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A história do Brasil pela vertente da Cabalá

por Yacov Gerenstadt – No período de colonização do Brasil, grande parte dos colonizadores eram cristãos novos (judeus convertidos), que optaram por sair do seu país de origem, na esperança de fugir das garras da Santa Inquisição. Leia mais

Antonio Florentino, Anivalda Paticcié, Eid Teixeira, Bambino Costa, Alessandro Kiquio, Fernando Oliveira, Carlos H. Nehring, Elaine Freitas, Paulo Alexandre de Lima, Timóteo Diersmann Marino, Arthur Ferreira Jr. liked this post
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Uma praça brasileira no Festival de Locarno

Uma pequena praça brasileira, escondida na sombra de grandes edifícios, no Recife, se transformou no curta-metragem, Praça Walt Disney, que o casal de cineastas Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro trouxeram ao Festival de Locarno, com duração de 21 minutos, na competição da mostra paralela Leopardos do Amanhã. Leia mais

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Os refugiados judeus no Brasil

Livro analisa documentos oficiais emitidos entre 1933-1948 que visavam dificultar entrada de refugiados judeus no Brasil. Leia mais

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Abbas vem ao Brasil

Abbas viaja ao Brasil para inaugurar obras da embaixada palestina. Leia mais

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A paz mais distante

O Itamaraty anunciou no último dia 3 de dezembro, que o governo brasileiro reconheceu o Estado palestino nas fronteiras anteriores à guerra dos Seis Dias, em 1967. Leia mais

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Hospital Albert Einstein e governo brasileiro cooperam em ajuda ao Haiti

A criação de um centro de capacitação em reabilitação no Haiti é o primeiro projeto concreto no bojo do acordo de cooperação assinado em maio último pelo governo federal e a Confederação Israelita do Brasil (Conib) para levar programas de ajuda e capacitação a países em desenvolvimento. Leia mais

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Brasil e Irã – por Roberto Freire

Nos últimos dias, as agências de propaganda do governo têm noticiado como o “maior feito histórico de nossa diplomacia” um acordo que o Brasil assinou com o Irã, com a participação da Turquia, buscando “resolver o impasse” do programa nuclear iraniano, que tem sido desenvolvido com obstáculos às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, ligada a ONU.

O Brasil, à exceção do período ditatorial, sempre adotou uma postura não apenas claramente contrária à proliferação das armas nucleares, como a favor da desnuclearização e do desarmamento e da solução pacífica e negociada das controvérsias e conflitos internacionais, como obriga a Constituição. Além disso, repudiamos o terrorismo e o racismo e proclamamos a prevalência dos direitos humanos.

A ditadura teocrática iraniana – que tem usado a prisão, a tortura e o assassinato de opositores como prática comum – desenvolve, desde algum tempo, uma declarada política armamentista. Não só nega a existência do Holocausto como proclama objetivos belicistas e o desejo de destruir o Estado de Israel.

Nesse quadro é que vem acelerando esforços para enriquecer urânio, indispensável à construção de armas nucleares, sob suspeitas da comunidade internacional, até porque se recusa a aceitar inspeções da AIEA. Não é sem motivos que o Conselho de Segurança da ONU, a pedido dos EUA, pressiona seus dirigentes a abrirem suas instalações nucleares ao escrutínio da AIEA.

Por este acordo, chancelado pelo Brasil, fica estabelecido que o Irã enviará 1,2 tonelada de urânio com baixo grau de enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de 120 kg de combustível enriquecido a 20%. Ato contínuo, entretanto, o atual governo persa já anunciou que irá continuar o processo de enriquecimento de seu urânio.

Como se sabe, a tecnologia de enriquecimento de urânio para ser usado como combustível na produção de energia nuclear também pode ser usada no enriquecimento de urânio ao nível mais alto, necessário para a confecção de armas nucleares. É esse o ponto que toda a comunidade internacional vê com preocupação, graças aos atos de dissimulação do próprio Irã.

Estamos assistindo a um perigoso jogo eleitoreiro de nossa diplomacia, que poderá ter conseqüências danosas para a imagem do país.

Por trás desse movimento, teme-se que o país esteja no mesmo caminho do Irã, buscando criar embaraços para que AIEA faça seu trabalho de acompanhamento de nossa própria política nuclear, que recentemente tem adquirido uma preocupante vertente militarista, com a construção de submarinos movidos a energia atômica.

