Oswaldo Aranha: Cidadão do Mundo e Herói Nacional - por Israel Blajberg
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Pronunciamento diante do Jazigo Perpétuo da Família ARANHA no Cemitério São João Baptista, por ocasião do Tributo a Memória de Oswaldo Aranha prestado no dia que marcou os 60 anos da Partilha da Palestina, 29 de novembro

Antes de convidar as Autoridades Presentes a fazer uso da palavra, dirijo-me especialmente a estimada filha e aos caros sobrinhos, netos e bisnetos de Oswaldo Aranha. Como Diretor de Cidadania e em nome da FIERJ, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre este momento, em que a Comunidade Judaica Fluminense sob a égide da FIERJ aqui se encontra representada, para comemorar o quase milagre que possibilitou a criação do Estado de Israel, pela ação pessoal e o descortino do grande brasileiro Oswaldo Aranha.

Momento de grande simbolismo, pois estamos nos dias que antecedem Hanuká, a Festa das Luzes, a ser comemorada na próxima semana, quando há 2 mil anos um outro milagre também ocorreu. E quem sabe, um terceiro milagre esteja a ponto de acontecer, quando nesta semana em Annapolis tantos paises entre eles o nosso querido Brasil lá se reúnem em busca da tão sonhada paz entre as nações. Quis o destino que Oswaldo Aranha encontrasse a sua ultima morada aos pés do Cristo Redentor.

Do alto do Corcovado ele também aqui nos envia as suas bênçãos, assim como abençoou as gerações de imigrantes que nos antecederam, ao ingressarem na Baia de Guanabara sendo recebidos de braços abertos nesta Cidade Maravilhosa. O Brasil e os judeus da Europa sofreram a brutal agressão da Alemanha nazista e da Quinta-Coluna, mas os povos e os brasileiros se uniram como nunca se havia visto. O Mundo assistia horrorizado a invasão nazista da Europa. Oswaldo Aranha, tomou posse como Ministro das Relações Exteriores, vindo dos Estados Unidos onde servira antes, encontrando o Presidente, Ministros, Ministro da Guerra e generais impressionados pelo poderio do Exército alemão. Iria reverter esta situação.

Em 1942, ao final da Conferência dos Chanceleres das Américas presidida por Oswaldo Aranha o Brasil cortou relações com os países do Eixo. Foi da sua lavra o discurso onde o Brasil declarou guerra ao Eixo - Alemanha / Itália / Japão, na Segunda Guerra mundial. E foi a sua pena corajosa que lançou a assinatura na resolução que permitiu acolher aqui em terras brasileiras os judeus que escapavam do Holocausto. Se no alto daquela montanha tantos emigrantes enxergaram a salvação, bem perto daqui o mausoléu da FEB nos recorda que neste mesmo Jazigo Perpétuo da Família Aranha também repousa seu filho, Oswaldo Gudolle Aranha, um dedicado e valoroso ex-combatente.

Aquele jovem, na época o filho do Ministro das RE não hesitou em envergar voluntariamente o uniforme de pracinha da FEB, honrando o nome de seu pai. A FEB vitoriosa trouxe conseqüências extraordinárias, mudou o País, depois dela tivemos a volta da Democracia. A FEB representou um momento fundamental na vida brasileira, na história do Brasil, que também a Oswaldo Aranha devemos. Um novo Brasil nasceu com a FEB, que chegou a uma situação admirável em sua agricultura e sua indústria. Quando Oswaldo Gudolle Aranha retornou da guerra, seu pai não era mais Ministro do Exterior, suas relações com o Presidente não estavam boas. O filho avistou lá de cima do navio, o pai, a mãe, a irmã e tios o esperando, no local reservado às autoridades no cais.

Juraci Magalhães contou em seu livro que pretenderam impedir Oswaldo Aranha de entrar naquele local. Mas ele entrou e existe uma fotografia de Gudolle, de capacete, usando bigodes, abraçando o pai e a mãe, naquele local. Só mais tarde veio o filho a saber que não queriam permitir a entrada de seu pai. Oswaldo Aranha era filho do Alegrete, na planície do pampa riograndense, antiga capital farroupilha da fronteira oeste, berço de grandes combates históricos. Estudou no Colégio Militar tendo integrado seu Esquadrão de Cavalaria.

Defendeu o governo no Rio Grande do Sul como líder militar civil, tendo sido ferido gravemente em combate, com um tiro de fuzil no combate de Seivalzinho, próximo a Lavras do Sul, por pouco não tendo perecido. Liderou no Rio Grande do Sul a Revolução de 30, tendo participado do ataque ao QG da 3ª. Região Militar. Foi o primeiro a defender de forma notável em 1946 a memória do grande líder farroupilha Marechal Bento Manoel Ribeiro, conforme abordado no livro O Exército Farrapos e seus Chefes, do Cel Cláudio Moreira Bento, Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS).

Oswaldo Aranha, Cidadão do Mundo e grande herói nacional. A ele, como Presidente da Assembleia-Geral da ONU, o Povo de Israel deve o seu Estado. Os judeus do mundo inteiro, e do Brasil em especial, jamais olvidaram Aranha, uma das mais significativas homenagens sendo a praça que leva seu nome ilustre, em singelo bloco no coração da Cidade Santa de Jerusalém, bem próximo da Muralha Ocidental do Templo de Salomão, onde nos caracteres dos alfabetos hebraico e da língua portuguesa, está indelevelmente gravado seu nome.

Passados quase 2 mil anos, aquele Muro santificado pontifica novamente sobre uma pátria judaica, graças a este ilustre brasileiro. Em nome da FIERJ e da Comunidade Judaica Fluminense, em comunhão com seus estimados descendentes, desde a filha querida Embaixatriz DELMINDA, até a jovem bisneta ANA, reverenciamos a memória do Chanceler Oswaldo Aranha, grande brasileiro, expressando o nossa reconhecimento, o nosso agradecimento e a eterna admiração dos seus compatriotas.

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Israel Blajberg é Diretor de Cidadania da FIERJ


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