Um enterro digno para um judeu abandonado

Um enterro digno para um judeu abandonado

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via Chevra Kadisha – Corpo abandonado na Santa Casa recebe sepultamento digno Chevra cumpre a missão religiosa de garantir a todos os judeus o tratamento igualitário.

enterro-judaicoApós um ano e meio, a Chevra obteve o direito de recolher do hospital universitário da Santa Casa o corpo de um judeu, que seria utilizado como objeto de estudo, e proverlhe um sepultamento digno. Na cultura judaica, enterrar os mortos é uma obrigação religiosa e os ritos que a acompanham são dedicados à honra e à lembrança daquele que se foi. O Izkor, inclusive, vem de Zakhor – determinação que permeia o judaísmo e que explica a força e o papel da memória na vida judaica. Ao saber do corpo “abandonado”, a Chevra deu entrada no processo jurídico, assumindo todas as despesas. “Resgatar um corpo e enterrá-lo dentro da tradição é, além de um dever institucional, o resgate da identidade e da dignidade daquele que se foi”, afi rma Marco Gandelman, diretor da entidade.

ACASO – O triste fi m de Silvio Fichman z’l, aos 57 anos, foi descoberto por acaso. Um pequeno anúncio num jornal paulista chamou a atenção de uma senhora judia: nele, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo comunicava o interesse em doar para a sua Faculdade de Medicina o corpo do sr. Fichman, morto após período de internação, uma vez que já havia se passado certo tempo sem que ninguém reclamasse por ele. Suspeitando pelo nome que tratava-se de um judeu, a senhora procurou a Chevra. Ao tomar conhecimento, a entidade entrou em contato com o hospital e, em paralelo, buscou confi rmar a origem judaica de Fichman. Logo descobriu que seus pais estão enterrados no Butantã.

Começava então uma longa jornada até amanhã ensolarada do último dia 4 de agosto, quando, após liminar concedida pela Justiça, o corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Embu. “Pudemos realizar todo o processo de lavagem e purifi cação, pois, desde o início da ação, a Santa Casa colaborou, conservando o corpo devidamente”, disse Abrão Zweiman, coordenador dos serviços religiosos da Chevra. O enterro foi acompanhado pelo rabino Shie Pasternak, os vice-presidentes da Chevra Mauro Zaitz e Jayme Melsohn e outros voluntários. O ineditismo do caso teve repercussão no exterior, sendo destaque no site “The Yeshivá World News” (www.theyeshivaworld.com), de Nova York.