Política internacional não é o lugar apropriado para blefes e espertezas. Cedo ou tarde, qualquer país que adentre esta seara terá que fazer valer seu poder específico na defesa de suas propostas. Temos efetivamente tal poder? E no campo interno, estaremos assistindo a mais uma patriotada de nossa diplomacia ou o retorno do “Brasil, ame-o ou deixe-o” entoado pelo Brasil potência dos tempos da ditadura?

Roberto Freire é presidente do PPS – Partido Popular Socialista

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Presidente Lula visita Israel

Na primeira visita oficial de um Presidente Brasileiro a Israel, Lula retribui visita de Shimon Peres em novembro de 2009.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chegará a Israel para visita oficial no próximo domingo (14) e ficará no país até a manhã de terça-feira (16). No país, o Presidente Lula será recebido pelo Presidente de Israel, Shimon Peres, que oferecerá um jantar em sua homenagem. Previstos em agenda, estão encontros com o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com a líder da oposição e ex-Chanceler israelense, Tzipi Livni, com o escritor Amos Oz, com o Diretor da Universidade Hebraica de Jerusalém, além de outras autoridades.

Ainda durante a visita, o Presidente Lula abrirá um Seminário Econômico e, além de visitar o Knesset (Parlamento de Israel), falará em Plenário. Também está prevista uma visita ao Museu do Holocausto e, em homenagem aos 150 anos de seu nascimento, uma visita ao túmulo de Teodoro Herzel, fundador do movimento sionista. Esta é a primeira visita oficial de um Presidente do Brasil a Israel e acontece em retribuição à vinda – ocorrida em novembro de 2009 – do Presidente Shimon Peres ao Brasil. Ambas as visitas afirmam o auge das relações de amizade entre os dois países.

Nos últimos anos as relações políticas se fortificaram com uma série de visitas ministeriais e comerciais de ambos os lados, como a visita a Israel do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Ministro da Educação, Fernando Haddad, do Ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, da ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do ex-Ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Já o Brasil foi visitado por Ehud Olmert, na época Ministro da Indústria, e pelos Ministros de Segurança Pública, Educação e Agricultura de Israel, entre outras importantes missões.

Em 2009 veio ao Brasil, pela primeira vez em mais de 20 anos, o Ministro das Relações Exteriores e Vice-Primeiro-Ministro, Avigdor Liberman. No mesmo ano o Presidente Shimon Peres também visitou o país. Essas trocas de visita trouxeram uma série de acordos bilaterais importantes nos campos da educação, agricultura, área jurídica, turismo, cooperação na área de saúde, pesquisa científica industrial e aduaneira e cooperação técnica em benefício de países terceiros.

Outro destaque foi a visita oficial a Israel do Ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, ocorrida em janeiro de 2010 e que contou com uma agenda de encontros oficiais, além de outras audiências e visitas a empresas israelenses de alta tecnologia. Na ocasião, o Ministro marcou presença também no Seminário de Segurança Pública, oferecido pelo Governo de Israel aos Secretários de Segurança Pública Estaduais e Comandantes Gerais das Polícias Militares do Brasil, além de outras autoridades brasileiras.

Outro marco nas relações entre Israel e Brasil, foi a aprovação do Acordo de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul, assinado em 2007, e que entrará em vigor ainda em 2010, constituindo Israel como o primeiro parceiro extra-regional a firmar este tipo de acordo com o bloco. Trata-se de um convênio de abertura de mercados que cobre, também, comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, cooperação em normas técnicas, sanitárias e fitossanitárias, cooperação tecnológica e técnica e cooperação aduaneira. Em 2008 o comércio bilateral ultrapassou 1,5 bilhões de dólares.

Além das relações comerciais, outros tipos de cooperação em vários temas são mantidos entre Brasil e Israel. Um dos programas oferecidos, pela Embaixada de Israel no Brasil, é o Mashav, que fornece bolsas de estudos para cursos em diversas áreas em Israel. Em 2008, 48 brasileiros participaram de cursos em Israel através do programa. Em 2009 foram 35 participantes e nos dois primeiros meses de 2010, Israel já recebeu 12 participantes brasileiros. Além disso, existe uma cooperação e boas relações científicas entre Universidades do Brasil e de Israel.

