Adicção Também É Uma Doença da Família
Adicção é uma doença familiar. Esta doença
afeta emocionalmente e fisicamente o adicto e afeta também dramaticamente as relações
com as pessoas que têm envolvimento com o adicto. O amigo ou o famíliar, se preocupa
tanto com esta pessoa que são facilmente envolvidos na loucura de seu comportamento.
Começamos a centrar toda a nossa atenção no adicto e fazer tentativas de controlar e
corrigir a vida dele ou dela. Esta é nossa forma da doença (doença
da família).
Nosso comportamento, apesar de bem intencionado,
torna-se tão louco quanto o do adicto. Nós começamos a procurar evidências de uso e a
nos concentrar nas coisas nós pensamos poder fazer para conseguir que eles deixem de
usar. Nos comportamos: jogando as drogas na privada, destruindo os instrumentos de uso,
importunando, brigando, reclamando, discutindo e negociando - tudo sem resultado. Todo
nosso esforço e raciocínio é dirigido para o que o viciado está fazendo ou deixando de
fazer. Esta é nossa obsessão.
Ver um outro ser humano se matar com cocaína,
álcool ou outra droga é doloroso. O viciado gasta altas somas de dinheiro aparentemente
desinteressado sobre suas contas, seu trabalho, sua família , ou a condição de sua
própria saúde. Além disso, a possibilidade de prisão, a violência potencial dos
traficantes de droga e o comportamento irracional do adicto (devido à paranóia
deles/delas), atormenta as pessoas que os cercam.
Nós começamos a preocupar. Nós arrumamos tudo:
dando desculpas, pagando as contas e dívidas deles/delas, falando mentiras para encobrir
o comportamento do adicto e tentando reparar relações danificadas. Aí então nós nos
preocupamos um pouco mais. Esta é nossa ansiedade.
Com o tempo, a situação e o comportamento do adicto nos
deixam bravos. Ficar constantemente encobrindo-os, aguentar repetidamente situações
embaraçosas, e perceber que o viciado não está levando a sério suas responsabilidades
acaba nos afetando. Muitos de nós sentimos uma hostilidade constante e raiva contra nós
mesmos. Nós começamos a nos sentir usados e sem amor - e queremos reagir por causa da
dor e frustração causada pelo descontrolado abuso de droga . Nós às vezes perdemos
nossa paciência, fazendo ameaças vazias, nos agarramos no passado ou simplesmente
permanecemos desesperadamente silenciosos. Esta é nossa raiva.
Às vezes nós fingimos que tudo está OK, aceitando
promessas do adicto. Nós queremos acreditar que o problema foi-se embora cada vez que o
abuso de drogas pára temporariamente. Quando todo bom senso nos diz que há algo
definitivamente errado com as ações e atitudes do adicto, nós ainda nos escondemos de
nossos sentimentos e do que nós já sabemos. Esta é nossa negação.
Possivelmente o sentimento mais devastador que nós
experimentamos como resultado de viver com o adicto é o medo que não sejamos
suficientemente inteligentes ou bons para ter resolvido o problema para aquêle que nós
amamos. Nos sentimos de alguma maneira responsáveis de que poderia ter sido algo que nós
fizemos ou que deixamos de fazer. Este é nosso sentimento de culpa.
Ao alcançar um ponto de desespero emocional, nós vamos ao
grupo de mútuo-ajuda inicialmente buscando ajuda para o viciado. Nós queríamos alguém
para nos contar como resolver nosso problema porque sabíamos que já não pudíamos lidar
com isto sozinhos. Nos sentíamos aprisionados por responsabilidades, desamparados e
sózinhos. Ao mesmo tempo, alguns de nós até nos sentíamos cheio de razões e
arrogantes.
No grupo de apoio, nós nos damos conta dos
problemas e aprendemos que nossa maneira de raciocinar tem que mudar para começar a achar
soluções. No Grupo de Apoio, nós aprendemos a lidar com nossa obsessão, ansiedade,
raiva, negação e nosso sentimento de culpa. É através do companheirismo que nós
minoramos nosso desespero emocional compartilhando nossa experiência, força e
esperanças com os outros. Trabalhando os Doze Passos de recuperação, nós tentamos
mudar nossas atitudes, aprender sobre nossa responsabilidade para com nós mesmos,
descubrir sentimentos de auto-valorização, amor e crescemos espiritualmente. O enfoque
começa a mudar do adicto e se torna dirigido para nossas próprias vidas. |