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Ten. Cel. Benevenuto recebe livro e filme ESTRELA DE DAVID NO CRUZEIRO DO SUL com o Cel. Med. R/R FAB Dr. Max Feldman e o autor Israel Blajberg.

Há muitos anos, um jovem ingressou na Escola de Formação de Oficiais da PM – EsFO. Ainda cadete, sonhava um dia vestir a farda negra do BOPE, algo que poucos conseguem realizar. Na Declaração de Aspirante, os pais e familiares entre eufóricos e apreensivos: seu filho, um Oficial da Centenária Corporação – será uma vida inteira dedicada a defesa da Sociedade.

O tempo passou. Agora Tenente, envergando a gloriosa farda azul. Começou a aventura da Vida. Foi galgando seus Caminhos. Surpresas. Grandes Alegrias. Algumas tristezas. Ajudou. Combateu. Salvou. Mas o destino haveria de amplificar o seu desejo secreto. O garoto não só veio a se tornar o Caveira 131, mas também chegou a Comandante desta tropa singular, até o dia de hoje, quando o já agora Tenente-Coronel PMERJ ALEX BENEVENUTO passou o comando ao seu colega Caveira 164 Ten Cel PMERJ Maurilio Nunes.

Ao adentrar o aquartelamento no alto do morro em Laranjeiras, uma edificação que deveria ter sido um hotel, cuja obra paralisada foi adjudicada ao BOPE, admirando a magnifica vista da Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, nos vem a lembrança o profundo capital simbólico da corporação, instituida no distante 13 de maio de 1809, quando o Príncipe Regente Dom João VI criou a Guarda Real de Polícia da Corte, no dia do seu próprio aniversário. Do alto do morro é como se a aura de uma fortaleza proteja nossa cidade.

Nossa viatura vence lentamente o aclive, desembarcamos. Pelas escadas que levam ao Gabinete do Comando, cruzamos com homens e mulheres de farda azul, jovens que nos saudam, indo ou vindo de suas rotinas agitadas, missões quase sempre difíceis e arriscadas … a viatura ligeira, sirenes e faróis ligados, arma na mão, a luta sem trégua em defesa da Sociedade, onde às vezes lamentavelmente um bravo cai. A profissão exige do Policial Militar a perseverança, fé e determinação.

Hoje teria sido um dia alegre, como são as passagens de comando. Entretanto, lamentavelmente, às primeiras horas da manhã, mais um bravo partiu. O piloto ainda tentou tirar da máquina uma última reação, conseguindo com pericia que o helicóptero se abatesse sobre a água, evitando uma tragedia maior. Infelizmente, mais uma vez um policial se sacrificava, pela sociedade a quem jurou defender, se necessário com o sacrificio supremo.

Mas é preciso prosseguir. A cerimonia de passagem de comando reflete o preparo da tropa, a postura, os uniformes, ainda que nem sempre a sociedade saiba reconhecer seu valor. A cerimonia é singela mas significativa. As palavras do Governador enchem de ânimo a todos, a certeza de que uma nova era se descortina. A Banda de Música executa o Hino do BOPE:

Lealdade, destemor, integridade
Serão os primeiros lemas

O Ten Cel BENEVENUTO se despede indo assumir uma importante comissão na esfera federal, em Brasilia. Ele é um dos nossos, como bem frisou em suas palavras de despedida, quando agradeceu “Ao Deus de Abrão, Isaac e Jacó, e Deus de Israel”!

Ao irmão de fé, e irmão de farda de muitos dos nossos, desejamos que haja sempre uma benção especial sobre o alimento da sua tropa, e ao longo dos caminhos dos bravos combatentes da PMERJ, anjos os protejam e acompanhem. Assim como sobre a tenda de Sara, mulher de Abraão, que uma nuvem protetora lhes traga a proteção divina, e paire sobre os combates diuturnamente travados em defesa da sociedade.

Porque as vezes é preciso um supremo esforço para que uma missão seja cumprida, uma vida seja salva, a sociedade seja defendida. Os Policiais não escolhem o serviço, não esperam reconhecimento, entretanto, D_us sabe os seus nomes.

O Talmud ensina que, a qualquer tempo, existem sempre 33 Justos sobre a face da Terra, que garantem perante o Grande Arquiteto do Universo, a continuidade da Humanidade. Um pode ser um Professor dedicado, outro um Médico caridoso, outro, um Policial Desconhecido.

CAVEIRA!

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