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por Rabino Sany Sonnenreich – Começamos o ano com empolgação, com motivação sem imaginar que três meses depois estaríamos enfrentando a novela do Coronavírus, que vem deixando muitos apreensivos, ansiosos e desesperados demasiadamente. Todo cuidado preventivo deve ser tomado, conforme as recomendações de fontes seguras, principalmente aquelas oriundas do Ministério da Saúde. Reforçar os cuidados com limpeza das mãos, utilização de máscaras e, ainda, manter, conforme recomendado, distância adequada durante os cumprimentos formais, são cuidados essenciais para não ficarmos em pânico e muito menos em desespero.

De acordo com a Cabalá, pensamentos negativos podem criar e efetivamente materializar realidades negativas. Portanto, vamos abraçar a inteligência emocional, que é a chave do sucesso de uma pessoa. Meu artigo é para você pensar positivo e se previnir da forma correta e eficiente para esse teste e desafio. Partindo do ponto de que tudo vem de D´us, a vida também está constantemente nas mãos do Criador. E, por ser nosso presente mais valioso, precisamos cuidar muito de nossa saúde conforme a Torá descreve: “Cuidem muito de suas vidas”.

Essa mesma Torá é o nosso manual de vida e, como o seu próprio nome já diz, ela é a nossa orientação (horaá). Não é de agora que Ela nos protegeu de inúmeros males.

Em 1.350, por exemplo, a Europa foi atormentada por uma doença devastadora e altamente mortal chamada de “peste bubónica”, também conhecida como a “peste negra”. As pessoas comuns, as massas, tinham sua própria teoria de quem eram os verdadeiros culpados da peste negra: os judeus. Como em vários momentos da história da humanidade, o judeu, neste caso, seria o “bode expiatório”. As pessoas acusavam os israelitas de envenenarem os poços de água. As perseguições e assassinatos de judeus durante o período de 1348-1351 são impossíveis de descrever ou imaginar. Embora os judeus sempre fossem culpados por quaisquer problemas ou calamidades na Europa cristã à época, neste caso específico, havia uma razão adicional que alimentava essas falsas suspeitas: os judeus não eram afetados por essa doença como seus vizinhos não judeus.

Mas qual era o motivo? Na Europa medieval, a importância da higiene na prevenção de doenças não era conhecida. As ruas viviam sujas, com animais mortos, pulgas e piolhos que facilitavam a transmissão de doenças. As pessoas não tomavam banho regularmente como hoje em dia. Os judeus, no entanto, possuíam uma regra que é seguida há mais de dois mil anos: tomar banho em homenagem ao Shabat (sábado sagrado) Assim, nos tempos antigos, os judeus eram completamente higienizados pelo menos uma vez por semana. Algo absolutamente excepcional naqueles tempos.

Porém, além desse fato, o elemento-chave que impediu o contágio entre os judeus foi a higiene das mãos. A lei judaica afirma que a primeira coisa que a pessoa deve fazer todos os dias quando acorda pela manhã é lavar as mãos, mesmo antes de colocá-las no rosto, na boca ou nos olhos. De acordo com a tradição judaica, é obrigatório lavar as mãos antes de rezar. Isto acontece três vezes ao dia! Também é preciso lavar as mãos antes de comer pão ou qualquer alimento mergulhado em algum tempero líquido. Tenha em mente que naquela época você comia com as mãos (não havia garfos). A lei judaica também diz que é preciso lavar as mãos ao sair do banheiro. E isso, que parece normal para nós hoje, não era a prática das pessoas comuns na Europa medieval, pois a água corrente não era abundante.

A medicina moderna, graças a D”us, nos ajudou a encontrar o remédio para a peste negra e combater todos os tipos de doenças que antes eram mortais. Hoje, além disso, na maioria das casas do mundo, as medidas de higiene são muito mais frequentes e eficazes. No entanto, ainda assim, nesses momentos em que o mundo inteiro está assistindo horrorizado á proliferação rápida do coronavírus, é importante redobrar nossos esforços para manter as mãos limpas.

A sabedoria divina milenar já antecipou as prevenções para as doenças conforme está escrito na porção de Ki Tissá na Torá: “E lavarão suas mãos e seus pés e não morrerão”

Rabino Sany Sonnenreich é Diretor dos centros jovens Makom Jardins e Moema em São Paulo. Redes Socias: @byravsany

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