Israel recebeu no último ano mais de 30 mil turistas e trabalha com a meta de atingir o número de 50 mil brasileiros visitando o país por ano. Uma das estratégias foi facilitar o trajeto de Brasil para Israel e vice-versa. Em maio de 2009 a empresa de aviação israelense “El-Al” começou a operar no Brasil com vôos diretos três vezes por semana. A meta é em breve operar vôos diários entre os dois países.

Brasil e Israel: Uma História de Amizade

O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a Assembléia Geral das Nações Unidas em 1947, que tomou a histórica decisão da partilha que levou à criação do Estado de Israel em 1948. O ato constituiu um importante marco nas relações do Brasil com o nascente Estado de Israel.

O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel. Em 1951 foi criada a Legação do Brasil em Tel Aviv, elevada, em 1958, à categoria de Embaixada. Também em 1951, Israel inaugurou sua Embaixada no Brasil no Rio de Janeiro sendo, posteriormente, transferida para Brasília. Em 2010 Israel irá reabrir seu Consulado em São Paulo.

Brasil e Israel compartilham uma longa história de intercâmbio nas áreas técnica, científica e tecnológica. Desde os anos 1960, Israel contribui para o desenvolvimento da agricultura do semi-árido, por meio da difusão de técnicas de irrigação em regiões do Nordeste brasileiro. Durante a visita do Presidente Shimon Peres ao Brasil, foi assinado o acordo de cooperação técnica em benefício de outros países, especialmente na África – durante a visita do Presidente Lula a Israel, serão discutidas maneiras de implementar este acordo previamente assinado.

Durante o regime militar no Brasil, as relações políticas entre os dois países foram limitadas, mas o intercâmbio cultural floresceu com grande influência do Tropicalismo e da Bossa Nova à musica israelense e muitas músicas brasileiras foram traduzidas para o hebraico – o último show ao vivo de Tom Jobim foi em Jerusalém, capital de Israel. Na época, Niemeyer passou um tempo em Israel onde projetou várias obras, incluindo a Universidade de Haifa.

As relações culturais continuam aumentando ainda hoje. Israel tem participado frequentemente de eventos culturais brasileiros como bienais de arquitetura, bienais de arte, festivais de cinema, feiras literárias etc. A cultura popular brasileira segue bem recebida em Israel com escolas de capoeira e música instaladas no país.

Os investimentos no Brasil

Há vinte anos atrás, só haviam 5 empresas israelenses com representação no Brasil, hoje há cerca de 150 empresas israelenses no país. Este alto número de empresas israelenses que já se estabeleceram no Brasil mostra o grande aumento do interesse de Israel no mercado brasileiro.

A maioria dessas 150 empresas israelenses localizadas no Brasil é de alta tecnologia em diversas áreas como: Agrotecnologia (42 empresas), Telecomunicações e TI (42 empresas), Produtos e Tecnologias de Segurança (24 empresas), Equipamentos Médicos (17 empresas) além de empresas em outras áreas como Equipamentos Elétricos, Aviação e Veículos Aeroespaciais, Energia e outras.

Algumas dessas empresas de Israel que já operam no Brasil são bem conhecidas e estabeleceram excelentes contatos de cooperação com a indústria brasileira enquanto investem no mercado local. Israel é um dos países líderes no mundo em inovação tecnológica; é um centro de excelência em inovações tecnológicas em vários setores (telecomunicação, espaço, biotecnologia, nanotecnologia para agro tecnologia).

A colaboração entre centros de pesquisa e instituições brasileiras e israelenses oferece um vasto escopo de oportunidades para o desenvolvimento do nível tecnológico no Brasil e proporciona benefícios para o Brasil como um todo.

Indicadores Israelenses (2008):

População = 7,3 milhões de pessoas
PIB = US$199,00 Bilhões
PIB per capita = US$27.300
Índice de Crescimento = 5.3%
Inflação = 3,8%
Desemprego = 6,1%
Exportação de Produtos FOB = $65 bilhões f.o.b
Principais produtos exportados = maquinário e equipamentos, softwares, diamantes lapidados, produtos agrícolas, produtos químicos, têxteis e acessórios
Parceiros de Exportação = EUA 38.4%, Bélgica 6.5%, Hong Kong 5.9% (2006)
Importação de Produtos FOB = $50 bilhões f.o.b
Principais produtos importados = Matéria prima, equipamentos militares, bens de capital, diamantes brutos, combustíveis, grãos e bens de consumo.
Importação (Janeiro a Julho/2009 em Milhões) = União Européia: US$9.554.1. Ásia: US$5.462.5. Estados Unidos: US$3.403.3. Outros Países: US$7.089.7.
Exportação (Janeiro a Julho/2009 em Milhões) = União Européia: US$ 6.858.6. Ásia: US$ 4.707.1. Estados Unidos: US$ 8.964.7. Outros Países: US$5.172.5.

