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Ao deixar o Brasil em direção à Israel, adquiri a biografia de Zózimo Barroso do Amaral, muito bem narrada e escrita por Joaquim Ferreira dos Santos. “Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança” é o título que recebeu.

zozimoQuase nunca faço recomendações de filmes, músicas, peças de teatro ou livros. Existem exceções. A acima citada, é uma destas e precisa ser lida. Quem quiser saber, conhecer, se familiarizar com o Rio de Janeiro dos anos 50 e seguintes, tempos em que educação, bom gosto e glamour não eram comprados em bancas de jornal nem adquiridos em função de contas bancárias rechonchudas, poderá ao desvendar este verdadeiro testemunhal, passear pelas mais variadas e chiques casas noturnas da cidade, entrar em contato com as histórias e estórias que embalavam a sociedade carioca da época, encontrar os nomes e sobrenomes das verdadeiras locomotivas que faziam a diferença na Cidade Maravilhosa e, como bônus, entender como se fazia colunismo político, social e engraçado para ninguém colocar defeito.

Zózimo Barroso do Amaral o homenageado por Joaquim e agora por nós, por algum tempo foi um judeu convertido. A paixão por sua primeira mulher, Márcia Kupermam, levou-o ao judaísmo, exigência dos pais da noiva para aceitar o casamento dele com a filha.

Nossa experiência com Zózimo foi formidável. Em maio de 1984, em recepção organizada e comandada por mim, a Federação Israelita do Rio de Janeiro recebeu na sede da Hebraica-Rio, o então Presidente da República em exercício, Aureliano Chaves, em encontro com cerca de cinco mil pessoas. Um dos presentes na plateia foi exatamente Zózimo Barroso do Amaral.

Choveram perguntas ao Presidente depois do pronunciamento que fez e o tempo era curto para tantas respostas.

Eis que Zózimo se levanta no meio do público e oferece uma saída sensacional.

Publicaria, dia a dia, na coluna que levava o nome dele, ZÓZIMO, no Caderno B do Jornal do Brasil, o que foi feito por cerca de 30 dias seguidos, as respostas de Aureliano enviadas para a Fierj que teria a obrigação de repassá-las ao colunista, imediatamente. Assim foi. Por um mês, Zózimo publicou no JB as respostas do presidente ao público que tão bem o acolheu naquela memorável noite em que os judeus do Rio de Janeiro reafirmaram a condição que ostentam de cidadãos brasileiros preocupados com o país.

A vida de Zózimo Barroso do Amaral foi uma ode à amizade que manteve até os últimos dias com Ricardo Amaral, Paulo Marinho, Élio Gaspari, Alvaro Americano e muitos outros companheiros de jornalismo, boemia e causos dos mais variados. Foi também um poema endereçado ao glamour, à boa educação, à boa mesa, aos bons uísques, aos bons vinhos e sem nenhuma dúvida, à champanha, sem a qual não haveria salvação para este mundo danado.

Zózimo também foi um amante eterno das mulheres bonitas, da elegância masculina e feminina, assim como foi também um homem poderoso e ao mesmo tempo tímido, mas dono de uma rapidez de raciocínio, de um senso crítico e de um humor ferino sem igual. Era avesso ao politicamente correto e fugia desta forma de encarar a vida.

Como pai, retrata Joaquim, foi sensacional. Rubro-negro de brigar em bares e nas arquibancadas do Maracanã, recebeu do filho único, Fernando, uma grande homenagem que foi a publicação escrita por ele, filho, da primeira biografia do pai.

Enfim, não quero e não saberia contar a história do Zózimo. Recomendo “ENQUANTO HOUVER CHAMPANHE, HÁ ESPERANÇA” de Joaquim Ferreira dos Santos, para aqueles que amam o Rio e querem conhecer quem soprava os apitos na sociedade, como se sacudia os lombos nas festas privadas e nos clubes noturnos da moda, como e quem se vestia bem, quem era chique e se frequentava, como se bebia com charme, como se vivia com elegância nesta cidade e de que forma se fazia jornalismo inteligente, bem humorado e verdadeiro neste Rio que hoje não é sequer uma sombra daquele que já foi e onde vivemos, no momento, sem quaisquer perspectivas de solução.

Vale a pena ler “ENQUANTO HOUVER CHAMPANHE, HÁ ESPERANÇA”. Não perca esta oportunidade. Boa leitura!