75% a 94% das crianças de Sderot apresentam sintomas de estresse pós-traumatico
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Pesquisa: De 75% a 94% das crianças de Sderot, na faixa dos 4 aos 18 anos, apresentam sintomas de estresse pós-trauma

Entre 75% e 94% das crianças de Sderot, na faixa dos 4 aos 18 anos, apresentam sintomas de estresse pós-trauma, segundo dados do Centro Israelense para Vítimas de Guerra e de Terrorismo – Natal. O estudo realizado pelo centro Natal, que deverá ser divulgado nos próximos dias, baseou-se em uma amostragem representativa. Verificou-se que 28% dos adultos e 30% das crianças que vivem em Sderot sofrem da síndrome do estresse pós-trauma, conhecida em inglês pela sigla PTSD. O estudo foi conduzido pelo Dr. Rony Berger, diretor do Departamento de Serviços Comunitários do centro Natal, e pelo Dr. Marc Gelkopf, com a assistência da especialista em pesquisas de opinião, Dr. Mina Tzemach.

A cidade de Sderot e o Neguev Ocidental, como um todo, têm sido submetidos a barragens de foguetes lançados por militantes palestinos, na Faixa de Gaza, há mais de 7 anos. Berger enfatiza a diferença entre os sintomas do estresse pós-trauma, tais como problemas de insônia e concentração, e os da própria síndrome PTSD, que pode interferir seriamente no cotidiano das pessoas. O médico afirma que o estudo constatou que as crianças em idade escolar apresentavam graves sintomas de ansiedade, fazendo também uma correlação entre a ansiedade dos pais e da criança. Segundo o Prof. Muli Lahad, diretor do Centro Comunitário Mashabim de Prevenção do Estresse da Escola Superior de Tel Hai, a necessidade de evacuar as crianças da faixa até os 11 - 12 anos, sem os pais, certamente exacerbará a sintomatologia pós-trauma.

Dalia Yosef, diretora do Centro Hosen de Tratamento do Trauma, em Sderot, informa que está aumentando o número de crianças na faixa de 1 a 6 anos que sofrem de ataques de ansiedade e pânico e que necessitam de tratamento prolongado. Informou também que desde maio de 2007, entre as 305 crianças nessa faixa etária, identificadas como portadoras de episódios de ansiedade, apenas 30% necessitaram tratamento psicológico de longo-prazo. As demais receberam apenas tratamento imediato. Nos últimos meses, mais crianças apresentaram necessidade de atendimento prolongado, numa tentativa de evitar que seu quadro evoluísse para a síndrome PTSD. De maio para cá, outras 105 crianças, 70% das quais atualmente necessitando de uma extensão de seu atendimento psicológico, foram identificadas como portadoras dos sintomas de trauma e pânico.

Yaron Ben Shimol, cuja filha Lior, de 5 anos, foi ferida na 6a. feira quando um foguete Qassam atingiu a casa de seus vizinhos, enquanto ela brincava com os filhos dos mesmos, contou que a menina tinha passado por tratamento psicológico anti-pânico e ansiedade, antes do incidente. Lior não é a única: 120 crianças em Sderot estão, no momento, fazendo tratamento intensivo e de longo prazo, contra ansiedade. Dália Yosef observa que alguns dos tratamentos que são aplicados em Sderot e em outras comunidades fronteiriças com Gaza concentram-se no tratamento do estresse contínuo, aquele que não dá sinais de um fim. O problema é sério – como tratar e prevenir a reincidência de ataques de estresse pós-trauma quando, de fato, não se trata de “pós”?, pergunta Dália. “Usamos modelos existentes para o tratamento do estresse e os adaptamos a uma situação como a deles, em que a ameaça continua existindo. Trabalhamos com os pais para criar um ambiente que permita às crianças continuar a sorrir, a dar e receber amor e a brincar, ajudando-os a criar ambientes seguros e agradáveis para todos”.

A diretora contou que, no centro Hosen, os pais recebem várias ferramentas que os ajudam a lidar com a ansiedade, aprendendo, inclusive, técnicas de respiração e relaxamento. O Conselho Regional de Sha'ar Hanegev teve a idéia de adaptar o jogo de tabuleiro Monopólio à situação atual, permitindo que os jogadores “atirem” em foguetes Qassam, como forma de descarregar o seu estresse e reduzi-lo. Tudo isso visa uma maneira de lidar com a situação – de longo prazo e contínua.

A palavra do especialista: “Não removam apenas as crianças”

Segundo o Prof. Muli Lahad, remover as crianças até a idade de 11-12 anos, sem seus pais, é uma prática que exacerba os sintomas pós-trauma. Quando as crianças ficam sós, longe de casa e de sua comunidade, elas ficam imaginando coisas terríveis que possam estar acontecendo a seus familiares, que ficaram para trás, explica o especialista. As crianças ficam com a sensação – alimentada pelo que vêem e ouvem na mídia – que a destruição foi geral, segundo ele. “Quando a família inteira é evacuada, os problemas são em escala bem menor, em se tratando de uma remoção de curto prazo, apenas para descanso e recuperação”, completou.

De acordo com pesquisas feitas pelo centro Mashabim, nas comunidades da Alta Galiléia, após a Segunda Guerra do Líbano, a evacuação de uma área sob bombardeio não era a principal prioridade para os habitantes do local – como se costuma pensar. A maioria dos entrevistados via a preparação de abrigos anti-bomba como sendo a responsabilidade das autoridades locais que eles consideravam a mais importante. O segundo ponto em importância para eles era o cuidado com os idosos e os deficientes; só a seguir vinham os serviços médicos. À pergunta sobre permanecer em suas comunidades sem os filhos, a grande maioria dos habitantes da Galiléia mostrou-se contrária. “Aqueles que não estão realmente interessados nos efeitos da evacuação, fazem o trabalho sem pensar – e não entendem o alto preço resultante”, disse o Prof. Lahad, que, como residente de Kiryat Shmona, passou, ele próprio, por essa experiência.


fonte: Haaretz e Keren Hayesod


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