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Ledor va "Door" (outubro/2003)
Ledor va "Door"

Apesar dos discursos bonitos, a CIP bate a porta na cara da juventude


Todo mundo gosta de entrar na CIP durante o Shabat, assistir a um belo serviço e cantar em coro o nosso tradicional "Ledor Vador", de geração em geração. Após a cantoria, o visitante poderá escutar discursos bonitos, em que se afirma o quanto os jovens são importantes e como a CIP está apoiando a juventude. Existe um quase consenso, em termos de retórica, que o investimento nos jovens é peça chave na estratégia de sobrevivência da CIP. Neste contexo, foi bastante triste constatar que essa aparente abertura ficou apenas na retórica, ou que, na prática, apenas os papéis figurativos da nossa congregação estão realmente abertos à juventude.

Recentemente, com a abertura das candidaturas para o conselho deliberativo da CIP, um grupo de cerca de 20 jovens se inscreveu para participar. São pessoas das mais diversas origens, sejam ex-madrichim do Campo de Estudos, professores do Ensino, membros da Comissão de Culto, ativistas do Lar das Crianças ou movimentos juvenis Chazit e Avanhandava. O que esse grupo tinha em comum era o respeito e admiração pelo trabalho da diretoria atual e a vontade de participar ativamente da vida política da CIP, além do trabalho voluntário, que já vinha sendo realizado. São pessoas, no sentido mais fiel da palavra, "prata da casa", filhos e netos de sócios que, além do trabalho na CIP, participaram de importantes momentos da comunidade judaica brasileira, como liderança na "marcha dos 10.000", por exemplo. Apesar do grupo apoiar o trabalho que vinha sendo desenvolvido pela diretoria e rabinato, não havia vínculo formal com nenhum grupo político da CIP. O grupo foi batizado de "Chapa Ledor Vador".

Durante os primeiros dias da divulgação da chapa, o grupo foi brindado por diversos apoios valiosos. O querido Rabino Sobel, reconhecendo o trabalho que os jovens vinham realizando na CIP, inclusive ajudou na divulgação da chapa entre os sócios da congregação. A chapa recebeu declarações de apoio dos demais membros do rabinato, Presidente da Congregação e Presidente do Conselho da CIP. Havia a sensação de que os jovens são aceitos e que podem tomar parte institucional da congregação.

Foi com grande surpresa e consternação, portanto, que chegou a recente notícia de que a candidatura da chapa seria proibida. Após todo o esforço de divulgação, após a confirmação de tantos apoios, os jovens seriam impedidos de concorrer em uma eleição aberta. A alegação era que os filhos de sócios, enquanto dependentes, não têm direito de se candidatar ao conselho. Dito isso, a chapa se ofereceu para efetivar seus membros como sócios, com contribuição e tudo, para solucionar o problema. Novamente foi negado o direito de participar. Segundo os advogados da instituição, o sócio deve ter pelo menos 60 dias de contribuição para poder ser conselheiro. A cada tentativa por parte da chapa, vinha nova alegação impedindo-a de concorrer. Justiça seja feita, houve grande abertura para o diálogo por parte do Presidente da CIP, inclusive oferecendo participação numa eventual comissão da juventude e na própria diretoria. Mas isso não é mesma coisa do que participar como candidato numa eleição aberta.

Mesmo partindo-se do pressuposto de que os estatutos proibem terminantemente os membros da chapa de concorrerem e assumindo-se a premissa de que, em toda a história da CIP, nunca houve conselheiro algum em situação irregular, ainda assim essa situação anuncia uma triste inversão de prioridades. Ao invés de dar graças a D'us que ainda existem jovens interessados pela CIP, a instituição invoca um detalhe absolutamente segundário (exigir 60 dias de contribuição de pessoas que se dedicam há anos para a CIP) e bate a porta na cara da juventude.

Segundo as sábias palavras do nosso Rabino Sobel, "o espírito da lei é mais importante do que a letra da lei". Com atitudes como esta, a CIP verá como resultado o afastamento cada vez maior dos jovens, algo que já se comprova pelos números minguados de jovens que vêm aos serviços religiosos e redução drástica de jovens nos movimentos juvenis. Não vale querer que os jovens trabalhem sem que haja uma contrapartida de espaço político. A CIP corre o risco de, daqui a alguns anos, ter somente moscas e teias de aranha sobrando para consultar os estatutos eleitorais.


Chapa Ledor Vador

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