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Drogas e Judaísmo, ao mesmo tempo. Será Possível?
"Shiker is
Goyish" (Bebedeira é coisa de Goy) - uma expressão bastante comum no mundo
Judaico. Será que Judeus não se embebedam? Não há Judeus que extrapolam? E quanto ao
uso de drogas ilícitas, o que sabemos? A resposta é que sabemos muito! Judeus não
são imunes ao mundo que os circunda. Há sim Judeus (e muitos) que são dependentes
químicos - tanto de drogas lícitas como álcool, remédios para dormir (Dormonid,
Rivotril ...)(*),
tranqüilizantes (Lexotan, Lorax, Valium, ...)(*) assim como drogas ilícitas como a maconha, cocaína,
merla, crack e outros.
A culpa e a vergonha de ser Judeu e adicto ("viciado")
impede muitos de buscar ajuda. Mas a dependência química não discrimina e ataca
Judeus da mesma forma que não Judeus.
O que nós, Judeus, temos muito mais que outros povos é um
fenômeno chamado negação - uma força interior que inicialmente nos impede de
ver a realidade. No caso do usuário de drogas a negação vem quase sempre com uma frase:
"eu não sou viciado. Eu paro quando eu quiser." Infelizmente esta é uma
crença sem base na realidade uma vez que o usuário abusador não consegue parar
de usar sem ajuda externa. A doença da adicção é duplamente ruim, pois ela convence o
doente que ele está são!
No lado dos familiares a negação começa com "não
enxergar" (nós não vemos o que todos a nosso redor já vêem, o envolvimento de
alguém de nosso meio com abuso de substâncias químicas). A negação prossegue com o
segundo estágio, ainda mais perigoso. No segundo estágio nós já sabemos que o problema
existe, mas nós fazemos de tudo para esconder sua existência. Este estágio é o que o
Dr. Benzion Twerski chama de "síndrome do shiduch" - escondemos a existência
de um filho dependente químico para evitar "atrapalhar as chances de casamento"
dos seus irmãos ou para evitar sermos discriminados socialmente. Infelizmente as
estatísticas mostram dois fatos muito tristes:
1. Nos USA os Judeus são o grupo étnico que mais demora a buscar
ajuda para seus dependentes químicos
2. Em função desta demora, entre Judeus há menor percentual de
recuperação!
Aqui no Brasil temos conhecimento de mortes de
Judeus por overdose. Diversos casos de mortes em acidentes sob influência de drogas e/ou
álcool. Muitas famílias desestruturadas, vivendo com tensão permanente e até com medo
um do outro. Existem recursos, os recursos são gratuitos e estão disponíveis a toda
hora. Basta querer sair deste rodamoinho que traga as famílias, seus recursos
emocionais e econômicos.
O grande grupo de risco são os Jovens a partir dos 12 anos,
mas com mais ênfase a partir dos 14. Esta é geralmente a idade de início de contacto
com as drogas. A faixa de risco de entrada no mundo das drogas vai até a faculdade e cabe
aos amigos e aos pais um papel importante de dissuasão - mas é necessário que se
aprenda como fazê-lo. Nada adianta dizer que a droga é ruim - isto não é verdade pois
ninguém se entrega a algo que não seja prazeroso. O início se dá por pressão do grupo
social (amigos), por depressão de adolescência (a droga suspende os momentos de
angústia, de sensação de inadequação ou de euforia em excesso) ou ainda por
curiosidade. A entrada nas drogas é muito mais fácil que sair delas - e isto é difícil
de explicar aos jovens. Mas muitos que lá chegaram querem sair e para ajuda-los existe o
JACS.
Em 1979 nasceu nos USA um movimento chamado JACS,
já presente no Brasil. É um grupo de mútuo-ajuda que se dedica a encorajar Judeus
alcoólicos, dependentes químicos bem como seus familiares, seus amigos e parceiros a
buscar a recuperação num ambiente Judaico acolhedor. O JACS estimula os Judeus em
recuperação e seus familiares a se conectarem, explorarem suas raízes e descobrir
recursos dentro do Judaísmo para ajudar sua recuperação. O JACS não se alia a nenhuma
forma específica de prática Judaica, englobando absolutamente todas as correntes do
pensamento Judaico. Nós sabemos que adicção (a drogas ou álcool) é doença física, mental e
espiritual - uma doença que pode ser tratada com sucesso com ajuda correta e com
informação. Nós sabemos porque
aconteceu conosco e o JACS ajudou nossa recuperação.
Se você tem este problema (consigo mesmo ou com
alguém a quem você ama), nós lhe pedimos que você se dê uma chance. Venha a seis
reuniões (uma por semana) e depois faça sua opção. O JACS quer lhe ajudar! No Brasil o
JACS usa os métodos de AA e NA para os adictos em recuperação e os métodos de
Amor-Exigente para os familiares. As reuniões são gratuitas e sigilosas. Acontecem todas
as terças feira às 20:00 (pontual) na Av. Angélica, 579 em S. Paulo. Se você quiser um
contacto antes, escreva para nosso e-mail: chegadedrogas@email.com
ou ligue para 3662-1922 (é melhor enviar e-mail).
(*) É claro
que há casos de necessidade clinica dos medicamentos citados, mas na comunidade Judaica o
número de adultos viciados é marcante (principalmente maiores de 50 anos). |