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Escritos com a pele une fatos a impressões do autor e resgata acontecimentos de sua carreira

Moisés Rabinovici escapou de ser linchado em Beirute, esteve no centro de um tiroteio no Panamá, foi imobilizado e assaltado em Johannesburgo, e viveu situações as mais adversas nos conflitos que cobriu em Ruanda, Equador e Peru. Transmitia suas matérias em condições precárias, na maioria das vezes por telex. Tornou-se um dos mais conhecidos correspondentes internacionais do jornalismo brasileiro. Parte de suas histórias e melhores reportagens estão em Escritos com a pele (11 Editora, R$ 60,00) – que marca sua estreia em livro.

A obra une fatos a impressões do autor e resgata acontecimentos de sua carreira em coberturas realizadas mundo afora. O prefácio é do jornalista Clóvis Rossi. Escritos com a pele traz experiências e coberturas jornalísticas do autor em Israel, Estados Unidos, Paris, Líbano, Cuba, e como enviado especial às guerras em El Salvador e Panamá, ao assassinato de Yitzhak Rabin em Tel-Aviv, e ao início da epidemia de Aids em São Francisco, Entebe e Nairóbi. Matérias muitas vezes redigidas sob fogo cruzado em algum conflito.

Rabino, como é conhecido no meio jornalístico, resgata também textos que escreveu sobre a prisão de PC Farias ­– tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor –, a chegada da TV em Lagoa do Barro, no Piauí; o trabalho da arqueóloga Niède Guidon na Serra da Capivara, a facilidade em comprar crack no centro de São Paulo, entre outros relatos, acompanhados por suas contextualizações.

“Eu era um repórter que zelava pela forma do texto e, às vezes, passava a noite toda para escrever o primeiro parágrafo de uma reportagem. Ao chegar a Beirute, fiquei diante de um telex, e com meia hora ao todo para escrever e transmitir. No telex, posta a primeira palavra, não tem volta. É seguir adiante, sem tecla de deletar. Adeus, preciosismo”, comenta Rabinovici. “Pelo tempo em que cobri a guerra do Líbano, de 1982 a 1984, o desafio do telex foi diário. Os americanos diziam: é escrever com a pele. Compartilhei essa experiência em palestras e aulas. Retribuo o que o jornalismo me deu espalhando essa lição. Agora, no livro, mostro os resultados”, complementa.

“O Rabino estava sempre perto do perigo, pela simples e boa razão de que, onde mora o perigo, mora a notícia e, onde mora a notícia, não podiam faltar a pele, os dedos, o coração, as entranhas desse formidável repórter”, escreveu Clóvis Rossi em trecho do prefácio do livro, que redigiu meses antes de sua morte, em 14 de junho.

Com 312 páginas, Escritos com a pele é leitura obrigatória para conhecer ou relembrar acontecimentos que marcaram o Brasil e o mundo e os desafios do trabalho de um correspondente internacional. O livro pode ser adquirido no site da 11 Editora (www.11editora.com.br)

O autor

Moisés Rabinovici, começou em jornal aos 17 anos, em 1962, na edição mineira do Última Hora. Em 1966, fez parte da primeira equipe do Jornal da Tarde, em São Paulo. Por cerca de 40 anos no Grupo Estado ocupou várias funções, entre as quais as de repórter, editor-chefe e correspondente internacional.

Esteve por oito anos em Israel, seis anos nos Estados Unidos e foi enviado especial às guerras em Ruanda, Equador e Peru, El Salvador e Panamá, ao assassinato de Yitzhak Rabin em Tel-Aviv, à eleição de Mandela e ao início da epidemia de Aids em São Francisco, Entebe e Nairóbi.

Saiu do Grupo Estado para ser correspondente em Paris da revista Época, por dois anos, depois dos quais retornou a São Paulo para chefiar um novo portal do Estadão, com a reunião dos sites do Estado, JT, Rádio Eldorado e Agência Estado.

Passou também pela rádio Renascença, de Portugal, durante a guerra do Líbano, de 1982 a 1984, e foi diretor do Diário do Comércio, entre 2002 e 2014. Atualmente, é comentarista de notícias internacionais na TV Brasil e ancora um programa semanal de meia-hora, Um Olhar Sobre o Mundo.

Serviço
Título: Escritos com a pele
Autor: Moisés Rabinovici
11 Editora
R$ 60,00
Capa: Brochura
Especificações: 312 p. 15,5 x 23 cm
ISBN: 978-85-69013-08-2

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