Dados Políticos de Israel:

Governo: República parlamentarista
Capital: Jerusalém foi declarada capital do Estado de Israel mediante aprovação da Lei Básica de 30/7/1980.
Divisões Administrativas: 6 distritos: Central, Haifa, Jerusalém, Norte, Sul e Tel Aviv.
Chefe de Estado: Presidente Shimon Peres, do Kadima, desde 15 de julho de 2007.
Chefe de Governo: Primeiro-Ministro Benjamim Netanyahu, do Likud, desde 31 de março de 2009.
Partidos Políticos: Assembléia Nacional Democrática – Balad (líder: Jamal Zahaka); Frente Democrática pela Paz e Igualdade – Hadash (líder: Muhammad Baraka); Kadima (líder: Tzipi Livni); Likud (líder:Benjamin Netanyahu); Lista Árabe Unida (líder: Ibrahim Sarsour); Meretz-Yahad (líder: Yossi Beilin); Partido dos Pensionistas – GIL (líder: Rafael Eitan); Partido Trabalhista (líder: Ehud Barak); SHAS (líder: Eliyahu Yishai); Torah e Shabbat (líder: Yaakov Litzman); União Nacional/Partido Nacional Religioso (líder: Binyamin Elon) e Yisrael Beiteinu (líder: Avigdor Lieberman).

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Brasil e Irã: as relações perigosas – por Jayme Copstein

Extenso e excelente artigo, disponível no site Stratfor (Brasil e Irã: incômoda relação para os Estados Unidos), disseca o que há por trás da sofreguidão com que Luiz Inácio Lula da Silva e seu assessor de Relações Internacional, Marco Aurélio Garcia, apostam todas as suas cartas no jogo de fazer Mahmoud Ahmadinejad seu mais novo amigo de infância: vender urânio para o Irã e tornar o Brasil fornecedor mundial de combustível nuclear.

Os alegados esforços para incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países não têm pé na realidade. Os analistas não veem como possa ultrapassar o 1,3 bilhão de dólares atuais, com o Brasil superavitário, vendendo carne, açúcar e minérios, mas nada tendo a comprar, afora sal, frutas secas, tapetes e peles, porque é autossuficiente em petróleo, o principal produto do Irã. Inclusive, dona de tecnologia para prospecção e exploração de petróleo em águas profundas, em 2003 a Petrobrás obteve de Teerã, por 38 milhões de dólares, direitos de operação no Mar Cáspio, mas em novembro passado anunciou sua intenção de desistir do projeto por “falta de viabilidade comercial”.

É aposta arriscada, esta de abrir a butique de urânio tendo como primeiro cliente um governo que ameaça seus vizinhos de extermínio e é temido pelos próprios países islâmicos de etnia árabe, os quais há muitas décadas, apesar da similitude religiosa, o consideram estranho no ninho. Algumas advertências séria já estão surgindo de várias fontes, e o artigo do portal Stratfor escancara:

“A comunidade brasileira de negócios ainda não reagiu de maneira firme diante do namoro diplomático de Lula da Silva com Teerã, mas quanto mais da Silva evoluir nesta direção, mais problemas ele pode criar para os empresários brasileiros integrados com mais firmeza ao Ocidente. Nessa linha, é importante esperar sinais de que os Estados Unidos procurarão retaliar onde dói mais ao Brasil: no bolso. Já se ouvem conversas em Washington de restrigir o acesso a financiamentos norte-americanos em petróleo e gás natural; e, num momento em que o Brasil tem grandes esperanças nesse setor [pré-sal], o afastamento dos Estados Unidos e de suas empresas de alta tecnologia poderia tornar-se um sério obstáculo.”

Não haverá alguém de bom senso que segrede a Lula: “Devagar com o andor que este santo é barro?”

