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Genes deixam judeus mais inteligentes? (jul / 2005)
Genes deixam judeus mais inteligentes?

Uma polemica tese proposta por pesquisadores não-judeus

Diferentes grupos humanos geralmente apresentam fortes diferenças em diversos aspectos. Explicar geneticamente essas diferenças é uma pratica que se tornou politicamente incorreta nos últimos tempos. Compreensivelmente, após os horrores das teorias raciais nazistas, qualquer tipo de explicação que não seja meramente cultural pode fazer o proponente soar racista. No entanto, um grupo de pesquisadores da Universidade de Utah recentemente propôs uma polemica tese: judeus são mais inteligentes do que os demais povos por razoes genéticas. Esse estudo foi recentemente mencionado pela revista VEJA, bem como outros grandes veículos de mídia.

Judeus sempre foram considerados, em geral, pessoas inteligentes. Em testes de Q.I. realizados pelos pesquisadores, judeus ashkenazim tiraram em media 15 pontos a mais do que os demais europeus não-judeus. Os adjetivos que mais se associam ao povo judeu, excetuando-se os pejorativos, é “inteligente”, “culto”, “esperto”. Nas ultimas décadas, no entanto, esse fenômeno sempre foi considerado nos meios acadêmicos como produto da excelente educação judaica e do valor que o judaísmo dá ao estudo. Ou seja, era um fenômeno essencialmente cultural. O que esses acadêmicos querem mostrar é que fatores ambientais tornaram os judeus cada vez mais inteligentes e acima da media.

A pesquisa baseou-se nas descobertas de Darwin e cabe aqui repassar rapidamente os principais conceitos. Darwin baseou sua teoria da evolução na idéia de que o ambiente vai mudando constantemente e que algumas características físicas (olhos pretos, mais pêlos, sangue AB, por exemplo) podem ajudar ou atrapalhar o sucesso dos indivíduos. O indivíduo com a característica boa fica melhor adaptado e tem mais chance de sobreviver e ter mais filhos. Já o indivíduo sem essa característica é menos adaptado tende a desaparecer. Esse processo acaba fazendo a característica em questão se espalhar por uma população, à medida que as pessoas com essa característica sobrevivem mais e têm mais filhos. No caso da pesquisa em questão, a característica seria a inteligência.

A tese dos pesquisadores de Utah é que dois fatores ambientais tornaram a inteligência uma característica muito positiva para judeus europeus, mas não tanto para os cristãos. Esses fatores históricos, que duraram toda a idade media e parte da idade moderna fizeram com que ao longo de séculos os judeus fossem ficando mais inteligentes.

Em primeiro lugar, segundo os estudiosos, a perseguição aos judeus fez com que a posse de terras ficasse restrita aos cristãos. As profissões que valorizam a força física, como a agricultura e a guerra, eram proibidas aos judeus, que recorriam as duas profissões disponíveis: comercio e finanças. Enquanto as profissões dos cristãos valorizavam a força, a dos judeus valorizava a inteligência. Judeus inteligentes geralmente tinham mais sucesso no comercio e finanças. Esses conseguiam assim mais recursos para alimentar a família e, portanto, tinham mais filhos. Como os inteligentes tinham mais filhos e transmitiam sua carga genética para eles, segundo os pesquisadores a população ficava gradualmente mais inteligente.

Um segundo fator, mais sutil, estava em ação por toda a idade média. É sabido que a carreira religiosa atrai em geral pessoas inteligentes. Tanto o judaísmo como o cristianismo atraíram os mais inteligentes de cada comunidade para serem os lideres religiosos e os sábios. No caso dos judeus, um homem sábio e estudioso sempre foi considerado um bom partido para as famílias mais ricas, que eram justamente aquelas com condições de sustentar mais pessoas. No entanto, no caso dos cristãos, a igreja católica igualmente atraia as pessoas mais inteligentes, mas fazia questão de mantê-las no celibato, sem filhos. Os cientistas responsáveis pelo estudo acreditam que esses dois fatores históricos fizeram com que a população judia aumentasse o seu grau de inteligência ao longo dos séculos.

O campo das diferenças entre grupos étnicos é sempre um terreno minado, especialmente quando se trata de assuntos polêmicos como inteligência, judaísmo e perseguição. É importante ter em mente que quaisquer eventuais diferenças em inteligência não tem nenhum impacto moral. Inteligência e moralidade são campos absolutamente independentes. Houve pessoas muito inteligentes que cometeram crimes horríveis, como os cientistas de Hitler, por exemplo, e houve também pessoas comuns que seguiram seu instinto moral e salvaram vidas de judeus e não-judeus, mesmo correndo risco pessoal. Eles sentiram que valores supremos estavam sendo ameaçados, mesmo que seus interesses racionais os mandassem ficar quietos. Se judeus são muito ou pouco inteligentes não é importante. Muito mais importante do que a suposta inteligência judaica são os nossos preciosos e insubstituíveis valores, como o respeito a vida, a ajuda ao próximo e o cumprimento das Mitzvot. Valores que durante milhares de anos guiaram tanto os judeus burros quanto os inteligentes no rumo de uma vida mais completa e de um mundo melhor.

Alexandre Ostrowiecki (Nani)

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