A Unesco e os judeus

A Unesco e os judeus

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por Zevi Ghivelder – No que toca ao Túmulo dos Patriarcas, o insulto a Israel passa dos limites do Oriente Médio e se estende aos seis milhões de judeus espalhados por todos os continentes.

Os casais Adão e Eva, Abraão e Sara, Jacó e Lea, Isaac e Rebeca acabam de ser despertados de seus sonos bíblicos e eternos no Túmulo dos Patriarcas, na cidade de Hebron, no sudoeste da Cisjordânia. Ocorre que, dias atrás, a Unesco, reunida na Polônia, aprovou uma resolução segundo a qual o Túmulo dos Patriarcas, local de tradicional devoção histórica e religiosa judaica, foi acrescido de um rótulo: agora é uma herança cultural mundial com paternidade palestina.

É natural, e até mesmo obrigatório, que os inimigos de Israel o fustiguem em todos os foros internacionais possíveis. As Nações Unidas administram importantes e executivas agências internacionais, como as da Saúde e do Comércio. Já a Unesco, que trata de assuntos culturais e afins, é mais light e atrai menos holofotes. Por isso mesmo, no ano passado, a Unesco decidiu que Israel não tinha soberania sobre Jerusalém. Ou seja, a capital dos reinados de Davi e de Salomão era uma cidade bastarda. Em seguida, aprovou outra resolução patética afirmando que Israel também não tinha soberania sobre o Muro das Lamentações ou Muro Ocidental. É como se alguém se atrevesse a dizer que os muçulmanos não têm soberania sobre Meca e Medina.

Desta vez, porém, no que toca ao Túmulo dos Patriarcas, o insulto a Israel e seus oito milhões de habitantes passa dos limites do Oriente Médio e se estende aos seis milhões de judeus espalhados por todos os continentes que, mesmo distantes, têm naquele local um foco de devoção. Quando um povo inteiro é alvo desse tipo de agressão, oficializada por uma entidade internacional, é hora de o mundo civilizado conscientizar-se de que também pode estar correndo perigo.

É lamentável que um organismo como a Unesco, que já foi de excelência, perca a sua credibilidade por causa de gritantes implicações políticas. Nas duas resoluções anteriores contra Israel, a votação na Unesco foi aberta. Desta vez, como se estivesse envergonhada de si mesma, a entidade adotou o voto secreto. Assim, ficaremos sem saber quais países se dispuseram a endossar uma distorção histórica de tamanha magnitude. A par disso, as localidades mundo afora que contenham localidades, construções ou ruínas passíveis de serem consideradas patrimônios naturais ou culturais da humanidade ficam sujeitas às conveniências de eventuais politizações.

Zevi Ghivelder é jornalista
Artigo originalmente publicado em O Globo