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Tudo estava pronto e todas as cartas na mesa. A situação atual em Israel é conhecida e divulgada na mídia, até em exagero. Na resenha da semana passada até escrevi que a seleção de futebol argentina viria a Israel disputar um amistoso contra a seleção israelense. A “partida da sorte” foi a pedido de Jorge, pai do Messi e dele próprio, para dar sorte à seleção alviceleste, como o foi em 1986. Aí com Maradona a caminho do Mundial no México, vieram jogar na Terra Santa de Israel e levaram a taça. Cristãos devotos, Messi e pai queriam repetir a dose.

Os empresários já tinham preparado tudo e marcaram o jogo para o moderno Estádio Sami Ofer, em Haifa. Aí veio a politicagem. A Ministra da Cultura e Esporte Miri Regev se apossou do evento, exigindo que o jogo fosse disputado em Jerusalém, e para tal até tirou do bolso 2,9 milhões de shekalim. Esta ministra, que é pomposa e já criou alguns escândalos, transformou um amistoso num ato político e ainda gabou-se que Messi é que vai lhe apertar a mão. Depois do cancelamento do jogo, ainda tentou dizer que o foi pelas ameaças contra o Messi.

O chanceler argentino, lhe esclareceu: ”Foi pela mudança da partida de Haifa para Jerusalém”. Até Netanyahu, de quem Regev lhe segura o véu da realeza, saiu contra sua ministra do Esporte, perguntando para que ela precisou se meter.

O esporte não deve ser misturado com política, mas o foi. Na véspera do jogo, que seria realizado amanhã (9), os jogadores argentinos, concentrados em Barcelona, enfrentaram protestos de cerca de 20 palestinos, que pintaram camisetas da seleção em vermelho, como se fossem manchadas de sangue.

O presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rajoub, ameaçou os argentinos, de que se jogassem contra Israel em Jerusalém, os países árabes (22) não votariam para que a Argentina sediasse o Mundial em 2030. Também advertiu que se jogassem, os árabes e muçulmanos em todo o mundo queimariam camisetas número 10 da seleção argentina. Isto fez o efeito desejado pelos palestinos. Os jogadores da seleção alviceleste e seus familiares passaram receber ameaças de morte.

Em 2015, o mesmo Jibril Rajoub tentou tirar a Federação de Futebol de Israel da FIFA e sempre anda na zona vermelha e fora dos limites. A pressão foi demais e na terça-feira (5), depois de muitos rumores, hesitações e mais pressões, o jogo foi cancelado, talvez adiado.

A classe política israelense, inclusive o próprio primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em visita a países europeus, tentou em vão cancelar a decisão que deixou os torcedores israelenses frustrados. De crianças a adultos ninguém se conformou com a quebra do sonho de ver Messi e Cia. jogar contra a seleção nacional. Talvez seria a primeira vez que os torcedores israelenses fossem ver e torcer a favor da seleção visitante.

A populista ministra Miri Regev encheu a boca com água, mas a noite já não aguentava. Partiu ao ataque. Disse que o cancelamento não é devido a Jerusalém e sim por ameaças aos jogadores e seus familiares. Comparou o terror palestino atual ao levado a efeito na Olimpíada em Munique (1972), onde palestinos assassinaram 11 atletas israelenses.

Não é o medo de vir a Israel e jogar em Jerusalém que impediu a vinda da seleção argentina – mesmo sem desprezar as ameaças palestinas – mas talvez mais o medo de perder patrocinadores. O Messi joga no Barcelona, time cujo principal patrocinador foi o Fundo Qatar. Ele também foi garoto propaganda de uma companhia aérea turca. Esses dois países foram dos mais ativos para cancelar o jogo. Se fosse medo, bastaria perguntar ao colega de equipe, o jogador espanhol Sergi Roberto, que na semana passada casou-se em Israel com a modelo israelense Coral Simanovich, ou aos jogadores argentinos em equipes israelenses. Eles lhe diriam que a vida continua normal e sem violências.

O cancelamento do jogo amistoso entre as seleções da Argentina e Israel é uma rendição ao terror. Teve projeção em Israel, bem acima das devidas proporções. Israel, que nem tem uma seleção que treina regularmente e há meses ainda não conseguiu achar o “the choicen” treinador, sente que levou uma goleada. Não da Argentina, mas dos palestinos e seus agentes na BDS. Estes, com terror e ameaças, rendem pessoas e organizações de boa vontade.

