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Viva Chirac e a Guerra contra o Iraque! (março/2003)
Viva Chirac e a Guerra contra o Iraque!

A desmoralização da ONU será a primeira boa notícia dessa guerra

Até pouco tempo atrás, eu costumava ser enfaticamente contra um ataque norte-americano ao Iraque. No entanto, após assistir às inúmeras demonstrações pacifistas mundo afora, comecei a simpatizar com a idéia. Afinal, se os grupos pacifistas atacam tão pesadamente a aventura de Bush no Oriente Médio, alguma coisa de boa ela deve ter. Com um pouco de reflexão, e apesar dos efeitos colaterais, realmente pode-se perceber diversos benefícios que poderão advir de tal empreitada.

Do ponto de vista militar, podiam trocar o nome de Guerra do Iraque para Guerra de Araque. Os EUA não terão muita dificuldade em destroçar o exército de Saddam e ocupar o País. Tampouco a situação deverá mudar muito para o povo iraquiano, que provavelmente logo estará sob as asas de algum novo ditador. Dificilmente o próximo regime será um grande fã de Israel. Em termos da "guerra contra o terror", mais jovens muçulmanos odiarão os EUA e Bin Laden esfregará as mãos de alegria...

Por outro lado, a intervenção unilateral Ianque vai expor claramente o quanto a ONU é irrelevante em termos de Realpolitik. Isso seria uma ótima notícia para o mundo. Uma das maiores e mais perigosas ilusões em política internacional é acreditar que agressores podem ser brecados com palavras bonitas e cartas de intenção assinadas por uma penca de países. O mesmo pessoal que ficou esperneando nas ruas para dar mais tempo aos inspetores de armas se esquece de que esses mesmos inspetores não teriam nem estado lá no Iraque caso Saddam não tivesse sido ameaçado com a força. Ditadores sanguinários costumam se impressionar mais com canhões do que com slogans pacifistas. Em 1938, o primeiro ministro inglês Neville Chamberlain voltou de Munique com um pedaço de papel assinado por Hitler
prometendo paz. Os grupos pacifistas da época tiveram orgasmos. Meses depois, a Segunda Guerra Mundial estourou, enterrando a carreira de Chamberlain junto com a defunta Liga das Nações, uma espécie de ONU versão alfa, e mais 50 milhões de pessoas. Quantas vidas inocentes teriam sido salvas se as democracias da época tivessem oferecido um front sólido contra o nazismo desde o início?

Além da incapacidade de manter a paz sem os recursos necessários para tal, a ONU sofre de diversos problemas estruturais. O Conselho de Segurança, em tese a instância máxima da Organização, é um dinossauro que fossilizou no comando os antigos vencedores de 1945, EUA, Rússia, França, China e Grã-Bretanha, dando a cada um deles o poder de vetar qualquer decisão. Ou seja, até mesmo um país secundário como a França, uma ditadura como a China ou um clube de mafiosos como a Rússia tem poder suficiente para impedir que
qualquer coisa desagradável a eles seja aprovada pela ONU. O Presidente Francês Jaques Chirac deveria ser aplaudido de pé pelo que ele têm feito. Enquanto seus colegas de Moscou e Beijing estavam dispostos a ficar quietinhos fingindo que ainda dão as cartas, Chirac resolveu deixar escancarada a irrelevância da posição francesa, ao ameaçar vetar uma nova resolução anti-Iraque. Os americanos responderam: "as you wish" e foram à luta.

Fora o Conselho de Segurança, existe a Assembléia Geral, onde cada País tem um voto, da Itália à Micronésia. Enquanto o Conselho é meio monótono, devido aos vetos daqui e dali, a Assembléia Geral é bem mais divertida, se parecendo mais com um circo, com palhaços e animais adestrados. Deviam extinguir a ONU, mas manter a Assembléia Geral para preservar o humor no meio diplomático internacional. Esse é o órgão que colocou a Líbia como presidente da comissão de direitos humanos (Khadafi é um grande humanista mesmo!) e marcou uma data para comemorar o "dia internacional de solidariedade ao povo palestino" (até aí nada contra, mas porque será que esse é o único povo do mundo que tem um dia internacional de solidariedade marcado pela ONU...?). Além disso, é o mesmo organismo que passa cerca de 7 condenações contra Israel por ano, incluindo a famosa equação, "Sionismo=Racismo". Nos últimos anos, enquanto Israel era condenada 7 vezes por ano, Afeganistão, Cuba, Iraque receberam apenas uma condenação. Ou seja, segundo a Assembleia Geral da ONU, Israel é sete vezes pior do que um regime psicopata como o Taliban, a barba de Havana ou o bigode de Bagdá.

Do jeito como está, a ONU tem suas ações práticas paralizadas no Conselho de Segurança e, na Assembléia Geral, coloca raposas para cuidar do galinheiro, permitindo que um bando de ditadores sejam os fiéis depositários da legitimidade internacional. Faria mais sentido se houvesse uma grande aliança econômica e militar dos países democráticos, no estilo da OTAN, mas reforçada por nações como Japão, Coréia do Sul, Brasil e, porque não, Israel. Essa grande aliança, a exemplo do que fez a OTAN em Kosovo, teria muito mais chances de manter a paz e a estabilidade mundial do que um saco de gatos como a ONU é hoje.

Alexandre Nani Ostrowiecki

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