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Desde a Guerra da Independência de Israel, em 1948, iniciada por 7 países árabes e consequentemente a saída de parte dos árabes que viviam na Palestina do Mandato Britânico, só se falava dos refugiados palestinos. Aliás, os ingleses que dominavam a área, chamavam de “palestinian” tanto aos árabes como aos judeus que habitavam a região.

Mas, ao mesmo tempo e nos anos seguintes, judeus que moravam há séculos em países árabes foram perseguidos e tiveram que deixar seus lares e pertences, saindo às pressas para refugiar se em outros lugares, principalmente no Estado Judaico, recém recriado, o Estado de Israel.

Enquanto o mundo todo preocupava-se com os refugiados palestinos, principalmente depois da Guerra dos Seis Dias (1967), os refugiados judeus foram ignorados. Êste fato deve-se a absorção dos judeus em Israel. No início da fundação do Estado de Israel,mesmo sendo um país pobre, teve que absorver judeus do mundo todo, principalmente refugiados da Europa (sobreviventes do Holocausto) e de países árabes.

A população judia em cerca de 3 anos triplicou. Os ataques incessantes contra o jovem estado e a preocupação de absorver os imigrantes da melhor maneira possível, não deu lugar ao pensamento de pedir indenização pelo sofrimento dos judeus e das suas propriedades nos países árabes, hostis, que foram obrigados a deixar. (ao lado :casas judias destruídas em Aleppo, 1947).

Mesmo sendo minoria, os judeus nos países árabes tiveram importante papel na sociedade onde viviam, na cultura, economia, comércio e desenvolvimento. Depois da Independência do Estado de Israel, os governos árabes, passaram a se vingar deste fato, perseguindo e obrigando a população judaica a fugir do país, deixando tudo para trás, sua história local e suas propriedades. Chegando a Israel, não encontraram as mesmas condições, foram colocados em maabarot (tipo de favela, em barracas, veja foto abaixo). Oitocentos e cinquenta mil judeus de países árabes fugiram dos seus países e cerca de 600 mil chegaram a Israel.

Segundo dados da ONU, em 1947-8, 726 mil árabes atenderam a chamada dos países árabes de deixar Israel e que depois que eles destruiriam o recém criado Estado Judeu, eles voltariam e teriam mais propriedades.
Enquanto os palestinos fizeram propaganda e indústria da “miséria dos refugiados”, os refugiados judeus trabalharam duro para construir um Estado progresso e de sucesso e automaticamente eles mesmos prosperaram.

Os países Ocidentais e organizações internacionais enviaram bilhões de dólares aos cofres palestinos. Ninguém perguntou aonde foi parar esse dinheiro e como os palestinos não conseguem prosperar. Só em 2002 levantou-se a ideia de editar uma estimativa de propriedade alternativa à qual estava sendo feita pelos palestinos.

Em 2010 foi legislado no Knesset, que os judeus de países árabes e do Irã serão indenizados pelas suas propriedades deixadas, num futuro acordo com os palestinos. Em 2008 o Congresso Americano adotou unanimemente a resolução 185. Esta reconhece o direito dos refugiados judeus de países árabes e do Irã. Condiciona qualquer ajuda ou indenização aos refugiados palestinos a idêntica indenização aos refugiados judeus de países árabes e do Irã.

O Estado de Israel , em 2017 elaborou um projeto de colher dados e testemunhos das propriedades deixadas para trás. Os dados recentemente publicados (foto ao lado da manchete do Israel Hayom, 16/12/2019) apuram que o valor é gigantesco, de 150 bilhões de dólares, nos valores daquela época.

Sinagogas centenárias foram destruídas e ou convertidas em mesquitas, residências, indústrias e tudo que pertencia aos judeus foram confiscados pela autoridades. O ex Embaixador de Israel no Egito, Itshak Levanon contou que uma vez o Embaixador russo no Egito convidou-o a sua residência em Cairo.Era uma grande casa de luxo com grande jardim que não era adequada para um Estado proletário. O soviético lhe deu a explicação. O governo de Nasser nacionalizou a propriedade da Família judia Moseri, que foi expulsa do país. Depois deu-a a URSS.

Na Resolução da ONU 242, que é básica para processo de paz, está explicitamente escrito que há necessidade de solucionar o problema dos refugiados no Oriente Médio, todos os refugiados, não somente os palestinos. Uma parte, os refugiados judeus de países árabes se esforçaram para progredir e uma outra parte, dos palestinos, continua chorar e fazer atentados terroristas no mundo e em Israel.

Setenta e dois anos depois há movimentação em alguns países árabes desejando o retorno dos seus ex cidadãos e de turistas judeus em geral. O rei Mohammed VI, de Marrocos, tem André Azulay como conselheiro, que serviu seu pai também. Judeus e israelenses visitam o país (inclusive eu) e são muito bem recebidos. Na semana passada, o rei participou da inauguração da Sinagoga Bet Dakira, na cidade de Essaouira. Foi elogiado por “promover a paz e a coexistência”.

No Egito , o governo de A- Sisi investiu 6 milhões de dólares para renovar a majestosa Sinagoga de Eliyahu Hanavi, em Alexandria, na tentativa de atrair turistas judeus ao país. Até no Líbano, o governo mandou renovar a Sinagoga Maguen Avraham , perto do Parlamento.

