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O ódio aos judeus continua e o antissemitismo ressurge com força.

Na mesma Europa do Holocausto e agora nas Américas e noutras partes. Um amigo nosso dizia que o antissemitismo é como a poeira: em tempos de calmaria fica assentado, mas com ventos favoráveis se levanta. Não há um aspirador para removê-lo, como se faz com a poeira.

Nas Jornadas para Ensino do Holocausto, da B’nai B’rith, aqui no Rio de Janeiro, um professor, que também fez um desenho animado sobre o tema, “O Poder do Esclarecimento”, que se pode pegar no YouTube, (vale baixar: leva 1 hora e pouco e cabe num CD), esse professor fez também uma pesquisa na Internet, o lugar de pesquisa principal. Colocando o nome Hitler, há 108 milhões referências. Colocando Holocausto, há 7 milhões e 800 mil referências. O professor pesquisou as revistas que falam da Segunda Guerra. Todas apresentam a imagem de Hitler, ou a suástica, ou ambos. O menino passa pela banca de jornal e vê, diariamente, essas imagens. Aí se forma a ideia. A imensa maioria não sabe o que é um judeu. Mas já houve um menino que retrucou, que só se fala mal de Hitler, mas que ele também fez coisas boas. Não, não fez coisas boas.

Observamos, também, associação com a escravidão, assunto de perseguição e maus tratos, mas não de extermínio, pois era preciso da mão de obra, uma mancha negra da história, sem dúvida. Mas o Holocausto foi um acontecimento único na história da humanidade. O ódio ao judeu, o antissemitismo está embutido nas consciências e subconsciências, dada a propaganda que se faz. Sem conhecimento, se odeia porque se propaga esse ódio.

É preciso um combate árduo contra esse preconceito. Ensinar, mostrar o que foi e o que significa. Um povo pequeno, que se divulga ser o dono do mundo, explorando o ódio, mostra o absurdo que tal colocação pode ter, e de fato tem. Foi a razão que levou o professor a realizar o filme, para mostrar, no depoimento de um sobrevivente (Alexander Laks, já falecido, ah), que fez os meninos mudarem. Bem, pelo menos é o que diz o professor, porque continuando a propaganda nefasta, pode tudo ser perdido.

Essa é a solução: esclarecer. Mas quem o fará? Estamos tentando faze-lo. O professor é um exemplo. Esperamos muito mais professores dedicados ao esclarecimento. Tudo pode ter solução, mas é preciso determinação, fazendo o mesmo. Outros fizeram de forma diferente. Mas fizeram. Usaram o Diário de Anne Frank, por exemplo.

Esse Diário pode ter um significado importante para o nosso lado, aqui. Mas no Japão, onde foi muito vendido (atrás apenas do número de vendas nos Estados Unidos), o interesse pelo livro é sobre a vida de uma menina e sobre as agruras da guerra, pois, ao lado do sentimento de culpa dos japoneses, existe a dor dos problemas pelos quais passaram com a guerra, e as meninas japonesas se vêm na figura de Anne Frank, sem conhecer o problema do Holocausto e o problema do antissemitismo, pois no Japão, praticamente, não existem judeus.

Vamos trabalhar. Vamos esclarecer.

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