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As atrizes Simone Kalil e Beth Zalcman encenam divertida e emocionante peça teatral inspirada em suas avós,
uma cristã vinda do Líbano e a outra judia que veio do Egito.

Beth e Simone relembram suas origens de forma divertida. Foto: Guga Melgar/Divulgação
Beth e Simone relembram suas origens de forma divertida. Foto: Guga Melgar/Divulgação

Elas são duas senhoras, Marion é uma libanesa cristã maronita e Ester é uma egípcia judia. As duas chegaram ao Brasil quando adolescentes, uma delas casada e outra prestes a se casar. As duas estão preparando quibes para um velório. O quibe acabou e é preciso mais. Esse é o ambiente principal da comédia “Brimas”, que poderá ser vista a partir desta sexta-feira (26) até o dia 11 de setembro no Teatro J. Safra, na capital paulista. As atrizes Simone Kalil e Beth Zalcman encenam e também escreveram a montagem inspiradas em suas próprias avós, que imigraram para o Brasil do Líbano e do Egito no começo do século 20.

“Eu tinha muita vontade de falar da alegria, das conquistas do povo libanês”, afirma Kalil, complementando que Zalcman também tinha vontade de contar a história da avó dela. A união desses dois desejos resultou no texto e na montagem da peça. “Essas matriarcas são muito fortes, ficam impermeadas na história da família”, diz Kalil. As personagens, assim como suas inspiradoras da vida real, têm religiões diferentes, mas muitas semelhanças, como o estabelecimento de relações familiares fortes, o tato da comida e a alegria. “As semelhanças são infinitamente maiores do que as diferenças”, afirma Kalil.

O teatro começa com as duas atrizes servindo quibe para o público. Trata-se de um velório. “E nos velórios se come muito”, diz Kalil. Ela fala da simbologia do ato. “Dar comida é dar amor, dar acolhimento.” Mas o quibe acaba e Ester e Marion precisam preparar mais. Enquanto fazem o quitute, elas relembram as histórias das suas vidas, como a viagem de navio para o Brasil, com a recomendação vinda ainda da terra de origem: “Quando chegar no Brasil, ande sempre em linha reta e achará os ‘brimos’”, diz Simone. Da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, onde desembarcavam os imigrantes, andando em linha reta se chega ao mercado do Saara, local conhecido como de comércio de árabes e judeus.

Enquanto fazem os quibes, elas dão risadas, choram juntas, rezam pelos netos, contam fatos das famílias. Mas o espetáculo não é contação de histórias, elas encenam cada um dos momentos. Simone Kalil relata que escreveu o texto com Beth Zalcman inspirada em fatos reais. O único fato que não é verdadeiro é o encontro das duas avós, já que elas nunca se conheceram. O nome da peça, “Brimas”, é uma referência a como os árabes pronunciam a palavra “primo” ou “prima”, sem a pronúncia exata da letra p. É também uma lembrança das semelhanças entre os povos do Oriente Médio.

O espetáculo já esteve em cartaz no Rio de Janeiro. De acordo com Simone Kalil, ele atrai pessoas das comunidades judaica e árabe, mas também o público em geral, descendentes de imigrantes ou não. “No Brasil, somos todos imigrantes, e as pessoas se identificam mesmo não tendo relação direta com a imigração”, diz, recordando que a peça fala de família, comida e que todo mundo tem mãe, uma avó, ou tia para lembrar. A comédia tem direção de Luiz Antônio Rocha e circulou por várias cidades desde novembro do ano passado, quando estreou. A peça concorreu ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Texto.

Serviço:
Peça teatral “Brimas” (comédia)
De 26 de agosto a 11 de setembro de 2016
Teatro J. Safra
Rua José Kryss, 318 – Barra Funda – São Paulo – SP
Sextas 21h30, sábados 21h e domingos 19h
Ingressos: de R$ 30 a R$ 70
Vendas online: Compreingressos
Informações: (11) 2626-0243

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