|
Olhando a imprensa árabe, fica-se na dúvida sobre os resultados da Conferência de Anápolis, prevista para se iniciar na segunda-feira, dia 26 deste mês. Amir Taheri, jornalista do Alshark Alawsat, diz que a Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice prepara uma fanfarra diplomática destinada ao impasse. O Primeiro Ministro de Israel, enfrentando dificuldades para ter apoio no seu Gabinete, não poderá chegar a um compromisso inteligente, chegando à conferência enfraquecido, tal como Mahmoud Abbas, que não consegue conter o Hamas e seu próprio pessoal (ou não o quer). Os Estados Unidos também ficam, assim enfraquecidos.
Chawki Freiha, editorialista do site Mediarabe, acha que as partes tudo fazem para conduzir a conferência a um fracasso. O Hamas se opõe à Conferência lançando nova ofensiva contra a Autoridade Palestina, Israel considera sua segurança prioritária em relação à criação de um Estado Palestino e a Síria prepara uma Conferência palestina para se opor aos Estados Unidos. Para reconquistar sua superioridade, diz ainda o editorialista, Israel precisa de uma guerra, como foi a ação contra o reator nuclear sírio em 6 de setembro passado. Israel acredita poder intimidar o Irã e fazê-lo abandonar seu programa nuclear. Para os Estados Unidos também interessa a guerra, como forma de desviar a atenção dos problemas no Iraque.
Segundo o jornal Dar Al Hayat, para o chefe do escritório político do Hamas, Khaled Mechaal, o objetivo da conferência é aprofundar as divisões interpalestinas e enfraquecer as resistências, e não chegar a uma paz. Denis Ross, político americano conhecedor dos problemas palestino-israelense, diz que a Sra.Rice acha que se Mahmoud Abbas apresentar uma nova alternativa para conseguir as aspirações palestinas, e o Hamas não apresentar nada de novo, os palestinos acabarão rejeitando o Hamas e apoiarão Abbas. Para o Hizbollah, a guerra interessa para que possa sair do impasse no Líbano.
Isso é o que se percebe da mídia árabe. Por outro lado, quando da inauguração do Mausoléu a Arafat, Mahmoud Abbas disse: “Eu juro que continuarei a luta para levar os restos mortais de Arafat para Jerusalém, a capital que ele amava, e onde nasceu, e que o povo palestino quer como capital de seu Estado Palestino”. Deve ser notado que ele não se referiu à Jerusalém oriental, como saiu na imprensa, mas à toda Jerusalém, incluindo o Monte do Templo com o Muro das Lamentações. Aliás, Arafat não nasceu em Jerusalém.
Por outro lado, Condoleezza Rice, falando na terça-feira passada, dia 13, para a União das Comunidades Judaicas, em Nashville, Tennessee, disse que Israel deverá sacrificar suas eternas aspirações em favor de um forte Estado Palestino, que é urgente criar, para afastar os perigos do Hamas, do Hizbollah e do Irã. Será que o Primeiro Ministro de Israel e sua Ministra do Exterior escondem algum compromisso assumido que Rice está tratando de preparar?
O que se nota, também, é que o Primeiro Ministro de Israel, Olmert, já expôs sua preocupação com a situação: se os Estados Unidos não conseguem deter o projeto iraniano de produção de armas nucleares, como confiar que poderá fazer cumprir os compromissos que palestinos deverão assumir na Conferência de Anápolis? E o Presidente russo Putin acaba de se comprometer a enviar urânio para o Irã. A China não apóia as sanções mais severas ao Irã. Conferência de Paz ou Conferência de Guerra?
-------------------------------
artigo escrito em 18/11/2007 |