Setembro Amarelo: o suicídio no judaísmo

Setembro Amarelo: o suicídio no judaísmo

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Na história judaica, um dos casos de suicídio mais conhecidos ocorreu durante o Cerco de Massada, um dos últimos eventos da Primeira Guerra Romano-Judaica, ocorrida entre 73 e 74, no alto de uma região montanhosa, hoje conhecida como “Massada”. O longo cerco dos romanos e suas tropas auxiliares levaram a um suicídio em massa das famílias judias que viviam na fortaleza.

E como estamos em setembro, vamos falar do Setembro-Amarelo, que é uma campanha de conscientização a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio.

Vamos ver o que o judaísmo fala sobre assunto? Leia abaixo alguns textos, artigos e vídeos que selecionamos para você…


Como judaísmo lida com suicídio?


Eutanásia e Suicídio na Lei Judaica

A eutanásia ou “assassinato por misericórdia” é absolutamente proibida pela lei judaica, sendo considerada equivalente ao homicídio. Porém quando um judeu esta se esvaindo em dores e não se tem como salvá-lo, não é exigido que se prolongue artificialmente sua agonia de morte. Ao contrário, deve-se permitir morrer tão rapidamente quanto possível, afastando todos os obstáculos a sua morte. Entretanto, apressar a morte de um ser humano através de ação positiva é proibido, e isto inclui permitir que o paciente tenha acesso a venenos que possam utilizar para tal fim, uma vez que o suicídio e seu incentivo são também proibidos.

O suicídio, contudo é permitido se um judeu se defrontar com torturas insuportáveis nas mãos dos pagãos, em especial se estiver sendo torturado para forçá-lo a cometer idolatria, incesto ou assassinato. Lamentavelmente, ocorrências deste tipo aconteceram ao longo da história judaica, como na destruição do Segundo Templo em 70 d.C. e na cidade de Massada em 73 d.C., onde muitos judeus cometeram suicídio em massa, para não se renderem ao império romano. Continue lendo…


Doença Mental e Suicídio

No judaísmo, o suicídio é semelhante ao assassinato. Assim como não é permitido tirar a vida de outra pessoa, não estamos autorizados a tomar a nossa própria vida. Apenas Hashem pode decidir quando o nosso tempo neste mundo está acabado. Em certo sentido, nossas vidas não são nossas. Vivemos num tempo emprestado, em vasos físicos emprestados, e nosso trabalho é fazer neste mundo eh fazer mitzvót e contribuições positivas durante o nosso tempo que aqui morarmos. Em certo sentido, nossas vidas não são nossas e por isso nao podemos elimina-las. Continue lendo…


A Importância da Vida

De acordo com o judaísmo, a vida é extremamente preciosa e sagrada, portanto não se pode tratar questões de vida e morte de forma leviana. D’us estabelece claramente na Torá: “ Portanto, escolha a vida” (Devarim 30:19). Embora possuimos o poder de fazer uma escolha, D’us nos ordena a escolher a vida no lugar da morte.

Por esse motivo, o judaísmo proibe atos que resultem em “morte merisicordiosa” ou que concebam “o direito de acabar com a vida.” Até o momento da morte natural , cada segundo que a alma habita o corpo é de um valor inestimável – não apenas para o corpo, mas para o povo judeu e para o mundo como um todo. (fonte: Beit Chabad)


Por que razão se discrimina quanto à localização das sepulturas dos suicidas, nos cemitérios judaicos?

O Judaísmo considera o suicídio um crime tão grave quanto o assassinato. No cerne da doutrina Judaica esta o ensinamento de que nenhum ser humano é dono do seu próprio corpo, pois ele não se fez sozinho. Quando se fere o corpo ou a alma, comete-se uma ofensa contra a obra e a propriedade divinas. O Criador da a vida e somente o Criador tem o direito de tirar a vida.

Por este motivo, alguns dos ritos tradicionalmente incluídos na cerimônia de sepultamento são negados ao suicida,- e ele é enterrado numa parte do cemitério afastada dos outros túmulos. Existe, entretanto, uma opinião divergente: o suicida, no momento decisivo, não estava de posse de suas faculdades mentais, ele agiu inconscientemente. Portanto, não deve haver discriminação no sepultamento. (fonte: CIP)


Mito? O suicida não pode ser enterrado na área comum de um cemitério judaico

Verdadeiro e falso: Aquele que comete o suicídio deve ser enterrado em uma área especial do cemitério. No caso de suicídio, o shivá, os 7 dias de luto, não devem ser observados pelos familiares, a roupa não deve ser rasgada. Porém, em casos de suicídio devido a condições extremas emocionais ou físicas — tais como depressão profunda, abuso de drogas, estado de doença terminal e outros — parte-se do pressuposto que o indivíduo estava impedido de utilizar de um julgamento pleno ao tomar a decisão de terminar sua vida. É muito importante frisar que cada caso deve ser devidamente analisado por uma autoridade rabínica. Caso seja considerado inocente, o processo de luto deve ser cumprido normalmente, e o suicida pode ser enterrado na área comum do cemitério. (fonte: Shaarei Bina)


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