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A ajuda do Brasil no Haiti

As fotos abaixo mostram a distribuição de alimentos e água na Cité Soleil no ultimo dia 24 de janeiro. Leia mais

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Brasil: parceiro de tiranias? – por Roberto Romano

A visita do presidente iraniano, sr. Mahmoud Ahmadinejad, levanta interrogações sobre a política externa de nosso país. Aquele mandatário conseguiu a reeleição com fraudes, violência contra os adversários, bênçãos de um clero autoritário. A “Guarda Revolucionária”, dirigida pelo general Mohammad Ali Jafari, abafou nas prisões, torturas e mortes de inocentes, os gritos dos oposicionistas. Desde então, recrudesceram os atentados aos direitos humanos no Irã.

Terras submetidas à tirania dificilmente podem ser parceiras e amigas de Estados onde ainda rege uma Constituição que assegura prerrogativas democráticas. Assusta a consciência civil brasileira, o trato caloroso do governo federal com o regime de Teerã. Quando o Executivo brasileiro afirma, sem pestanejar, que os massacres, torturas, violações dos direitos de expressão e de imprensa, constituem “problema interno” daquele país, precisamos avivar a memória nacional para situações exatamente iguais, vividas inclusive por grupos e pessoas que hoje nos administram.

No século 20 vivemos o pesadelo trazido por duas ditaduras que anularam as garantias dos cidadãos diante do Estado. Quando as prisões clamavam, os dirigentes eludiam toda e qualquer responsabilidade. Eles respondiam que tudo, nas queixas, não passava de “propaganda contrária à grandeza nacional”. É da época o nefando “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E para sustentar tal propaganda, eles contavam com apoios de Estados estrangeiros. Apenas com a exasperação das violações foi iniciada uma corrente cosmopolita de solidariedade aos perseguidos.

Abro um documento anexado ao processo judicial-militar que sofri a partir de 1969. Após enumerar supostos crimes hediondos contra o Brasil e o seu Estado, a autoridade coatora afirma que ele (Roberto Romano e companheiros) “em consciência não tem autoridade moral para oferecer à imprensa internacional qualquer fato que venha desmoralizar o governo, insultar a justiça ou estigmatizar a polícia que, no cumprimento de seu estrito dever, defendeu a Democracia e a Formação Cristã do Brasil” (Autos do Processo, Prontuário número 146141, página 5, com carimbo do Arquivo Público do Estado, 2/março de 2009, com o necessário “Confere com o Original”). Vejamos a Sentença dos Juízes militares, seguidos de um juiz togado, no desfecho da lide: “Tudo o que se sabe desse moço, no curso do processo, é que a acusação que se lhe faz é totalmente improcedente”. E “nestas condições, não comprovada, por ausência absoluta de provas, a denúncia, resolve o Conselho julgá-la improcedente, para absolver frei Roberto Romano da Silva” (Autos do Processo, Sentença 207/69, A-77).

Quando existem juízes idôneos, o veredictum modifica as palavras dos acusadores, restitui aos réus a cidadania e os direitos suspensos. Mesmo em uma ditadura podem ser encontrados julgadores prudentes, garantindo os fiapos de lei que protegem os adversários do regime. O meu caso não foi regra, mas exceção no período. Sem o apoio do meu advogado, o grande dr. Mario de Passos Simas, de setores eclesiásticos liderados por Dom Evaristo Arns e dos movimentos internacionais em defesa dos direitos, eu não teria chegado ao julgamento, tantas foram as ameaças à integridade física e anímica dos presos.

No caso do Irã, a violação dos direitos humanos não interessa apenas aos iranianos, mas à humanidade. A nossa política internacional segue doutrinas desprovidas de cautelas prudenciais. Ela esquece o que se passou ainda ontem em nosso país. Quando pessoas que defendiam os direitos humanos se dobram aos ditames de supostas razões de Estado e acolhem, braços abertos, um ditador sob cuja responsabilidade a cidadania iraniana é massacrada, temos tudo para que se tolde a legitimidade dos mandatários brasileiros. Isolado, o carisma do presidente não lhe garante poder legítimo. Todos os ditadores da era moderna foram populares e usaram esse fato para gerar monstros políticos. Na visita do sr. Ahmadinejad temos a confissão dos governantes: se estivessem no poder a partir de 1964, aceitariam os procedimentos do regime.

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Roberto Romano é professor de Ética e Filosofia na Unicamp. É membro da Frente pela Liberdade no Iran e recebeu a Medalha Nacional de Direitos Humanos da B`nai B’rith do Brasil em 2007.

