Acordos em Desacordos - por Herman Glanz
IMPRIMIR | FALE CONOSCO | | RECOMENDE ESTE SITE

11/11/2007 - Passamos pela lembrança da Noite de Cristal – a Kristalnacht, de 9 de novembro do ano de 1938, quando começava abertamente a matança de judeus na Alemanha, depois das Leis de Nurenberg, de 1935. E nos deparamos, com a previsão, para o dia 26 próximo, do início da Conferência de Anápolis, em Maryland, nos Estados Unidos, para mais uma busca da paz entre árabes e judeus. Mas o anti-semitismo continua o mesmo. O que se busca em Anápolis são mais concessões de Israel para os palestinos. E, assim, se chegará à Paz? Toda a história da busca da paz, entre Israel e seus vizinhos, tem sido de guerras contra Israel, seguidas de concessões israelenses. Quando dos entendimentos para os Acordos de Oslo, em 1993, o renomado escritor israelense, Amos Oz, escreveu em artigo no jornal Jerusalem Post, de 03/09/1993:

“E se os palestinos buscarem nos tapear? E se tomarem tudo que lhes entregamos e exigirem sempre mais, empregando a violência e o terror? Nos termos dos Acordos, Israel poderá bloquear a Palestina e desfazer esses Acordos. E se o pior se tornar ainda pior, se se acabar verificando que a paz não é paz, ficará mais fácil para Israel agir militarmente para quebrar a espinha dorsal de uma entidade Palestina desmilitarizada, do que enfrentar meninos atirando pedras.”

“Caso venha a Paz, os ‘pombas’ de Israel deverão assumir uma atitude de ‘falcões’ a respeito dos deveres de um futuro regime palestino para viver segundo a letra e o espírito de suas obrigações. (...) Se os palestinos quiserem se manter em Gaza e Jericó, e eventualmente assumirem o poder noutras partes dos territórios, devem nos provar, e a eles mesmos, e também ao mundo inteiro, de que abandonaram a violência e o terror, de que são capazes de acabar com seus fanáticos, de que renunciaram à Carta Palestina, que prevê a destruição de Israel, e deixar de lado aquilo que costumam chamar de “o direito de retorno”. Deverão, igualmente, demonstrar que desejam tolerar, em seu meio, uma minoria de israelenses, que poderão decidir lá ficar, mesmo não havendo governo israelense.”

O escritor Amos Oz não precisava de bola de cristal para prever o futuro. Estava claro que os palestinos agiriam contra a paz, pela história de suas atitudes. Os Acordos de Oslo, hoje, são letra morta. E estamos, outra vez, frente a mais uma tentativa de paz, exatamente porque Oslo fracassou. Mas fracassou para Israel – Oslo criou o Estado Palestino de fato, ainda não de direito. E, nesta mesma semana, um assessor do Presidente da Autoridade Palestina, Rafiq al-Hussaini, declarou que Abbas difere do falecido Arafat apenas nas táticas, mas não na estratégia, entrando em Conferências de Paz para exigir tudo, nada oferecendo em troca. A Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, na suas viagens a Jerusalém e Ramalah, encontrou as seguintes exigências palestinas:

1 – A Declaração de Anápolis poderá apresentar o reconhecimento de Israel pelos palestinos, mas não como um Estado Judeu.
2 – As fronteiras seguirão as linhas existentes antes da Guerra dos Seis dias, com pequenos ajustes territoriais na chamada Margem Ocidental, em permutas com áreas no centro de Israel, mas não no Neguev.
3 – Soberania palestina sobre o Monte do Templo, incluindo o Muro das Lamentações.
4 – O direito de retorno dos refugiados palestinos de 1948 é absoluto e não negociável.
5 – O futuro Estado Palestino gozará de total soberania, incluindo aérea e espaço eletromagnético, bem como recursos do subsolo, como a água.
6 – Negociações complementares deverão estar concluídas até agosto de 2008.

Considerando que a Lei Básica Palestina e a Carta da OLP, bem como as Cartas do Fatah e do Hamas, declaram expressamente que a Palestina é uma nação islâmica e que a base de sua legislação é a Sh’ariah, e pregam a destruição de Israel, fica difícil qualquer acordo. Os judeus expulsos dos países árabes não entram nas negociações. É para não ter acordo?


PLETZ.com - informando desde 1998