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A partir de um cenário judaico, autor coloca em perspectiva a história da relação entre o homem, a ciência e as tradições religiosas.

prSem chavões conservadores ou preceitos já estabelecidos, o livro A verdade lançada ao solo aborda temas complexos com habilidade. Para questionar o lugar do homem, Paulo Rosenbaum parte de suas raízes judaicas e concebe um romance que articula história e filosofia. Dividido em três partes, os acontecimentos narrados, se entrelaçam por uma relação contextual, que têm como pano de fundo a busca humana pelo saber. Em cada parte, que acontece em séculos e situações diferentes, o enredo é costurado sempre com o foco no papel do homem em suas relações com a cultura e valores éticos.

Na primeira parte, somos introduzidos ao rabino filósofo Zult Talb que conduzirá o leitor à imersão nos milenares costumes da tradição judaica. “ – O Criador se recolheu (lembram-se do tzimtzum, da contração divina?) e criou espaço no universo para que pudéssemos viver. Ele se retraiu para que pudéssemos achar um pouco do caminho de volta. O que vamos usar? Ora, o que temos. E o que temos? Um mapa, o mapa de Torá. O livro de Moisés, suas leis e mitzvot. Ações, lembrem, sempre foram a base de tudo.”(Fala do rabino).

O protagonista Zult não é um sacerdote comum. Ele é a voz que insiste em preservar a essência: o homem pode voltar a ter intimidade com sua alma? Só o estudo, embora vital, talvez não seja suficiente, ensina o filósofo. É preciso experimentar. Zult Talb calcula que, se não for possível preservar as instruções que levam à essa conexão, quem sabe envia-las ao futuro?

Na segunda parte, Rosenbaum nos apresenta os personagens Yan e Sibelius, amigos que acabam presos na neve depois de uma trágica avalanche. Sem comunicação com o mundo, e em situação de perigo, médico e paciente, respectivamente, tentam sobreviver em um abrigo precário. Ali se conhecem de fato. Diálogos sobre morte, política e o sentido da vida acontecem numa situação limite.

O personagem Yan, que reaparece na terceira e última parte, é um descendente de Zult. Psiquiatra, cético e desiludido, afastado de qualquer tradição religiosa ou espiritual, Yan é surpreendido por uma intensa experiência. Durante um plantão médico, um paciente afirma ser o portador de uma mensagem do passado, que precisa ser esclarecida. O caso é estranho e urgente, vida ou morte.

O suspense está colocado e cabe a Yan o trabalho de investigar o mistério. A verdade lançada ao solo questiona mais que responde. É um livro singular que oferece ao leitor uma oportunidade para a descoberta de um mundo ignorado. “Qual o significado das tradições religiosas? Como a morte, os mortos e suas memórias entram em nossas vidas? A experiência mística é um estado transmissível? O que é ser justo?”

De forma natural e com originalidade o autor mostra uma cultura em seu contexto e coloca uma ousada e radical experiência bem ao alcance do leitor.

Paulo Rosenbaum é médico, doutor em ciências (USP), poeta e escritor. Roteirista e produtor de documentários foi também editor de revistas científicas no campo da saúde. Com mais de dez livros publicados (medicina e poesia), este é seu primeiro romance.

Ficha Técnica
Editora: Record
Páginas: 588 páginas + 8 de encarte
Preço: R$ 69,90
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 978-85-01-09161-1

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