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Militares protestam contra a visita de Ahmadinejad ao Brasil – por Israel Blajberg

Veteranos da FEB, Ex-Combatentes, Militares da Reserva e Reformados Contra a Visita do Presidente da República Islâmica do Irã Sr. Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil. Nós, Veteranos da FEB, Ex-Combatentes, Militares da Reserva R/1, R/2, R/R, RNR e Reformados das Forças Armadas e Auxiliares do Brasil, Amigos e Simpatizantes, expressamos nosso repúdio e protestamos contra a visita do Presidente da República Islâmica do Irã, Sr. Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil.

Entendemos que o Brasil não pode ser anfitrião de alguém em missão oficial pregando idéias que vão de encontro aos ideais de igualdade que o nosso país defende. Ao postular a destruição de uma Nação Amiga soberana e negar o Holocausto, desqualifica-se para ser acolhido oficialmente em um país que enviou tropas para combater estes mesmos inimigos da democracia e da liberdade que cometeram o inominável genocídio que passou a ser conhecido como Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. O Brasil, defensor da democracia e dos ideais de liberdade, recebeu de braços abertos milhares de sobreviventes desse terrível massacre que ele nega despudoradamente.

Em honra à memória dos milhões de vítimas desprezadas pelo visitante, dos milhares de brasileiros desaparecidos nos torpedeamentos dos navios nacionais, dos combatentes das Forças Brasileiras de Terra, Mar e Ar vitimados nesta luta, dos milhões de soldados e civis desaparecidos, e dos 6 milhões de seres humanos que pereceram brutalmente assassinados no Holocausto cinicamente negado pelo indesejável visitante, protestamos veementemente contra a sua presença nesta terra onde se prega a igualdade e a luta contra a discriminação.

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TENENTE DA MARINHA MELCHISEDECH AFONSO DE CARVALHO
TEN MANOEL ADÃO FLORIANO
TEN JUVENTINO DA SILVA
MAJOR ANTONIO ANDRÉ
VETERANO TEN R/2 DR ISRAEL ROSENTHAL
CEL R/1 HERBERT ANDRADE DE SEIXAS DUARTE
EUCLYDES BUENO FILHO
NOALDO ALVES SILVA
TEN R/2 SÉRGIO PINTO MONTEIRO
TEN R/2 EGAS MONIZ DE ARAGÃO DAQUER
TEN R/2 MARCELLO CAPPARELLI MONIZ DE ARAGÃO DAQUER
TEN R/2 CLAVERY
TEN R/2 PAULO COIMBRA SAUWEN
TEN R/2 RUYBERTO S. DE OLIVEIRA
TEN R/2 PAULO SÉRGIO LIMA ARAÚJO
TEN R/2 ISRAEL ZUKERMAN
JOAO LOPES DE ARAUJO JR.
ZENAIDE MARIA TAVARES DUBOC
JOSE CARLUCIO GOMES DE SOUSA
DR. AFONSO ARLINDO
CMG REF.HENRIQUE ARAÚJO DE SOUZA
CEL INF E EM ARNALDO DE LIMA NOVAES
ALEXANDRE CHERMAN
ALEXANDRE CHERMAN
DÁRIO SION
ISAAC DAHAN
ANTONIO JOSE BARROS DA SILVEIRA
BORIS SITNIK
LUIZ ALBERTO DA COSTA FERNANDES
MILTON N. REIS
CARLOS JAYME S.JACCOUD
ADERBAL MARTINS
ALESSANDRO ANDREI DEUSCHLE DA SILVA
LÚCIO FAGUNDES MARCON
TEN R/2 TESSIS
TEN R/2 UBIRAJARA CAETANO SALMA
TEN R/2 SÉRGIO EMYGDIO CABRAL
TEN R/2 JORGE GARCIA
TEN R/2 CARLOS ALBERTO FERRAZ
TEN R/2 JOHNNY VERÍSSIMO
TEN R/2 L.R. ZDANOWSKI
TEN R/2 ANTÔNIO CARLOS LEAL
TEN R/2 FERNANDO RAMOS PAZ F°
TEN R/2 ELIEZER DE MOURA CARDOSO
TEN R/2 CLÁUDIO MADUREIRA
TEN R/2 JORGE VAZ
TEN R/2 PAULO C.V. MIRANDA
TEN R/2 PAULO GREY RIBEIRO
TEN R/2 MIRANDA
TEN R/2 ROBERTO OLIVEIRA
TEN R/2 BENSION AKERMAN
TEM R/2 ISRAEL BLAJBERG

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