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O “Santa Cruz” Judaico (ago / 2009)
O “Santa Cruz” Judaico

O primeiro passo para a super-escola se tornar real

Devo colocar meus filhos em escola judaica ou escola forte? Esse é o dilema com que a maior parte dos pais escolhiam a escola dos filhos. Por muitos anos, os pais entenderam que existe uma opção a ser feita. Se colocarem os filhos em uma das escolas judaicas existentes, estarão oferecendo ambiente saudável, ensino de judaísmo, aconchego de estar na comunidade, mas abrindo mão de um padrão de excelência em ensino. Se colocarem em escola laica, ganham em qualidade de ensino, mas perdem nas coisas já acima mencionadas.

No entanto, se depender das lideranças comunitárias que estavam na Hebraica quarta feira passada, esse dilema deixará de existir e, pela primeira vez, a comunidade terá a sua disposição as duas coisas ao mesmo tempo: uma escola em que se une judaísmo pluralista e tolerante com ensino de excelência internacional e infra-estrutura maravilhosa. Se tudo correr bem, em dois ou três anos haverá duas mil crianças judias estudando em tempo integral dentro da Hebraica. Uma idéia arrojada e ambiciosa sem dúvida, mas digna de uma comunidade de olho no futuro. Por enquanto, o projeto abrange o Colégio Bialik e o Renascença, que recentemente anunciaram sua fusão oficial, chamando-se por enquanto nova escola judaica. Dessa fusão, foi firmada a parceria com a Hebraica, que, após estudos de viabilidade e aprovações governamentais, cederá parte de sua área para a construção da nova escola.

Os benefícios para as instituições são enormes. Separadas, as escolas sofriam com uma escala de operações inadequada para a gestão educacional moderna. A junção de Bialik e Renascença possibilitou uma série de melhorias que impactam diretamente a capacidade de investir e a qualidade do ensino. Em primeiro lugar, foi possível juntar as áreas administrativas de cada instituição e aumentar a eficiência. Em paralelo, a unificação do currículo e das equipes de coordenação juntou o que existe de melhor em cada escola em prol de um projeto de ensino comum. Também o aumento de escala possibilitou ampliar a carga horária dos professores, o que hoje em dia é um ponto chave para atrair os melhores talentos. Atualmente, a nova escola acaba de completar o seu projeto pedagógico para o futuro e já tem planos e posicionamento para estar entre as melhores do País. Entre as novidades encontram-se o centro de idiomas, que reforçará muito o inglês e o aumento do integral.

Nada disso no entanto, deixaria as melhorias tão claras para pais e comunidade como a mudança para uma nova sede centralizada e melhor estruturada. A nova sede seria o símbolo desse novo posicionamento educacional e havia inclusive uma pressão grande por parte de todos para que o local fosse revelado. O que poucos imaginavam era que o local da nova escola seria dentro da Hebraica. Fazer uma sede exclusiva para ser escola seria sem dúvida o caminho convencional. No entanto, quando se pára para refletir, a opção Hebraica é um caminho que potencializa muito além os recursos das entidades envolvidas e traz disparado mais benefícios para a comunidade.

Para as escolas, o benefício é óbvio. A Hebraica possui, pronta e com baixa utilização durante a semana, uma infra-estrutura dos sonhos para qualquer escola. Nenhum colégio de São Paulo possui nada parecido com o que a Hebraica já tem disponível, como a estrutura de esportes completa e variada, a área verde, as piscinas, a estrutura de artes, teatro, dança, xadrez, anfiteatro e muitas outras coisas. Tudo isso pronto, disponível a baixo custo e com imensa capacidade ociosa durante os dias de semana. É como se a escola recebesse de bandeja um campus admirável.

A Hebraica também tem muito a ganhar com o projeto. Colocar duas mil crianças durante a semana é uma forma excelente de revitalizar o clube nesse período e de estimular as receitas. Será uma fonte de novos sócios, uma fonte de mensalidades vindas das crianças da escola. Haverá um forte aumento no consumo de produtos e serviços dos concessionários e um aumento da eficiência, uma vez que a escola passará a absorver certas despesas que hoje o clube incorre sozinho. Ou seja, se existe um exemplo claro de sinergia aí está: um uso mais inteligente dos recursos da comunidade para oferecer mais benefícios a todos.

Claro que nem tudo é um mar de rosas. Realizar um projeto dessa natureza envolve superar obstáculos difíceis e algumas preocupações legítimas. Um delas, por exemplo, é a ansiedade de pais que moram longe da Hebraica e ficam preocupados com a distância que terão que percorrer para deixar os filhos na escola. A verdade é que ainda existem muitos pontos a equacionar, como esse por exemplo. Haverá um transporte da escola para trazer os alunos? Haverá uma unidade menor em outro local para o pequenos? Onde exatamente ficará a nova escola dentro do clube? Nada disso ainda está cem por centro definido, mas certamente os responsáveis pelo projeto precisarão levar em conta as necessidade de todos e chegar na solução que cause o mínimo de impacto negativo e o máximo de impacto positivo. O que sim é inegável é que todo pai quer o melhor para seu filho e que a oportunidade de ter uma escola espetacular justifica um esforcinho extra da parte de cada um.

Diz o ditado que mesmo os maiores rios começam com uma única gota. Para a nova escola, essa gota caiu na quarta feira passada com a assinatura na Hebraica da carta de intenções. É essencial que cada judeu dê o seu apoio a essa empreitada e que as próximas gerações possam se beneficiar de estudar nessa grande escola que esta sendo construída.

Alexandre Ostrowiecki (Nani)

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