Perdemos ou Ganhamos o Edu?
A Aliah de jovens líderes nos faz refletir sobre onde eles são mais importantes
O Eduardo Kuperman é uma dessas misturas de amigo com companheiro comunitário que a gente tem. Colega de colégio e de viagens, mas também companheiro de batalhas dentro e fora da comunidade judaica. Aluno brilhante, formado em engenharia de produção pela POLI, certinho até demais. O Edu está se casando em poucos dias. Em maio, o novo casal faz Aliah. É mais uma pessoa que fará parte do fluxo de Aliah jovem sionista, fluxo este que se destaca mais pela qualidade do que pela quantidade de pessoas.
Para um participante de movimento juvenil, a Aliah é a etapa final da atuação judaica na diáspora. Após o aprendizado como Chanich (educando), a transmissão de conhecimento como Madrich (guia educador), o ano de estudos em Israel e a posterior atuação como lider de movimento, chega a vez da mudança definitiva de País. Na ideologia tradicional sionista, o judeu que faz Aliah passa por uma completa renovação, em que deixa de lado os "vícios" da diáspora para assumir a identidade israelense. O Sionismo sempre defendeu a idéia de que um judeu só pode expressar completamente a sua identidade se ele viver no Estado Judaico. A Aliah seria, desta forma, o símbolo da emancipação completa de cada judeu e o elemento fundamental na construção do projeto sionista.
No entanto, muitas comunidades vêem a Aliah de forma ambígua. Além do sentimento natural de cada pai e mãe de querer ter os filhos próximos, a comunidade fica com a sensação de que as pessoas mais dinâmicas e promissoras estão indo embora. Após anos de investimento de tempo e dinheiro, o jovem acaba saindo. O complicador é que essa saída se dá justamente no momento em que o jovem está pronto para assumir posições de comando e "devolver" à comunidade parte do que foi investido nele.
Perdemos o Edu. Com a saída dele, a liderança jovem desta comunidade fica com um buraco. Ex-madrich do Shomer e Hebraikeinu, Presidente do Conselho Juvenil Sionista, Diretor de Juventude da Federação. Nada mal para alguém com 24 anos de idade. Poucas pessoas fizeram tanto em tão pouco tempo. Pude testemunhar a determinação e habilidade do Edu em eventos como a famosa "marcha dos 10.000", liderada por ele, entre muitas outras ocasiões. É uma pessoa que tem a rara habilidade de agregar diversas visões em torno de um projeto comum, de unir os diferentes sem perder o foco da tarefa proposta. Se continuasse no Brasil, provavelmente se tornaria um nome de grande destaque, coisa absolutamente necessária para uma comunidade com imensos desafios como a nossa.
Ganhamos o Edu. O projeto mais importante do povo judeu, o Estado de Israel, está recebendo um novo influxo de forças. E como esse projeto está precisando de forças! Cada judeu que desembarca na Terra Santa faz uma diferença enorme, mas o impacto é muito maior se é alguém como ele, jovem, inteligente e movido pelo ideal sionista. Em Israel, sua energia será inteiramente voltada ao local onde a soberania judaica se expressa. Qualquer que seja a sua atividade, seja em economia, pesquisa, engenharia ou outra, ele estará fortalecendo o judaísmo. Sua contribuição será enorme para um País com imensos desafios como Israel.
Afinal, perdemos ou ganhamos o Edu? Não tenho a menor idéia. Só sei que precisamos de mais Edus.
Alexandre Nani Ostrowiecki |