O que os palestinos ganharam com o cancelamento do amistoso? Sua vida vai ser melhor? Receberão melhor educação ou condições de vida da Hamas em Gaza ou da Autoridade Palestina na Cisjordânia? Não!!! Os palestinos continuarão a odiar, destruir, queimar, coisas que sabem fazer. Não farão nada de produtivo para evoluir, mas vão chorar e culpar todos, menos a si próprios.

A MARCHA DA PERDIÇÃO

Hoje (8) é a última sexta-feira do Ramadã, também proclamado pelo Irã o Dia de Al Quds (Jerusalém). A prova de que tudo é política e controlável está evidenciada no fato de que no dia 5 de junho – em 1967 nesse dia Israel venceu os exércitos do Egito, Jordânia e Síria, dia que os palestinos chamam de Naksa – queriam fazer uma mega manifestação e, pelo empenho de poucos, a Hamas decidiu adia-la para hoje. Já ontem, a Força Aérea de Israel lançou panfletos na Faixa de Gaza advertindo os moradores de não se aproximarem da cerca que limita a fronteira com Israel. O EDI concentra grande quantidade de soldados na fronteira para não deixar ninguém invadir o território israelense.

Até ontem, Israel vem enfrentando a arma primitiva usada pelos palestinos. Cerca de 650 pipas incendiárias foram lançadas contra as lavouras do lado israelense. Mais de 400 abatidas por minúsculos aviões não tripulados, manipuladas por controle remoto. Ainda assim, grandes áreas cultivadas com trigo, capim e outros produtos agrícolas pegam fogo e se alastram rapidamente.

Nada de novo sob o céu. Já em maio de 1936, o poeta Natan Alterman escreveu um poema sobre o árduo trabalho dos agricultores judeus e que depois suas terras são incendiadas por vândalos árabes. Em 1936, não existia o Estado de Israel, nem o problema de refugiados ou de Jerusalém. Uns sabem construir e progredir e outros destruir e arruinar.

Até o momento que escrevo, ainda não há manifestações, mas pela atmosfera que a Hamas criou nos últimos dias, de que as manifestações são um carnaval, pressupõe-se que depois da saída das mesquitas, a multidão irá às cercas. Afinal de contas, a Hamas está comprometida com o Irã, que a financia e lhe deve. O Irã enviou 500 dólares a cada família de “shahid” (mártir). Para onde levam estas marchas? À violência, feridos e mortos desnecessários e à perdição.

CURTAS

COMENTARISTA SAUDITA CLAMA FAZER A PAZ COM ISRAEL. O escritor e comentarista saudita Abd Al Hamid al Hakim chama para fazer a paz com Israel e arrancar o ódio do mundo árabe contra os judeus. Ele até congratulou Israel pelo seu 70º aniversário. Clamou para reconhecer a ligação histórica do povo de Israel com Jerusalém, que está provado nos escritos sagrados, e para abrir embaixadas nas capitais, Riad e Jerusalém. Ele também lembrou: ”Quem é que está do nosso lado enfrentando o Irã? Não são os países árabes e claro que não a Turquia. É Israel. Jerusalém é sagrada aos judeus e é melhor que eles a governem, pois permitem liberdade religiosa e os muçulmanos podem rezar na mesquita de Al Aksa.” (Mais de 150.000 crentes lá rezaram hoje)

GENERAL MASOUD JAZAYERI, conselheiro do Chefe do Estado Maior do Exército do Irã, negou (3) que seu país retirará suas forças da Síria. “Irã e Síria têm ótimas relações e nada as abalará… aguardamos o dia em que a Síria e outros países da região se livrarão da presença intrigante de forças estrangeiras”, referência a forças americanas, russas, turcas e de Israel, que segundo ele e seu regime não tem direito à existência.
Sua declaração contraria uma entrevista do presidente sírio Assad na semana passada, de que não há forças iranianas no seu país.

CRISTÃOS E PALESTINOS. Arafat gabava-se de ser o guardião dos lugares santos dos muçulmanos e dos cristãos e assim o copia seu sucessor, Mahmoud Abbas. Com isso, também apontavam para o inimigo, Israel. Só há um problema. Em todo o mundo islâmico, os cristãos são perseguidos: os Coptas no Egito, Maronitas no Líbano, os Grego-Ortodoxos ou os Armênios cristãos massacrados pelos turcos no século passado. O número dos cristãos em todas as áreas muçulmanas está baixando. Um recente censo compara o número dos cristãos nos territórios ocupados pelos palestinos do passado ao atual. Na cidade natal de Jesus, Beth Lehem (Belém), sob a ocupação da Jordânia, em 1950, 86% da população era cristã. Segundo a prefeita Vera Baboun, em 2016 a população cristã já havia caído para 12%, devido à perseguição dos cristãos pela população muçulmana. Na Cisjordânia, nos anos 70’ do século passado, 5% da população era cristã. Atualmente, sob o governo da Autoridade Palestina, caiu para menos da metade, apenas 2%. Em Gaza, sob o regime da Hamas, os cristãos estão saindo em massa. Dos 5.000 em 2006 (quando a Hamas subiu ao poder), restaram apenas 1.000 cristãos nesta região. Em Israel vivem 165.000 cristãos (2% da população), aumento de 5.000 nos últimos 20 anos.

