Animais de laboratório com fome vivem mais
E o que isso tem a ver com os judeus
Ratos são animais interessantes. Eles vivem pouco tempo, se multiplicam rápido e seguem alguns padrões biológicos semelhantes ao dos seres humanos. E, como ninguém se importa com os ratos, são considerados excelentes cobaias de laboratório.
Há muitos anos se sabe que, em geral, animais que comem poucas calorias vivem mais. Se um bicho recebe comida em abundância, a tendência é que ele viva menos do que aquele que faz uma certa dietazinha. Semana passada a revista inglesa The Economist mencionou um estudo científico de uns caras que resolveram aprofundar essa tese. Eles pegaram algumas centenas de ratos de laboratório e deram comida à vontade, avaliando quanto tempo esses ratos viveram e também qual foi o consumo de calorias de cada rato. Em seguida, eles fizeram o mesmo teste com redução de calorias.
Após testar algumas vezes, os cientistas concluíram que mesmo uma pequena redução na quantidade de alimento ingerido (da ordem de 5%) teve o efeito de prolongar a vida dos ratos significativamente. Isso ocorre porque, segundo esses cientistas, a falta de comida diminui a velocidade da divisão celular, ou seja, se o corpo percebe que vai passar fome, ele se prepara para isso. Menos divisão celular significa menos envelhecimento, menos probabilidade de câncer (que nada mais é do que a divisão celular descontrolada) e vida mais
longa.
O mais interessante foi a segunda conclusão dos cientistas. Ao invés de simplesmente reduzir a dose diária de calorias, os cientistas descobriram que os melhores resultados ocorreram quando se alternavam dias em que os bichos recebiam comida com dias em que passavam fome. A cada vinte dias, deixavam os ratos sem comer por um dia inteiro. Na conclusão do estudo, os cientistas responsáveis especularam sobre como essa descoberta poderia ser aplicada aos seres humanos. Segundo eles, levando-se em conta as diferenças entre ratos e homens, pode-se obter efeito semelhante em termos de prolongamento da vida se as pessoas deixarem de comer por um dia intero umas quatro ou cinco vezes por ano.
Chegamos ao século vinte e um e a ciência está avaliando recomendar aquilo que a Torá nos recomenda há três mil anos: fazer quatro jejuns anuais.
Alexandre Ostrowiecki (Nani)
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