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Limpando o vômito dos primos (jun / 2004)
Limpando o vômito dos primos

Ou como fui parar em Floripa para debater o Oriente Médio

Posso dizer, modéstia a parte, que escutei nos últimos anos alguma coisa do que diz a propaganda pró palestina, repetida ad nauseam pelos fóruns e palanques das instituições de ensino mundo afora. Principalmente em São Paulo (por ser o lugar onde moro), há diversas oportunidades de escutar as vozes que afirmam ser o Estado de Israel um lugar quase nazista e os judeus um povo racista por natureza. Isso não é novidade. No entanto, em visita recente a Florianópolis, tive a grata surpresa de constatar que os ativistas pró-palestinos de Santa Catarina estão entre os piores de todos.

Em Floripa, terra de sol, mar e belas loiras, montaram um tal de "comitê de solidariedade ao povo palestino". O nome de verdade, se quisessem deixar mais próximo da realidade, deveria ser "comitê de buldogues raivosos anti-semitas", uma agremiação de palestinos, marxistas não arrependidos e um punhado de direitistas enrustidos. Basicamente, o que esse pessoal faz é se arrastar de faculdade em faculdade, de escola em escola e vomitar sobre os estudantes as mentiras e distorções da história mais gritantes que eu já ouvi falar. O limite da criatividade desse pessoal é infinito, vale qualquer coisa para empurrar goela abaixo dos alunos a idéia de que os judeus são monstros assassinos e os palestinos são apenas um pobre povo indefeso.

Semana passada, uma escola de ensino médio fez um ciclo de palestras sobre o Oriente Médio. Eram cerca de 300 alunos e professores do colegial. Da parte palestina, convidaram o tal comitê. Da parte judaica, chamaram a associação israelita local, que pediu apoio da CONIB, que por sua vez me convidou a realizar a palestra pelo lado de Israel. Entre as barbaridades comentadas estavam as seguintes afirmações: 1) O sionismo sempre foi aliado de Hitler 2) Sionismo é pior do que nazismo 3) Judeu não é povo 4) Ashkenazim não são judeus de verdade 5) Judeus controlam o mundo 6) Israel quer ocupar todo o Oriente Médio . Para chegar nesses seis conceitos básicos, que constituem o objetivo político dessa propaganda, foi despejada uma gosma verde de distorções da história, apropriação de fatos duvidosos e mentiras factuais descaradas. Mentiram por exemplo, o número de mortos palestinos em apenas 100 vezes mais do que o real e mostraram grande número de fotos de mortos palestinos, sugerindo que apenas o lado árabe tem o monopólio do sofrimento. Esse tipo de discurso está sendo repetido por toda a parte. Como em quase todos os casos, não existe contraponto israelense, essa versão acaba se tornando a verdade.

Quando chegou a quarta feira, foi a nossa vez. No início da palestra, senti uma certa hostilidade por parte de alunos e principalmente professores. Aparentemente, o público já tinha comprado grande parte da tese palestina. Esses alunos e professores estiveram expostos por muito tempo às fotos de tanques x pedras na mídia e ao clima geral de anti-semitismo latente que impera no sul do Brasil. Isso sem contar com o anti-americanismo generalizado, que associa EUA e Israel automaticamente, tornando o nosso trabalho muito mais difícil. As primeiras frases que eu falava eram acompanhadas de risadinhas dos professores do tipo "eu não vou deixar ele me convencer de nada". No entanto, desde o início o pessoal se mostrou muito interessado.

Foi deixado claro de cara que eu não sou embaixador de lugar nenhum nem sou representante oficial de nada. Me coloquei como um jovem comum, quase da idade deles, que estudou um pouco do assunto, viveu em Israel e veio bater papo com eles sobre o assunto. Isso ajudou muito a quebrar o gelo e criar uma legitimidade maior do que o lado palestino, uma vez que um embaixador é obrigado a papagaiar as posições oficiais do seu governo. Em nenhum momento o objetivo da palestra foi transformar aqueles jovens em ativistas pró Sharon, até porque isso seria impossível. Me limitei simplesmente a mostrar que existe um outro lado e que existem razões por trás da maior parte das ações de Israel (apesar de ninguém ser obrigado a concordar com tudo o que Israel faz). Os principais pontos abordados foram: 1) a importância da terra de Israel para os judeus 2) o impacto dos atentados na vida de Israel 3) a educação para o ódio da juventude palestina 4) a posição de Israel no Oriente Médio, cercado de países árabes 5) o absurdo de se comparar esse conflito com o Holocausto 6) o compromisso de Israel com a paz. No final, foi aberto um espaço para perguntas e os jovens se mostraram muito conscientes, tocando em temas espinhosos como o muro de separação, a ocupação e o papel dos EUA. Ficamos mais uma hora e meia discutindo o assunto, totalizando três horas de evento.

No final, circulamos uma rápida pesquisa entre os alunos, onde perguntamos se eles gostaram da palestra e se mudou a sua visão do conflito. Dos cerca de 120 respondentes, menos de 10 expressaram opiniões anti-Israel. Outros 30 disseram que a palestra não mudou a sua visão sobre o conflito, que já era neutra. A grata surpresa foi que o restante, mais de 80 pessoas, afirmaram que a palestra mudou a forma como eles viam a questão. Um rapaz do 1o. colegial escreveu que "eu não sabia quais eram os motivos israelenses para fazer barreiras e entendi mais sobre a história de Israel". Outro escreveu que "vi que os palestinos não são tão indefesos e vi a capacidade que eles têm em insistir no conflito. Vi também que os israelenses querem a paz". Uma garota do 3o ano afirmou que "eu não sabia que crianças palestinas eram treinadas desde cedo para matar. Nesta palestra ficou esclarecido que Israel busca a paz". Outra escreveu que "mudei de opinião, apesar de os meios de comunicação passarem uma imagem diabólica sobre os ataques de Israel". Talvez a melhor resposta de todas tenha sido "agora estou mais do que simplesmente neutra, nem de um lado nem do outro e sim a favor da paz, da democracia e contra o radicalismo".

No final da sessão de perguntas, todos os professores vieram nos cumprimentar. Foi muito emocionante sentir que o clima tinha mudado completamente em relação ao início. Estavam sorridentes e afirmaram ter gostado muito e aprendido coisas novas. Talvez isso tenha sido o mais importante, uma vez que após nós irmos embora, eles serão as pessoas que tratarão do assunto lá na escola pelos próximos dez anos. Pode não ser agradável limpar o vômito que a propaganda extremista palestina deixa no chão, mas este evento deixou claro que é bem possível e que gera resultados concretos. Vassouras na mão e vamos ao trabalho!

Alexandre Ostrowiecki (Nani)

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