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Nos dias 10 e 11 todos os jornais israelenses estamparam duas notícias que devem nos levar a uma profunda reflexão sobre a Yeshivá Merkaz Harav, suas finalidades e seus "produtos". Eu estou sinceramente preocupado com a informação de que 73% dos oficiais do IDF nos últimos anos ou décadas (não está claro) são oriundos de Merkaz Harav. Isso comprova a excelência do ensino da instituição que permite aos seus alunos passarem no crivo duríssimo da admissão para academias de oficias nas forças armadas israelenses. E também mostra uma dominação do exército por oficiais criados dentro da ideologia da escola. Cadê a vergonha? Isso deveria ser orgulho?
Que tal o publicado no Haaretz? "'Os diretores da yeshivá (casa de estudos judaicos) Merkaz Harav dizem a Olmert que ele não é bem-vindo a essa instituição.' Depois de um pedido do Primeiro Ministro para visitar a yeshivá onde ocorreu o último atentado em Jerusalém, foi enviada uma mensagem ao gabinete de Olmert em que transmitiam que não o queriam lá."
Talvez do Maariv? "A yeshivá Merkaz Harav transmite a Olmert que não o querem ali. O Primeiro Ministro pediu para participar de uma reunião na yeshivá a fim de expressar seu pesar pelo assassinato de oito estudantes no atentado, mas os diretores da instituição se negaram a recebê-lo. O argumento: 'Olmert não desarmou a tenda da casa do terrorista e não congelou as negociações (obs: de paz com os palestinos).'" (obs: a tenda referida foi montada pelos parentes do terrorista palestino, com fotos dele e bandeiras do Hamas e Hezbollah - lembrando que na Jordânia os familiares foram impedidos de fazer a mesma coisa), mas...
O Jerusalem Post publica que: o governo israelense "negou ajuda para a família do terrorista fazer o funeral (obs: não vamos esquecer que são cidadãos israelenses árabes muçulmanos) e foram retiradas as bandeiras do Hamas e Hezbollah" (obs: de dentro de Jerusalém na casa do terrorista)
Em declaração ao Jerusalem Post o diretor da Merkaz Harav disse que Israel precisa de uma mudança na liderança e de um renascimento espiritual: "Temos que trocar este governo oco (vazio)," declarou o rabino.
Se você acha que a vergonha é pouca, não parou nisso não. Juntando todos os jornais temos a agressão física, apanhou, tomou porrada mesmo, à Ministra da Educação de Israel, Yuli Tamir (foto Haaretz). O que a Ministra da Educação fez? Foi à Yeshivá prestar seu apoio, pois afinal é uma escola de mais de 80 anos, uma das mais importantes do país. Mas os Diretores da Má Educação e da Discriminação, não controlaram seus "alunos" para que não bloqueassem a saída da Merkaz Harav, vaiando a Ministra que levou dois socos nas costas e foi chamada de assassina! "Tamir veio dançar sobre as covas das vítimas", publicou o JPost citando os manisfestantes.
Se há um "núcelo duro" de rabinos israelenses que chegou ao ponto de recentemente exigir que o exército não escale instrutoras para turmas de soldados homens, imagine o que pensam de um mulher dirigindo toda a educação de Israel? Aliás, não precisa imaginar: eles acabaram de dizer!
Por falar em saída da Merkaz, nas fotos do ataque, nota-se um dos alunos abatidos na porta de saída da biblioteca, que possui aquele sistema de segurança eletrônica contra furto, com chip nos livros. Mas não há detector de metais na entrada. Curioso... Por que uma escola dessa qualidade investe grana contra furto de seus livros pelos alunos e freqüentadores?
Minha opinião pessoal? Danem-se! Se essa é uma das correntes que pretende se apregoar como proprietária do judaísmo, há aqui um inquilino indesejável para ser posto para fora... Se conseguirem fazer isso. Sempre criticamos o Naturei Karta por não aceitar a existência de Israel, que só pode existir se o Messias lhes der - segundo pensam -, mas ninguém em sã consciência pode admitir que o centro do sionismo religioso não aceite que a liderança máxima do Estado de Israel não tenha o direito de pisar em seus domínios pessoais! Não é possível admitir que alunos enfiem porrada numa Ministra de Educação! E também não é possível admitir que quem fez isso não tenha sido preso por agressão!
Daqui a pouco vão criar um "sionismo sem Israel". Deve ter gente saudosa de ficar dizendo "no ano que vem em Jerusalém" sem entender os desafios de construir e dirigir um país, achando, como turma lá do Vale do Jequitinhonha que Deus é o provedor de todas as coisas. Aliás, ouvi de grandes judeus de nossa comunidade que o ataque terrorista "foi um milagre." Milagre pois Deus enviou um terrorista que não sabia atirar. Milagre pois a mão de Deus desviou 482 balas. Vergonha por não assumir sua parcela nos erros e falta de segurança para os jovens e mais vergonha ainda por renegarem o governo democrático de Israel.
Ehud Olmert, vice de Ariel Sharon, substituto de Ariel Sharon tem que entrar em Merkaz Harav! Se o governo israelense não tiver o monopólio do controle de seu próprio território, vamos para uma espiral sem volta e ninguém pode prever onde isso nos arrastará. Ariel Sharon foi à Esplanada das Mesquitas, área proibida pela autoridades religiosas israelenses para cidadãos judeus israelenses. A explanada não é proibida para judeus, para cristãos ou para ninguém pela Autoridade Palestina. Olmert tem que entrar em Merkaz Harav.
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José Roitberg é jornalista e diretor de Comunidade na TV |