TREINAMENTO MILITAR CONJUNTO. As Marinhas de Israel, do Brasil, Vietnã e Sri Lanka, foram convidadas pela primeira vez a tomar parte de um grande exercício naval nas costas do Havaí. A marinha dos EUA coordena o exercício composto por 26 nações, com 47 navios de guerra, 5 submarinos e forças terrestres de 18 países, mais de 200 aviões de combate, num total de 25.000 militares. O treinamento RIMPAC é bianual e será do dia 27 de junho a 2 de agosto.

A OTAN INICIOU O EXERCÍCIO SABER STRIKE, com militares de 19 países, num total de 18.000 soldados. Pela primeira vez Israel, que não é membro da Otan, faz parte do exercício com uma companhia de paraquedistas. O objetivo do treinamento é melhorar a mútua cooperação entre os exércitos participantes. Israel tem representação oficial junto à OTAN, em Bruxelas, desde 2016.

O POVO DO LIVRO LÊ. Em todo Israel, iniciou-se nesta quarta-feira (6) a Semana do Livro. Festa para toda a família entrar nas livrarias ou nas feiras e comprar livros e sabedoria. Segundo a Biblioteca Nacional, em 2017 foram publicados no país 7.692 livros, 89,5% em hebraico, 5% em inglês e 3% em árabe. 84% são de autores israelenses e dos traduzidos 60% são do inglês. Foram publicados 230 livros digitais. Se em 1948 só 13% eram escritoras, atualmente elas são 42%. Israel é o 2º país do mundo que mais lê per capita.

ARTISTAS ISRAELENSES NO BROADWAY. A atriz e cantora israelense Shiri Maymon foi escolhida para interpretar a Roxie Hart, atriz principal no musical Chicago, no Teatro Ambassador. O ator Sasson Gabay também teve a honra de ser escolhido para interpretar o maestro na peça “A Visita da Orquestra”, que já corre há tempos no Broadway. Sasson foi o ator no filme escrito e dirigido por Eran Kolirin, premiado em 2007. É uma comedia sobre a vinda a Israel da Orquestra da Polícia de Alexandria e uma série de mal entendidos cômicos.

A FILARMÔNICA DE FILADÉLFIA DEU CONCERTOS EM HAIFA, TEL AVIV E JERUSALÉM. Após 26 anos, a orquestra se apresentou com sucesso, sob a batuta do maestro Yannik Nézet Séguin e os pianistas Helen Grimo e Jean Yves Thibaudent. Na semana que vem (13), o famoso tenor Jose Carreras dará um recital com a Orquestra Sinfônica de Jerusalém. Parece que há lugar na Capital para Universidade, Estádio de futebol e Teatro para Música e eventos culturais. Ah, sim, é em Yerushalaim a sede do governo de Israel e tudo bem. Coexistência.

TURISTAS EUROPEUS INVADEM EILAT. A cidade mais ao sul de Israel, às margens do Mar Vermelho, tem verão constante. É verdade que agora se faz a contabilidade do turismo no inverno, mas em Eilat sempre o sol raia e a temperatura dificilmente cai para menos de 20º de dia. A temperatura do mar é constantemente fria, mas com vida submarina fascinante. Um novo aeroporto está sendo construído e começará funcionar em setembro deste ano. No inverno (que vai de dezembro a março), desembarcaram no aeroporto de Ovda (próximo a Eilat) 146 mil turistas em 50 vôos semanais, o dobro do ano anterior. Cada vez tem mais companhias aéreas que pedem para voar direto para Eilat. Fugiram do rigoroso inverno europeu poloneses, em 12 vôos semanais, alemães, em 10 vôos semanais e da Rússia, em 17 vôos semanais. Além de curtirem Eilat, os turistas podem fazer passeios no deserto, visitar outras partes de Israel e até mesmo a vizinha Petra na Jordânia.

Revisão: Gabor P. Nagy

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