por Herman Glanz – Não constitui surpresa o recente reconhecimento, pelo Brasil, do Estado Palestino, com as fronteiras anteriores a junho de 1967, seguido pela Argentina e Uruguai (e outros países sulamericanos e centro-americanos deverão seguir). Já era esperado pela posição brasileira adotada no relacionamento com o Irã e as demais ações da política externa brasileira. A linha dita antissionista de uma política mundial, mas que significa antissemita mesmo, conforme já dizia Martin Luther King, também não surpreende.
Trata-se de um alinhamento com a esquerda antissemita e anti-americana. Esclarecemos logo que nada temos contra a esquerda, mas contra a esquerda antissemita, como somos contra a direita antissemita, isto é, somos contra qualquer antissemitismo, do contrário estaríamos decretando o nosso suicídio. Devemos nos manter coerentes. Também não defendemos os Estados Unidos quando adota política ambígua, tentando agradar a todos, especialmente o lado palestino, porque assim agrada mais aos islâmicos, que são em muito maior número do que os judeus (e bota maior nisso), além de serem fornecedores de petróleo, ainda a grande fonte de energia do planeta, apesar das críticas ecológicas.
O permanente processo de paz inventado, processo baseado em “terras por paz”, e nunca paz pela paz, tem sido o grande erro que vem sendo adotado. E o lado islâmico fundamentalista tem tempo e obstinação: qualquer que seja o custo para sua população, nunca cede. Os palestinos jamais estarão interessados em levar adiante o bem estar do próprio povo: há sessenta anos mantêm refugiados em sua própria terra, desde que sirva de pressão para seus objetivos.
Veja-se que todos os demais refugiados, pelo mundo afora, são absorvidos pelos países onde se encontram, menos os chamados refugiados palestinos, utilizados como massa de manobra; nunca poderiam existir refugiados em Gaza, quando esse território é governado pelos próprios palestinos, no caso do Hamas. Mas continuam refugiados, com a cumplicidade da ONU, que mantém uma Agência específica para os palestinos, e uma única Agência para todos os demais refugiados.
Como o processo de paz não avança, porque negociação sem um lado ceder não avança, e Israel não possui grandes territórios para ceder, tudo continua parado, apesar de Israel já ter cedido boa parte. Mas na chamada Margem Ocidental, existem quinhentos mil judeus que não podem ser expelidos, como o foram os poucos 10 mil de Gaza, em 2005. E não poderão permanecer como cidadãos de um futuro Estado Palestino, porque seriam massacrados – este o ponto fundamental nunca atacado pelos demais países que querem impor a paz por terras de Israel, sem garantias aos cidadãos israelenses.
Essa foi a razão do chamado desengajamento de Gaza, porque os israelenses, que poderiam permanecer como cidadãos de uma Palestina, seriam massacrados; foram destruídas as construções e todas as sinagogas existentes em Gaza, sem protesto internacional. Já imaginaram uma só mesquita destruída por Israel que grita despertaria? Essa é a hipocrisia política.
O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de codinome Abu Mazen do tempo do terror, tem feito um périplo por diversos países buscando o reconhecimento unilateral do Estado Palestino, e prepara-se para levar às Nações Unidas esse apoio mundial – deve chegar a uma centena o número de países apoiando um Estado Palestino. Mas levar adiante um reconhecimento unilateral pode significar uma nova guerra na região, justamente devido aos 500.000 israelenses vivendo na Margem Ocidental que, tal qual foi ocaso em Gaza, serão massacrados se lá permanecerem como cidadãos do novo Estado.
E não é só: serviria de pretexto para a guerra do Hizbollah ao norte, com apoio iraniano e do Hamas, ao sul, também com apoio iraniano que quer ver Israel varrido do mapa, como declara Mahmoud Ahmadinejad, o Presidente do Irã, que merece o apoio do Brasil. E não só do Brasil, mas da Venezuela, que, com a permissão de livre entrada de iranianos, permitirá a infiltração do terror para a América do Sul e Central, fato que já se considera presente, com informação no Brasil. O Irã tem feito uma campanha de aproximação nesta região.
Mas é essa posição belicista do Irã que está despertando os cuidados de outros países islâmicos, com a Arábia Saudita à frente, apesar da Arábia Saudita, país de uma só família, a Saud, constituir um dos grandes financiadores do terror islâmico. E é apoiada pelos Estados Unidos. O apoio da China à Coréia do Norte, grande fornecedor de suporte nuclear e balístico ao Irá, e o apoio da Rússia com a venda de armas para a região, especialmente à Síria, poderá determinar mudanças estratégicas e alterar o comportamento ocidental para com a região. É esse balanço de forças que tem garantido a precária paz, com a esperança de que se torne uma paz definitiva.


























