito dias foi a visão concreta do milagre. Mas milagre foi a reação contra o imperialismo da Grécia antiga, contra a helenização, contra o paganismo que era imposto e a proibição da prática da fé judaica. Milagre foi a luta pela cidadania judaica, pela nação judaica e que culminou com o restabelecimento do Templo de Jerusalém. Hanuca, vista como Festa das Luzes é, na realidade, uma Festa da Liberdade, é mais do que o restabelecimento da independência do Estado de Israel antigo, é a glorificação da liberdade para todos os povos, é uma resposta universal contra a opressão e a agressão, é uma ação afirmativa garantindo valores e princípios de justiça que a opressão ameaçava e ameaça ainda hoje. Na véspera deste Hanuca 5768, houve ameaça ao judaísmo em Caracas, e nesta semana Paris foi palco de explosão de bomba em prédio onde se situa a Fundação para a Memória do Holocausto.

Hanuca foi a libertação de um povo em sua própria terra, o Israel antigo. Nos nossos tempos, a concretização da visão do Movimento Sionista de Herzl, de libertar seu povo de fora de sua pátria, talvez pudesse e devesse ser encarada como milagre. E, a cada dia, estamos nos defrontando com novos desafios que, para serem vencidos levaram a mais uma Conferência, desta vez em Anápolis, para nada produzir de concreto, além de uma Declaração. Mas Anápolis nos permitiu entender alguma coisa mais. Conforme consta na Lei Básica Palestina, nos Estatutos da OLP, nos Estatutos do Fatah e do Hamas, os palestinos são parte da nação árabe, e os árabes não desejam a paz, porque ainda esperam uma vitória completa numa guerra para a qual continuam a se preparar. Essa a razão de continuarem "empurrando com a barriga", como se diz, qualquer iniciativa de paz. Não querem dois estados. Querem mais um Estado árabe.

Mais ainda, interessa aos dirigentes árabes manter o conflito como válvula de escape para justificar suas tiranias, suas opressões e seus fracassos. Assim, dispõem de um bode expiatório para justificar seus próprios erros e oferecer ao povo árabe um elemento satânico para odiar– que é Israel - que seria o responsável pelos sofrimentos do povo árabe e que deve ser odiado e combatido. Só se fala em exigir concessões por parte de Israel. Ninguém fala em concessões dos palestinos. Elas não existem? Os palestinos não cedem nada, pelo contrário, a cada encontro formulam novas exigências, tudo para não se chegar a um acordo. Israel deve ceder sempre, até desaparecer. Também à oposição islâmica interessa manter o conflito para poder culpar os governos árabes pelos fracassos e poder derrubá-los para tomar o poder. O Fatah e o Hamas são uma prova real do que estamos dizendo. Até o Hizbollah, no Líbano, se aproveita da situação para aparecer e disputar o poder libanês.

O que decorre de Anápolis é que os Estados Unidos se arvoraram em juízes, assim está na Declaração de Anápolis, afastando o Quarteto, antes responsável pela condução do Mapa da Estrada da Paz. A incitação contra os judeus e Israel continua entre os palestinos e vários países árabes, foguetes continuam sendo disparados pelos palestinos contra Israel, e já caíram, até dias atrás, 6.311 foguetes Kassam em Sderot, homens-bomba continuam a tentar se infiltrar em Israel. Nada mudou depois da Declaração de Anápolis. Será preciso um novo milagre. Devemos confiar que milagres existem. E que virão, porque devemos confiar na Justiça Divina. Mas devemos colaborar lutando, como lutaram os Macabeus.


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