A Bomba Misteriosa - por Marcos Wasserman
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14/01/2008 - A notícia explodiu em Israel como se fora uma bomba virtual: 16 agências americanas que atuam na "área de informações" anunciaram que o Irã, desde 2003, interrompeu o processo para chegar a produzir sua bomba atômica, e que está interessado em produzir energia nuclear apenas "para fins pacíficos". A notícia seria bastante válida se fosse publicada no dia 1° de Abril – o Dia Universal da Mentira. Durante anos a fio, o Irã vem proclamando fortes e lúgubres ameaças, de que Israel deve ser varrido do mapa, ao mesmo tempo em que defende seu legítimo direito de desenvolver a energia atômica "somente para fins pacíficos".

O mundo deu muitas voltas, sanções foram aplicadas contra o Irã, falou-se na adoção de medidas repressivas e violentas contra aquele país, caso não interrompesse seu programa nuclear. Apesar da extraordinária gravidade do problema, as potências interessadas não conseguiram até hoje chegar a um consenso. Também pudera: como poderiam certos países ser contrários ao Irã, se são os primeiros a vender os produtos que ele tanto necessita para levar adiante seu famigerado projeto. O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em contraposição ao parecer das referidas agências, disse que todas as opções, no que se refere ao Irã, continuam em aberto. E acrescentou que o Irã é hoje um país perigoso, e será ainda mais perigoso no futuro se lhe for permitido desenvolver armar nucleares.

As reações por parte de Israel não se fizeram esperar: "O Irã não necessita de usinas atômicas, pois tem uma reserva ilimitada de petróleo". Outra fonte importante de Israel declarou que os iranianos enganaram o mundo no passado e continuam a fazê-lo no presente. E Barak, o Ministro de Defesa de Israel, deixou muito claro que foguetes, portando armas nucleares, não poderão ter seu curso impedido por meras palavras. Durante longos anos, o selecionado clube dos países que possuem armas atômicas estava completamente cerrado. Lá estavam apenas os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a China e a então União Soviética. De repente, dois países extremamente antagônicos aderiram ao clube: a Índia e o Paquistão, causando, na época, uma enorme preocupação mundial. Não está claro, até hoje, se Israel faz parte ou não daquela respeitável agremiação, jamais tendo confessado ser possuidor de capacidade nuclear.

Ultimamente, a Coréia do Norte ameaçou pedir a sua entrada para o seleto clube e, devido às pressões internacionais, acabou saindo da arena, ao mesmo tempo deixando um grande ponto de interrogação em sua eventual participação no sul da Síria, tema que desapareceu do noticiário, sem maiores explicações. Agora é a vez do Irã. De repente dá a sensação de que anos de combate contra os planos atômicos mirabolantes daquele país acabaram dando em nada. Segundo os jornais, Israel já tinha tomado conhecimento, há mais de um mês, do parecer das supra-referidas agências de informações americanas. É de se supor também que, no encontro havido em Anápolis recentemente, o problema sem dúvida foi devidamente abordado pelos Presidente Bush e Ehud Olmert, Primeiro-ministro de Israel.

Sobre um tema tão delicado, perigoso e ameaçador como o Programa Nuclear do Irã, é difícil aceitar e entender que Estados Unidos e Israel tenham posições tão antagônicas, provocando, por parte dos especialistas, as mais desencontradas especulações do porquê dessa divergência. Decorre que está sendo posta em dúvida a capacidade das fontes de informação de Israel, consideradas sempre válidas no decurso de toda a sua história. Dá a impressão de haver aqui um desafio, pelo qual Israel tem que provar, de forma absoluta, que a futura bomba nuclear iraniana não é simplesmente misteriosa.

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Marcos Wasserman é advogado em Israel, Brasil e Portugal, e é presidente do Centro Cultural Israel-Brasil em Tel Aviv. E-mail: mlwadvog@netvision.net.il


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