Primeiro kibutz etíope – em Gedera!
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fonte: Haaretz e Keren Hayesod

Basta dar uma olhada em Asanka Darba, debruçado, cuidando dos galhos de salsão e manjericão em sua pequena horta, em Gedera, para entender que, no fundo, ele ainda é um agricultor. Darba, imigrante etíope por volta de seus 50 anos, pode ter abandonado seu pedaço de terra, na Etiópia, quando imigrou para Israel, mas sua ligação com a terra ainda não foi cortada.

“Quem mais pode pegar um punhado de terra, cheirá-la e saber que dá para plantar nesse jardim?”, exclama Yovi Tashome, membro do kibutz urbano em Gedera, que está ajudando Darba a cultivar seu terreno. Quando Darba chegou da Etiópia, primeiro foi contratado pela prefeitura de Gedera como lixeiro, depois como jardineiro dos parques e jardins da cidade. Agora ele está desempregado e, pela primeira vez, ele tem sua própria horta de legumes e verduras para cuidar, em Israel. E é óbvio que ele está super orgulhoso do fato.

A idéia das hortas e jardins comunitários é apenas um dos projetos criados por membros do kibutz urbano, um grupo de jovens, na maioria, etíopes. Há dois anos, o grupo começou o projeto “kibutz urbano”, no bairro de Shapira, onde vivem praticamente todos os habitantes etíopes de Gedera – cerca de 1.700 famílias. Hoje o kibutz consiste de onze famílias, quase todas etíopes. Além de praticar a agricultura, os integrantes do grupo também se engajam em atividades educacionais e sociais.

Yovi Tashome, de 31 anos, veio para Israel quando ela tinha 6 anos. Como muitos outros filhos de imigrantes, ela foi enviada a um internato religioso, vivendo durante o período do ginasial em um kibutz de orientação religiosa. Ela descreve a mudança do ambiente seguro e totalmente etíope para o ambiente misto-e-cioso-das-diferenças-sociais do kibutz como um choque cultural. “Aquele período amargo, quando eu era uma cidadã de 3ª. classe, comparada aos membros do kibutz e aos israelenses, em geral, criaram uma crise de identidade em mim”, diz. Após terminar o serviço militar, ela trabalhou como instrutora no Clube de Hiking da Sociedade Israelense de Proteção da Natureza (SPNI).

Foi quando percebeu o quão importante era trabalhar em bairros como esses, “para criar vínculos entre os habitantes e lhes dar um senso de continuidade, só assim fazendo acontecer uma verdadeira mudança”. Ela contatou Nir Katz, encarregado do Clube de Hiking para etíopes, na SPNI, e, juntos, fundaram um núcleo em Gedera, que se desenvolveu no atual kibutz urbano. Segundo Katz, este kibutz urbano não é uma parceria econômica, mas uma na qual as pessoas estão conectadas por idéias e ideologia comuns. “Em um mundo caracterizado pela alienação, buscamos criar nossa própria sociedade”, ele conta. “O objetivo desta parceira é implementar a mudança social entre nós e também no ambiente em que vivemos”.

As famílias dos integrantes do kibutz vivem em apartamentos alugados, bem próximos de lá. Foram eles que optaram por viver nas proximidades, em vez de viver no próprio bairro. “Estamos tão envolvidos na vida de nosso bairro, que resolvemos manter uma certa distância do mesmo”, explica Tashome. Os membros geralmente celebram juntos os feriados judaicos e periodicamente realizam viagens de fim-de-semana, também em conjunto.

Além disso, parece que se estão mantendo fiéis à antiga tradição kibutziana de debater e argüir questões conceituais, basicamente acerca da identidade do grupo e sua natureza singular. No presente momento, atendendo o pedido de várias famílias que querem entrar para o grupo, estão sendo discutidos acaloradamente questões como direito de voto, idade mínima para os novos membros, extensão da contribuição à comunidade, aceitação de casais religiosos e outros. Essas discussões são conduzidas formalmente por um fórum intitulado “Beit Hamidrash”, casa de estudos, realizado todas as quartas-feiras.

Cerca de 400 jovens se beneficiam, hoje, dessas atividades. As atividades, como era de se esperar, foram-se espalhando para o campo da educação formal. Tzachi Azaria e Ilana Malek, integrantes do kibutz urbano de Gedera, passam todos os dias no colégio local promovendo um programa de prevenção da evasão escolar. Um outro programa fornece aulas particulares na casa das crianças, em que os próprios professores – alguns dos quais etíopes – ajudam as crianças em suas dificuldades.

Os membros do grupo estão envolvidos em atividades sócio-educativas, mediante pagamento ou como voluntários. Um dos apartamentos foi convertido em clube de juventude, onde as atividades giram em torno de um clube de hiking. Vários outros grupos foram formados, como um em que os pais discutem seus problemas no idioma Amharic, além de outro que procura instilar autonomia nas mocinhas adolescentes.


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