David cresceu em nossa casa Judaica Ortodoxa em
Queens (NY), onde ele era ativo em causas Judaicas. Ele descobriu o interesse em beber
quando tinha dez anos de idade, conforme minha esposa e eu descobrimos recentemente. Ao
longo dos anos seguintes, ele desenvolveu uma crescente afinidade com o álcool e
acrescentou a maconha e outras drogas nos últimos dois anos do Colegial na Yeshivá.
Quando ele ia passar a noite na casa de amigos - dizendo que ia estudar - ele na realidade
estava lá para se drogar e para beber. David chegou a ser expulso de duas yeshivas.
Durante sua adolescência, nós pensávamos que ele sofresse de
disturbios de personalidade, e o mandamos a uma série de psicólogos. David foi capaz de
enganá-los tanto quanto nos enganava. Infelizmente, nenhum supervisor de alunos,
professor our psicólogo jamais seuqre nos mencional qual seria a causa potencial do
problema. Não existe um mentiroso maior, nós aprendemos, do que o meu adicto a drogas ou
a álcool; e quem administra uma yeshivá e os psicólogos das escolas geralmente não
conhecem o abuso de drogas nem sabem de sua ocorrencia na Comunidade Ortodoxa.
O relacionamento entre minha mulher e eu ia se desgastando por
causa do David, e cada um de nós acusava o outro de ser o responsável por seu
comportamento. Algumas vezes, a angústia era insuportável. Nós tentamos esconder os
problemas de David de nossos outros filhos e de nossa família estendida, sem muito
sucesso.
Depois do Colegial David foi para Israel estudar em uma yeshivá
que tratava de meninos problema. David não durou nem até Sukót. Ao voltar do feriado,
ele foi expulso por ter fumado Hashish (maconha). Depois de analisar a situação com
minha esposa, eu rapidamente tomei um vôo para Israel.
Em minha chegada, David me falou que ele tinha usado haxixe só
uma vez e foi expulso para ser um exemplo. Eu não tive nenhum sucesso em convencer os
diretores da yeshivá em voltar a aceitá-lo. Na época nós ficamos muito bravos com
eles. Hoje, nós entendemos que eles não eram o endereço certo para ajudar jóvens como
o David.
Nós recebemos orientação de um rabino de Jerusalém, Moshe
Prager (nome real), um Chassid de Karliner, homem incomum, cheio de personalidade e
dedicado vindo dos USA e que dedica sua vida a ajudar jóvens como David. Por sua
sugestão, David se matriculou e foi aceito numa famosa yeshivá de baalei-teshuvá e eu
voltei aos Estados Unidos. Um mês depois, pediram que David saisse porque a escola não
estava habilitada para lidar com pessoas de origem religiosa, embora David tivesse se
comportado razoavelmente durante a permanência dele.
David passou os próximos meses vagando por Jerusalém, dormindo
em dormitórios escolares, casas de amigos e albergues de juventude. Depois ele se
ofereceu para trabalhar em um kibutz não-religioso perto de Tiberíades. Ele nos disse
que lá eram proibidas drogas. (Ele nos informou depois que ele e alguns outros
voluntários furavam esta norma indo para Tiberíades algumas noites por semana para
comprar maconha). Nós ficamos muito desapontados porque David era agora totalmente não
observante. Porém, nós esperávamos que o duro trabalho físico nos campos de banana o
transformasse..
Quando David voltou aos Estados Unidos há três anos atrás, nós
tivemos que enfrentar quase o pior pesadelo um pai pode enfrentar. David já estava num
inferno; nós estávamos a beira de nos juntarmos a ele lá.
Meu amigo Robert foi o primeiro em nos alertar completamente sobre
o verdadeiro âmbito dos problemas de David. Ele é um terapeuta religioso bem-respeitado
e alguns de seus pacientes sofrem de alcoolismo. Seu apoio e sábios conselhos nos
ajudaram em muitas noites difíceis. David uma consulta para discutir os problemas dele.
Robert nos informou que David tinha um violento problema de droga
e recomendou que nós falamos com Barry Wilansky (nome real), diretor executivo do Tempo
Group em Woodmere, Nova Iorque. Tempo oferece serviços de ambulatório para alcoólatras
e viciados em droga e também mantém grupos de apoio para membros da familia.
