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O Judeu de Aluguel (nov / 2009)
O Judeu de Aluguel

Anti-semitas usam a tática de recrutar um paspalho judeu para kasherizar o anti-semitismo

Seria apenas o circo de sempre. A comissão de direitos humanos da ONU, um picadeiro de anti-semitas e primores de humanismo tais como Bangladesh, Cuba, Arábia Saudita e Nigéria, decidiu fazer mais uma condenação entre muitas a Israel. Já é notório que a comissão de direitos humanos da ONU seja uma piada. Entre seus membros estão algumas das piores ditaduras com o pior histórico de direitos humanos do planeta. A Nigéria, onde existe uma ditadura há décadas, foi a última presidente. Alguns dos mais sanguinários regimes do planeta são membros da comissão. Dos 47 membros, 25 são países árabes, islâmicos ou países pobres que dependem da boa vontade dos primeiros e votam naquilo que forem mandados votar.

Todos sabem que a comissão tem a única e exclusiva finalidade de descer a lenha sobre Israel. Nos últimos anos, com exceção de uma vaga repreensão ao governo isolado de Mianmar, todas as demais condenações da comissão foram contra Israel. Dentro da comissão existem subcomitês para cuidar de assuntos como direitos das mulheres, direito a alimentação, liberdade de expressão etc. Também existe uma subcomissão exclusiva para investigar Israel. Nenhum outro país do mundo teve a honra de ter uma subcomissão exclusiva para si. A Coréia do Norte impõe um regime de terror e mata o próprio povo de fome? A comissão de direitos humanos nunca disse nada. A Arábia Saudita legaliza a reclusão de mulheres e o tratamento das mesmas como objetos? A comissão silencia. O Irã executa homossexuais? Silêncio. Agora para detonar Israel sempre existe tempo e agenda. Recentemente, a Comissão passou uma resolução tornando obrigatório que em cada sessão sejam revisados os abusos cometidos especificamente por Israel. Ou seja, dos duzentos países do mundo, esse grupelho é obrigado toda vez a concentrar a atenção sobre o pequeno Estado Judeu. O placar dos últimos dois anos foi o seguinte: uma condenação a Mianmar, zero condenações aos demais países do mundo e nada menos de quinze condenações a Israel! Países como França, Reino Unido e Estados Unidos ignoram a comissão e a chamam de "profundamente distorcida e parcial".

Dessa vez, no entanto, eles tiveram pelo menos uma idéia inteligente para chamar atenção: "se ninguém dá bola para as nossas bobagens, vamos chamar um paspalho judeu para 'kasherizar' a crítica". E assim foi feito. Com cartas marcadas desde o início, chamaram o tal Goldstone com o mandato exclusivo de investigar crimes cometidos por Israel durante a recente operação em Gaza. O argumento é simples. Mandaram o cara lá para corroborar a crítica que já estava pronta antes mesmo da investigação (a resolução já tinha sido escrita previamente à apuração dos fatos). Cumprida a tarefa, todos diriam que foi um próprio judeu que criticou Israel - portanto a crítica é inatacável. Na hipótese improvável do cara afirmar que Israel agiu corretamente durante o conflito, dirão que a defesa não vale, pois foi feita por um judeu. Entenderam? De qualquer forma Israel perde. A casa toda já tinha caído quando o juiz sul africano aceitou a tarefa. Melhor seria se ficasse em casa caçando rinocerontes.

Inicialmente, o mandato de Goldstone era para investigar tão somente alegados crimes de Israel, ele não tinha nem o direito de olhar também para o que o Hamas tinha feito. Para mostrar equilíbrio, Goldstone trabalhou politicamente e conquistou a “enorme” vitoria de poder investigar os dois lados, alardeando isso como uma grande concessão que ele conseguiu extrair do subcomitê. Como é tolo... O relatório final fez somente suaves criticas ao Hamas, concentrou toda a atenção em Israel e eles agora tem mais um argumento para chamar o relatório de isento, pois alegadamente escrutinou ambos lados. Apesar da campanha que está sendo feita por Israel contra o relatório, o estrago está feito. Pouca gente sabe do funcionamento interno dos órgãos da ONU e de quão profundamente distorcida é a Comissão de direitos humanos, então a mensagem que fica para milhões de pessoas é: "um judeu a mando da ONU investigou o conflito de Gaza e condenou Israel por crimes de guerra". É um dano irreparável.

Que fique claro aqui: não estou dizendo que crimes de guerra não devam ser investigados. Devem sim. Como uma democracia que é, Israel tem a obrigação de impor aos seus soldados um padrão moral mais elevado do que o adotado pelo Hamas. Não queremos nos nivelar por baixo. Se houve abusos, como por exemplo a intenção deliberada de matar civis, os responsáveis devem sim ser punidos. No entanto, a verdade é que guerras inevitavelmente vitimam civis inocentes juntamente com os combatentes. A operação de Gaza foi o exercício de auto-defesa por parte de um País sem outras alternativas diante de uma chuva incessantes de mísseis. Providências foram tomadas para minimizar as mortes entre os palestinos e jamais houve intenção deliberada de Israel de matar civis. Se houvesse tal intenção, o exército teria matado em três minutos muito mais gente do que nas três semanas de conflito, o que felizmente não ocorreu.


Alexandre Ostrowiecki (Nani)

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