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A notícia nos chega: visando criar uma “frente global progressista’, o Presidente venezuelano Hugo Chávez e o Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, estão patrocinando um projeto que destaca a igualdade entre as esquerdas revolucionárias e o islamismo revolucionário. O tema foi escolhido durante a recente visita de Ahmadinejad à Venezuela, Bolívia e Nicarágua, criando um seminário de quatro dias na Universidade de Teerã, semana passada, parcialmente patrocinado por Chávez. A idéia era criar uma síntese das idéias marxistas e do aiatolá Khomeini, que trata dos “aspectos divinos da guerra revolucionária”. Tratam de ser anti-globalização, mas buscam a globalização de interesses.
Numa conferência intitulada ‘Che e Chamran’, referindo-se a Che Guevara e Mostafa Chamran, lembrando o 26º aniversário da morte deste e o 40º da morte de Che, esperava-se a síntese dos objetivos comuns do marxismo e do islamismo. Mas o conferencista, Hajj Saeed Kassemi, que é o coordenador da Associação dos Mártires-Suicidas, louvou Che Guevara como um verdadeiro revolucionário, que fez tremer o Grande Satã americano, mas também declarou que Che foi um homem profundamente religioso que acreditava em Deus, e odiava o comunismo e a União Soviética. Disse ainda o conferencista que, hoje, o comunismo foi atirado na lata de lixo da história, como previu o aiatolá Komeíni, e que os progressistas de todo o mundo devem aceitar o movimento religioso islâmico em prol da justiça. A filha de Che protestou e foi retirada da sala.
Mas esse episódio tragicômico mostra a penetração de Ahmadinejad no continente americano, especialmente na América do Sul, tendo como ponta de lança o Sr. Chávez. O presidente do Irã já falou dos acordos com a Bolívia, da ajuda a esse país e de que o Irã tem muito a lucrar com isso. O Irã já está vendendo armas à Venezuela, à Bolívia e ao Uruguai. O que era difícil de prever e aceitar era que a situação dos judeus na Venezuela pudesse mudar, como está mudando. Até Israel está tendo problemas, pois o Estado de Israel, ou a entidade sionista como o chamam, também vem sofrendo as conseqüências da influência iraniana. O anti-semitismo está crescendo na Venezuela. E Hugo Chávez, espalhando sua liderança e dinheiro pelo continente, quando o barril de petróleo passa dos 80 dólares, está levando a uma difusão do ódio aos judeus, juntamente com Ahmadinejad.
A Argentina estabeleceu um contencioso com o Irã, mas não se sabe até que ponto esse problema seguirá, ou se, com a influência de Hugo Chávez, levará à obtenção de ajuda iraniana, colocando em compasso de espera a tragédia da AMIA. Os judeus devem lembrar que existe o anti-semitismo, esse ódio aos judeus que se encontra adormecido mas não sepultado. Em Portugal vandalizaram cemitério judeu. É preciso estar sempre alerta e não achar que é impossível o anti-semitismo. Hoje, o nazismo é de direita, de esquerda e do fundamentalismo. Prestemos atenção. |