David concordou em assistir as reuniões de grupo (semanais) na
Tempo, enquanto nos encorajaram em que nos juntássemos a um grupo de apoio familiar. Em
uma carta recente para a irmã mais jovem, David descreveu os sentimentos dele naquela
fase: Quando eu conhecia as pessoas, eu tentava ver se eles eram como eu, um viciado em
droga. Se as pessoas não fossem, eu tentava ver o que eu poderia obter delas
principalmente, se o seu dinheiro ou a sua piedade. O alcoolismo quase me matou.
Fisicamente havia muitas vezes nas quais eu deveria ter morrido de envenenamento por
álcool ou de uma overdose de drogas. Espiritualmente, eu estava falido. Parecia que não
havia mais nada para mim na vida e que o único modo para aguentar outro período de tempo
desgraçado era me embebedar bastante ou ficar suficientemente alto até que aquêle
sentimento sumisse. Isto ficava mais e mais difícil com o passar do tempo.
Alcoolismo, na verdade. é uma doença familiar. A doença de
David sei refletia em nossa família: Ele estava num estado de negação e nós estávamos
em negação; ele estava sofrendo e nós estávamos sofrendo. Nossos nervos estavam à
flor da pele e muitas noites nós choramos até dormir. Nós passamos por todas as
emoções de terror, vergonha, humilhação e descrença. Mas nós nunca nos rendemos, nem
mesmo nos piores momentos. Nós estávamos obstinados; nós nos lembrávamos da criança
doce que o David tinha sido, e estávamos determinados que de uma forma ou de outra as
coisas tinham de dar certo.
Nesta época,David estava supostamente frequentando uma faculdade
local e estava vivendo com amigos perto da escola. Ele vivia num chiqueiro - um
apartamento com outros jovens parecidoos. Ele era completamente não observante,
confrontativo e irritável. Ele nunca nos revelou como ele passava o tempo e
constantemente nos amolava com dinheiro. Depois nós descobrimos que ele mantinha a si
mesmo e a seu vício apostando em esportes com um agenciador de apostas na faculdade.
David ia sem constância às reuniões de grupo na a Tempo e fazia
testes de uso de droga. Eu me lembro claramente de estar em um um grupo de apoio a pais
quando o líder do grupo, uma assistente social, nos perguntou como vai o David. Eu
respondi que ele parecia estar se comportando um pouco melhor. Ela então contou ao grupo
que o David tinha recentemente dado positivo no teste de cocaína. Eu comecei a gritar com
ela. Como ela ousa anunciar isso na frente de todo o grupo? Eu estava totalmente agitado.
Afinal de contas, como pôde um jovem de uma casa religiosa, uma família próspera,
respeitada se tornar um alcoólatra e um viciado em drogas?
Com ajuda dos profissionais dedicados da Tempo, nós começamos a
aprender sobre a " doença " de adicção. Se 10 adolescentes fossem
experimentar maconha, nove deles poderiam gostar isto mas não desenvolveria uma procura
incessante por ela. Porém, o décimo poderia ser predisposto geneticamente a desenvolver
uma dependência química. Nós aprendemos que esta doença é similar à diabete - você
pode aprender viver com ela, mas não há nenhuma cura.
Nós aprendemos sobre a capacidade dos seres humanos para
desenvolver vícios por um grande grupo de substâncias que alteram o comportamento.
Alguns deles são socialmente aceitos, tais como álcool, VaIium, analgésicos e pílulas
para dormir. Lembre-se que substâncias como álcool podem levar anos para começar a
afetar as funções do dia a dia. Outras substâncias, como o crack, levam só alguns
meses.
O que podemos nós pais fazer? Nós aprendemos no grupo como lidar
com um membro da família que é viciado. O adicto continua precisando da família, porque
geralmente, ninguém mais o ajudará. Pais geralmente tentam ajudar e apoiar seus filhos e
filhas; adictos necessitam o tratamento oposto. Nós aprendemos sobre como agir de modos
que nós antes achávamos que seriam nocivos, mas agora se via que de fato eram atos de
amor e bondade. A tendência natural para "ajudá-los" financeiramente e coisas
parecidas deve ser totalmente terminada. Por exemplo, nós não podíamos nos permitir a
ajudar o David com dinheiro para alugar um apartamento, porque o dinheiro iria para
drogas. Só quando o adicto bate no fundo do poço que há uma chance que ele comece a
olhar para sí mesmo.
