por Herman Glanz – Algo de Podre na Noruega. Intolerância? Não, é antisemitismo mesmo.
Depois dos ataques terroristas na Noruega, mês passado, o embaixador norueguês em Israel, Svein Sevje, numa entrevista aos jornais, declarou que o terrorismo do Hamas contra Israel pode ser justificado, mas o ataque terrorista na Noruega, não. “Os noruegueses consideram que a ocupação é a causa do terror contra Israel.”
A intolerância não tem limites. Muito antes do que chamam de “ocupação” já havia ataques contra judeus em Israel, e até muito antes de existir o Estado de Israel, como o ataque em Tel Chai, no qual morreu Trumpeldor, em 1920; o massacre de Hebron, em 1929, e os ataques de 1936 a 1939. Nunca é demais lembrar que Karl Marx, que atacou violentamente os judeus, nos deu conta de existir maioria absoluta judaica em Jerusalém, ainda no século XIX, antes da maior presença dos muçulmanos, apesar de terem chegado como conquistadores muito antes do Século XIX.
Continuam falando em linhas de 1967, quando Israel entrou nos territórios ocupados pelos árabes em 1948. Isto mesmo – ocupados pelos árabes em 1948. As linhas de 1967 são as linhas do armistício de 1949, mas se se falasse em linhas de 1949, os árabes seriam os ocupantes, quando, na guerra que fizeram contra Israel, ocuparam Gaza, a Margem Ocidental, que tem esse nome porque a Jordânia a ocupou, e que fez com que o reino mudasse o nome de Transjordânia, como era a sua denominação, para Jordânia; também o Golã foi ocupado pela Síria, pois o Golã nunca pertenceu à Síria, mas agora virou “território ocupado”, numa evidente mentira que corre pela mídia intolerante.
Gaza ficou totalmente livre de judeus em 2005, tendo sido destruídas as sinagogas e instalações produtivas judias lá existentes, num evidente apartheid, que não figura na mídia intolerante; mas o Hamas, governo em Gaza, continua seu terror contra Israel, mesmo com Gaza totalmente desocupada, porque quer que Israel desapareça; não é “desocupação”, é destruição, que o embaixador norueguês demonstra aprovar desavergonhadamente. Até 1967 não se queria formar um Estado Palestino, mas somente acabar com Israel, e hoje continua o mesmo objetivo.
De que adianta falar que a Noruega tem um passado e um presente antissemita, sendo um dos países europeus mais antissemitas do momento? O governo norueguês se mostrou surpreso com recente pesquisa nas escolas de sua capital, Oslo, publicada no mês passado, com alunos da 8ª à 10ª série. 33% dos alunos judeus sofrem, regularmente, bullying nas escolas, o que significa que, em cada 3 incidentes de abusos verbais ou físicos, 1 é contra judeus, a cada mês. Em seguida temos os budistas, com 10%; outros, em geral, com 7%, e abusos contra muçulmanos não chegam a 5%. 51% dos alunos consideram a palavra “judeu” com sentido pejorativo. Dos quase 5 milhões de habitantes na Noruega, a comunidade judaica não passa de 800 pessoas, podendo chegar a 2000 com a visita de israelenses, mas que logo vão embora.
Mas não paramos aqui. O massacre perpetrado por Anders Breivik no acampamento da ilha Utoya para jovens do Partido dos Trabalhadores da Noruega, Partido no governo, tem um precedente nosso conhecido, o ataque terrorista numa escola de Maalot, Israel, quando terroristas palestinos, muçulmanos, tomaram a escola do 1º Grau e mataram, com armas automáticas, centenas de crianças. Todavia este precedente não é coincidência somente. Paradoxalmente, e não menos ironicamente, o massacre da ilha Utoya foi perpetrado por um Breivik, norueguês antimuçulmano, cristão e xenófobo, segundo ele mesmo afirma.
Esse acampamento na ilha Utoya é da Liga da Juventude dos Trabalhadores, do Partido dos Trabalhadores e uma das suas influentes personalidades é Lars Gule, o Secretário-Geral da Associação Humanista da Noruega, que foi líder da Liga da Juventude dos Trabalhadores na Universidade de Bergen, e terrorista da DFLP – Frente Democrática para a Libertação da Palestina. Defende a discriminação contra mulheres e gays por parte dos muçulmanos. Essa Frente Democrática para a Libertação da Palestina foi quem executou o massacre de Maalot.
Dois anos depois deste massacre de Maalot, Lars Gule foi enviado pela Frente para Israel, via Noruega, com explosivos nas capas de livros. É hoje um destacado líder da esquerda norueguesa. A Liga da Juventude dos Trabalhadores é uma fusão da Juventude Comunista e da Juventude Socialista. Anders Breivik se formou nessa cultura, pois seus pais são do Partido Socialista. Serão seus textos e declarações os verdadeiros pensamentos do terrorista ou são um disfarce? É possível que muita informação ainda vá aparecer.
O Ministro do Exterior norueguês, Gahre-Store, visitou o acampamento um dia antes do massacre terrorista e foi recebido com cartazes contra Israel, mas nunca se viu um cartaz contra o terrorismo. Gahre-Store pediu negociações com o grupo subsidiário da al-Kaida na Somália, conversou com Kaled Meshaal do Hamas e se pronunciou em favor dos talibãs. Ex-lider da Liga da Juventude dos Trabalhadores, tornando-se Ministro, teve papel influente nos Acordos de Oslo entre Israel e Arafat.
A ação de Anders Brevik é tida como um fato isolado, lamentável e sob quaisquer pontos de vista censurável e condenável, mas o que vai no acampamento de Utoya deve ser também censurável e condenado, sendo derivado da doutrinação governamental. Devemos condenar todo e qualquer ato de terrorismo contra civis inocentes, e não somente condenar um lado, condenando as vítimas, como fez o embaixador norueguês. Ninguém dançou nas ruas apoiando o massacre de Utoya como foi em Gaza no caso de Maalot; a esquerda toda condenou o terrorismo de Breivik, dito de direita, mas apóia o terrorismo do Hamas e do Fatah, porque contra o pequeno satã, Israel, e o grande satã, os EUA.
Anders Breivik, como esse Lars Gule, são fruto da podridão que reina na Noruega, quando se defende o terrorismo do fundamentalismo islâmico, contra Israel, como foi contra os Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, contra trens em Madri e contra o Metrô em Londres, e em tantos outros lugares. Quando se defende a violência contra algo que detestamos, quando se defende o terrorismo, ele pode se voltar, também, contra os próprios, pois hoje, o nazifascismo é tanto da direita como da esquerda e do fundamentalismo. Por ora, Breivik foi um ato isolado de um indivíduo e não política de grupos ou de governos como é o caso contra Israel e o Ocidente.