IMPRIMIR ARTIGO     |     ÍNDICE DE ARTIGO      |     FALE COM O NANI     

Fazendo MBA aos 16 (jun / 2006)
Fazendo MBA aos 16

Porque a colônia de férias judaica faz a diferença?

Uma das atividades mais importantes realizadas pela juventude comunitária é a colônia de férias judaica (machané). Esse é um marco realizado periodicamente pela maioria dos movimentos juvenis e por algumas das maiores congregações de São Paulo. São acampamentos nos mais diversos locais, com diferentes graus de religiosidade e ideologia. No entanto, em todos eles, madrichim e chanichim passam dias de atividades intensas que invariavelmente acabam sendo lembradas para o resto da vida. Existem três coisas essenciais que a colônia pode fazer pelo seu filho.

A primeira e mais óbvia é oferecer educação judaica. Alguns pais estão finalmente concordando com a proposição de que para haver judeus é preciso haver educação judaica. O tal do sentimento judaico de que tanto falamos não vêm do nada. Se você quiser que o seu filho se torne um judeu de verdade, é preciso educá-lo como tal, dando exemplo em casa, colocando-o na escola judaica etc. Para muitos pais que não fazem isso, a colônia é uma boa alternativa para que o seu filho tenha um mínimo de vivência judaica. Lá ele participará de uma (moderada) dose de serviços religiosos e participará de uma série de atividades com conteúdos judaicos.

O segundo grande benefício é o círculo de amizades que a colônia oferece. Em grande parte dos ambientes “normais”, como escola, faculdade e trabalho, a amizade surge em função de interesses comuns momentâneos. Quando o aluno vai da escola para a faculdade, provavelmente trocará seu grupo de amigos. Da mesma forma, na hora de ingressar na vida profissional, o pessoal da faculdade será deixado de lado para que a pessoa participe de um novo grupo. No caso da colônia isso curiosamente não ocorre. Claro que o jovem conhecerá sempre novas pessoas e formará os círculos de amizade descritos acima. No entanto, ao mesmo tempo, manterá um núcleo de amigos que fora cultivado desde os tempos de acampamento. Esse círculo tenderá a ser mantido a vida toda. Isso ocorre porque as vivências na colônia são tão intensas que isso costuma criar uma forte conexão entre as pessoas, conexão essa baseada em valores. E valores duram muito. A maioria dos amigos do autor desse texto, por exemplo, são parte de um grupo que se formou 15 anos atrás na CIP.

Tudo isso é conhecido. O que as pessoas não costumam levar em conta é o terceiro grande benefício: participar ativamente nesse tipo de atividade será uma vantagem decisiva na futura carreira profissional do jovem. Enquanto na maioria das escolas os jovens são ensinados a ficar sentados escutando o que o professor têm a dizer, na colônia a educação é feita de forma ativa, do jovem para o jovem. Os madrichim (monitores) costumam ser garotos não muito mais velhos do que os chanichim (acampantes). Esses recebem atividades propostas pelos madrichim, que trabalham invariavelmente o conceito de educação não formal, usando as vivências e atividades para trabalhar determinado tema. Ao invés de escutar as conclusões prontas, os chanichim são convidados a pensar, discutir e realizar eles mesmos experimentos para tirar as próprias conclusões. Esse tipo de estímulo só seria atingido muito mais tarde, quando e se o jovem ingressar em algum programa de MBA de ponta.

Esse processo de desenvolvimento tende a se acelerar drasticamente quando o rapaz termina o curso de liderança, como o curso de hadrachá ou o Beit Sefer, por exemplo, e se torna madrich. Aos dezesseis ou dezessete anos, um jovem madrich já tem enormes responsabilidades sobre as costas. Ele precisa assumir um papel de líder, precisa motivar e orientar um grupo de pessoas mais novas do que ele, precisa atuar como educador e cuidar de uma série de questões ligadas ao bem estar dos chanichim, tomando decisões rapidamente sobre questões complexas. Tudo isso enquanto os outros jovens da mesma idade têm como maior preocupação decidir para qual discoteca eles querem ir no sábado...

Anos depois, todo esse pessoal estará nas salas de entrevista de grandes empresas multinacionais procurando emprego. Essas empresas não querem saber se o sujeito sabe resolver uma equação de física ou se decorou a data das guerras napoleônicas (apesar disso tudo valer como conhecimento geral). Elas querem saber se a pessoa sabe tomar decisões, trabalhar em equipe e liderar. A diferencia entre as pessoas que tiveram experiência da colônia e as que não tiveram é dramática. Hoje em dia a grande maioria dos ex-madrichim da CIP, por exemplo, está trabalhando com grande sucesso profissional nas diversas áreas que cada um optou por seguir. São brilhantes engenheiros, administradores, médicos, arquitetos, advogados, artistas plásticos... Não importa a direção que cada um seguiu. Qualquer que tenha sido a escolha, essa experiência nos ajudou a impulsionar as possibilidades muito além do que cada um teria conseguido sozinho.

Se você é um pai preocupado em oferecer educação judaica ao seu filho, se você acha positivo ele estabelecer laços de amizade para a vida toda e se você apóia o desenvolvimento profissional e intelectual do seu filho, não deixe de colocá-lo em uma das diversas boas machanot que a comunidade oferece. A propósito, ele vai se divertir muito por lá também.

Alexandre Ostrowiecki (Nani)

Site produzido e hospedado por PLETZ.com