Infelizmente, ninguém pode definir tal fundo. A pessoa só pode
esperar e rezar para que eles alcancem isto antes que a doença os mate. Porém, nós
aprendemos a buscar formas de elevar o fundo antes que a tragédia os golpeie.
Seis meses depois de nos envolver com a Tempo, nos informaram que
o tratamento ambulatorial não estava funcionando para o David. Eu nunca esquecerei da
tarde de 3 de outubro de 1995. Numa reunião familiar com o David e o Barry Wilanksy, nós
falamos para o David que ele teria duas escolhas - ou vai imediatamente para um centro de
reabilitação de álcool e drogas, ou sai do quarto e nunca nos vê novamente! Nós
estávamos tensos e emocionalmente esgotados porque nós não sabíamos que resposta
esperar.
Nos levou seis meses para alcançar este ponto. Nós não
estávamos blefando: nós acreditávamos em cada uma de nossas palavras e o David sabia
disto. Nós não podíamos permitir-lhe continuar a vida insensata dele e nós tivemos que
tomar a decisão mais dura para um pai - antes de ele se matasse.
David concordou em ir - O pessoal da Tempo arrumou para ele ir a
um programa excelente num centro de rehabilitação no Meio Oeste. Em dois dias ele estava
no avião. Nós escondemos a viagem dele dos nossos amigos e da família com várias
histórias que montamos. Sua avó (Babe) estava especialmente agitadao por seu
comportamento e foi difícil de esconder a situação dela.
David nos contou depois que ele levou seis semanas na clínica
até admitir a si mesmo que ele era verdadeiramente um viciado. Ele ficou na clínica
durante quatro meses em tempo integral, um mês num programa de trabalho voluntário e um
mês em uma "casa de passagem". Ele decidiu permanecer na cidade e ir a
reuniões do ambulatório e grupo AA (Alcoólicos Anônimos). Muitos dos médicos da
clínica - que tinha sido fundada expressamente para o tratamento de profissionais de
saúde - eram eles mesmos alcoólatras ou usuários de drogas em recurperação. Abuso de
substância química atravessa todas as barreiras étnicas, religiosas e socioeconômicas.
Durante uma visita familiar ao centro de recuperação, David
relatou toda sua história de abuso de substância numa reunião de grupo. Os pacientes na
sala incluiam médicos, advogados, donas de casa, enfermeiras, trabalhadores em fábrica e
nosso filho. Quando eu perguntei à assistente social por que para cada família visitante
tinha recebido uma caixa de lenços de papel, ela nos falou que seria necessário. Ela
tinha razão. As lágrimas fluíram - primeiro em soluços sufocados, depois mais
livremente, à medida que cada paciente relacionava em detalhes - para seus familiares e
para o grupo - a história dele ou dela sobre o abuso de substância química.
Isto era tudo parte do processo de recuperação. Nós aprendemos
que alguns alcoólatras começados na idade de dez, outros com 55. Um alcoólatra explicou
que ele começava cada dia com um pacote 12-pack de cerveja. 0utros falavam que tomavam
quantidades enormes de toda pílula imaginável. (Nós nunca tínhamos ouvido falar da
maioria delas). Tods se referiam ao trauma que eles tinham causado a si mesmos e às suas
famílias. Alguns pacientes que tinham ouvido estas histórias em reuniões de grupo
anteriores foram nomeados para interromper o relato caso o paciente mentisse.
Ao nos sentarmos no grupo, o David descreveu para nós toda a
odisséia dele pela primeira vez. Nos pediram que não interrompêssemos até que ele
terminasse. Nós descobrimos que o fato que nós não tínhamos percebido que ele tinha um
problema de droga e álcool até anos depois do início disto, era típico da maioria das
famílias de abusadores de substância química. Ao final da sessão, as caixas de lenços
de papel estavam vazias.
