Não toquem nos meus profetas! - por R. Daniel Touitou
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Mensagem do Rav Daniel Touitou em resposta ao ataque terrorista de ontem.

É com grande tristeza e pesar que soubemos da chocante notícia do atentado terrorista ocorrido em Israel ontem, quando um assassino explodiu uma granada na biblioteca de Ieshivat Mercaz Harav em Jerusalém, matando 8 pessoas e ferindo 9, dos quais 3 gravemente. Antes de mais nada, gostaríamos de enviar nossos votos de consolo para os enlutados e desejar refua shelema aos feridos e aos seus familiares.

Todos os dias, no início da tefilat shacharit, dizemos os versículos de Divrei Haiamim [I 16 22]: ¨Não toquem nos meus profetas, e aos meus ungidos não façam mal¨. A guemará, no tratado Shabat [119 b], comenta da seguinte forma esse passuk: ¨Não toquem nos meus profetas - são as crianças e jovens que estudam a Torá, e aos meus ungidos não façam mal - são os Talmidei Chachamim (os sábios da Torá)¨. Continua a guemará comparando esses dois grupos de estudantes: ¨perguntou Rav Papa a Abaei - juntando o poder do teu estudo e do meu, o que vale mais? - respondeu Abaie: não há como comparar um estudo puro e inocente ao estudo de quem já perdeu a ternura da infância¨.

Nossos sábios sabiam com certeza o valor intrínseco de cada coisa, e a percepção deles era clara, não somente que o estudo de um jovem pesa mais que o de um adulto, mas na verdade, eles nem se comparam. Aqui se trata de uma diferença qualitativa e não somente quantitativa. A essência e o valor são outros.

E os nossos inimigos sabem isso. De alguma forma intuitiva o predador tem que conhecer muito bem a sua presa. Ontem souberam atingir um lugar onde a dor e a perda seriam ainda mais intensos - no Bet Midrash - entre os mais novos alunos, moços de 15 a 17 anos, que ainda não provaram o gosto deste mundo com suas tentações e suas decepções; almas puras que estavam dedicando mais um dia, um momento, para o que possuímos de mais caro e valioso - o estudo da nossa amada Torá, numa das mais conceituadas ieshivot do mundo: Ieshivat Mercaz Harav, fundada 80 anos atrás pelo nosso líder e fundador da Tzionut HaDatit, o santo Gaon Rav Avraham Itshak Kook.

A dor e a raiva são imensas, especialmente por sabermos que o terrorista não era algum louco, algum lunático desequilibrado, algum palestino oriundo de um campo de refugiado carente e injustiçado - não! Se trata de uma pessoa normal, trabalhadora, adulta e ..... pior de tudo, israelense de carteira, morador da cidade de Jerusalém. Quem sabe agora alguns perceberão como é complexa a situação, como fica cada dia mais difícil se proteger dos seus próprios cidadãos, que ganharam o direito de cidadania através do chamado processo de paz nos anos 90. Vejam os frutos que estamos colhendo!

Quando Iossef quis descrever como ele foi parar na prisão do Faraó, disse: ¨Pois eu fui roubado da terra dos Hebreus¨. Explica o Ramban - porque a terra de Canaã é chamada de Terra dos Hebreus: ¨... porque os Hebreus são os moradores mais importantess e mais nobre [desa terra], conforme diz o versículo que Avraham foi chamado de presidente [Bereshit 23 6] e os seus descendentes de profetas¨.

O que diz o Ramban é que a terra de Israel é enaltecida, e ganha o seu nome através de seus moradores. Israel não é como a França ou o Brasil, onde o habitante é chamado de francês devido ao nome do país. Na Terra Santa acontece exatamente o contrário - a terra se enaltece e é chamada pelo nome dos seus habitantes mais nobres - Terra do hebreus.

Esses jovens tão especiais, moradores e amantes desta terra maravilhosa, que faleceram sem nenhuma culpa a não ser a de amar-lá e de desejar que tenha paz e que floresça, esses são os mais nobres dos filhos, os nossos verdadeiros profetas, mortos covardemente quando estavam mergulhados no mar infinito da Torá.

Temos que pedir: não os toquem mais, nem a eles nem a nenhum filho e filha do nosso povo, e que Hashem faça acontecer a paz para o povo de Israel e para toda a humanidade.


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