David voltou para a primeira visita em casa alguns meses mais
tarde. Numa atitude notável, ele visitou todos nossos familiares e amigos íntimos e os
informou de sua adicção. Para nossa surpresa positiva e gratidão, a maioria de nossos
amigos e família entenderam e foram encorajadores. A abertura de David sobre a aflição
dele removeram um fardo enorme de nossos ombros. Nós não tínhamos mais que ser
reservados e mentir sobre o paradeiro dele e seu comportamento. Nós poderíamos começar
a nos recuperar com David. Nós pudemos finalmente explicar a situação à Babe dele, e
mesmo achando isto difícil de compreender, ela era encorajadora.
De alguns modos, David é mais maduro que sua idade; ele aprendeu
viver um dia de cada vez. De outros modos, ele procura muito entender o mundo ao seu
redor. Ao sair da alienação das drogas, ele teve que se redescobrir; e isso inclui sua
religião, sua família e sua comunidade. Graças a D us, ele passou nestes
auto-exames muito bem.
Dois anos depois, a recuperação de David continua. Ele faz
faculdade e recentemente foi lhe oferecido uma posição como um assistente clínico no
centro de tratamento que ele frequentou. Diminuiu a alienação dele da observância
Judaica. Na verdade, ele foi convidado pela comunidade local para ensinar lições de Bar
Mitzvá e ele dá aulas a um grupo de cinco pessoas nas complexidades de laining a
porção semanal da Torá. O Rabino Prager de Jerusalém o visitou recentemente e nos
informou que ele estava pasmo de ver o progresso dele.
A história de David não é só dele. Um homem de 55 anos de uma
comunidade Ortodoxa grande recentemente se matriculou no centro de tratamento. O
alcoolismo dele e adição ao crack tinham sido exacerbados por beber num "Clube de
Kiddush" semanal durante os serviços de Shabat.
Quando eu li o primeiro rascunho deste artigo para outro casal -
amigos íntimos nossos - eles me pararam abruptamente para chamar o filho ''yeshivish
" deles. Eles de repente perceberam que o intenso interesse dele em beber em Purim e
Pessach poderia mascarar um problema mais profundo. Na conversa, ele admitiu ele que ele
bebia cerca de meia garrafa de uísque nos feriados ou quando ele se sentia tenso, um
total de talvez 15 vezes no ano. Tendo percorrido o caminho e não tendo nenhuma ilusão
sobre a força da adicção, eu sondei o jovem, com o permissão dos pais dele. Vimos que
o problema de bebida dele era sério e ele já tinha começado a usar drogas para
satisfazer suas ânsias.
Nossa comunidade tem que perceber que a maldição de adicção
pode acontecer em qualquer família - até mesmo nas Ortodoxas - e em qualquer yeshivá.
Aconteceu na nossa. Eu acredito o caminho da recuperação passa por reconher os sintomas
e lidar honestamente com eles, não importa a dor. Ajuda está disponível.
As pessoas tendem a acreditar que o adicto pode vencer a doença
se forem bastante disciplinados. Os profissionais de sucesso que nós encontramos durante
as visitas familiares ao centro de recuperação desmentem este argumento aparentemente
lógico. Como regra geral, se você pode vencer a necessidade sózinho, você não é
verdadeiramente viciado. O programa de 12 passos dos Alcoólatras Anônimos e Narcóticos
Anônimos encaminham o adicto para o caminho do crescimento espiritual necessário para
contra-balançar a ânsia que vicia.
A programa de 12 pasos afirma a crença em um Poder Superior e na
busca a Dus para ajuda
Trabalhando num grupo de iguais, este programa dirige o sofredor
para fora do solo improdutivo da adicção para um nível de serenidade espiritual. Quando
o alcoólatra e o adicto a drogas trabalha assiduamente o programa, eles estão no caminho
da recuperação
Para o resto da vida, David beberá suco de uva em vez de vinho
para Kiddush. Do o resto da vida dele será bem cauteloso de qualquer medicamento que
contém um ingrediente que altere a psique.
David continua frequentando reuniões de AA de forma regular; e
seu mentor também é um diplomado de yeshivá. Nós agradecemos Deus diariamente por
David estar lutando contra a doença de adicção e suas vitórias, mas o tempo perdido
deixou suas cicatrizes.
Para o resto da vida dele, nós desejamos ao David montes de
bênçãos de crescimento espiritual e de recuperação continuada.