JUDEUS NOS PAÍSES ÁRABES EM 1948 E EM 1976

  • Marrocos: 265 mil (1948) – 17 mil (1976)
  • Algeria: 140 mil – 0.5 mil
  • Tunísia: 105 mil – 0.2 mil
  • Iraque: 135 mil – 0.4 mil
  • Egito: 100 mil – 0.2
  • Líbano: 55 mil – 1 mil
  • Líbia: 38 mil – 0.02 mil
  • Síria: 30 mil – 4 mil
  • Iêmen: 8 mil – 0

Dados:The Forced Migration of Jews from Arab Countries, Peace Review Journal of Social Justice. Pg 53-60, issue 1/2003

Judeus e árabes convivem milhares de anos e não tem o porque de não continuar vivendo um ao lado do outro, em paz e prosperidade mútua. O mundo tem que saber um pouco melhor a história da região e que não há apenas refugiados palestinos. Na mesma época ocorreu forçosamente a expulsão dos judeus de países árabes, que não querem se considerar refugiados, querem prosperar. Assim devem fazer os palestinos.

HASDARÁ OU HASLAMÁ (ARRANJO OU ESCALADA DA VIOLÊNCIA)

Já há alguns meses que Israel dialoga com Hamas, intermediado pelo Egito, para conter a violência da Hamas contra as áreas vizinhas em Israel e melhorar as condições de vida dos gazenses.

Quando o “arranjo” está indo para um bom termo,surpreendentemente, Hamas esquenta a área, permitindo que a Jihad Islâmica ataque o território israelense, ou que suas forças lancem obuses ou balões carregando explosivos para o território israelense.

O vento que vem do mar assopra para o oriente e leva os balões com os explosivos para a região próxima de Gaza, aos Kibutzim, Moshavim, áreas cultivadas e até mesmo a regiões mais longínquos, como a redondeza de Beth Shemesh. Sim, por algumas semanas, Hamas parou as manifestações perto da fronteira, como gesto de boa vontade, mas talvez pelas (caricatura do Guy Morad,Yediot Ahronot, 31.12.2019) chuvas e não pela boa vontade.

Israel por sua vez, fez os seus gestos que incluíam: permitir a entrada de fertilizantes agrícolas (que podem servir para fazer explosivos), importar ônibus, pneus, aumentar a área de pesca, importar produtos agrícolas de Gaza e a vinda de mais gazenses trabalhar em Israel.

Em vão. O DNA da Hamas é o extremismo islâmico e a violência, mesmo que já fez arranjos com Israel, sempre rompe o cessar fogo e volta a violência. Isto apesar do protesto da Autoridade Palestina de que Israel prefere dialogar- mesmo que não diretamente- com a Hamas e não com a A.P. que coopera na área da Segurança com as forças de segurança de Israel.

Hamas fala de arranjo, mas o tempo todo se prepara para a guerra. Na semana passada a Marinha israelense apreendeu um barco palestino que tentou contrabandear material bélico e equipamento para seu comando marítimo. Sinal de ofensiva.

Tsahal, o Exército de Defesa de Israel publicou que continua suas atividades na “Campanha entre as Batalhas”, que são suas ações em todas as fronteiras. Em 2019, foram lançadas da Faixa de Gaza 1.295 foguetes e morteiros, para o território israelense, 729 caíram em áreas abertas. O Domo de Ferro abateu 478 artefatos lançados, com 85% de sucesso.

Nesta contagem, não foram incluídos os balões incendiários, que causaram fogo de milhares de alqueires e grandes estragos. O Exército com companhias israelenses de alta tecnologia estão desenvolvendo sistemas de alta precisão para abater os balões-explosivos. Imagina o sofrimento da população daquelas áreas.

RÚSSIA: ATAQUE ISRAELENSE QUASE DERRUBA AVIÃO

Muito se falou da amizade do Putin com o Netanyahu, que pode se que existe, mas os interesses são bem maiores. Uma prova disso foi a prisão e o tratamento dos russos com a Naama, jovem israelense presa na escalada no Aeroporto de Moscou e libertada após 10 meses. Uma das coisas que Israel conseguiu com a Rússia, que entrou na Síria e defende o regime do carnifício do Assad, é a coordenação dos ataques israelenses, quando necessários, de não deixar os iranianos se aproximarem das fronteiras com Israel.

O Irã, que é persa e xiita, é inimiga dos países árabes sunitas. Para conseguir expandir sua influência e presença, tornou Israel e os EUA seus principais rivais. Qassem Soleimani, recentemente morto pelos EUA, tinha a estratégia de formar um cinto pró iraniano em volta de Israel. Formou-o desde o Líbano, a Síria e o Iraque, junto com a Jihad Islâmica e Hamas, na Faixa de Gaza. O tempo todo o Irã tenta contrabandear material bélico e de alta precisão para a Hezbollah e Hamas. Israel, com seu Serviço de Inteligência quando detecta transportes, aborta-os, atacando os armazéns nos aeroportos, onde estão estocados, ou mesmo comboios que os transportam.

O Prof. Uzi Rabi, da Universidade de Tel Aviv diz que estes ataques, paradoxalmente afastam o Irã do território israelense. Sua explicação é que os iranianos entendem que Israel tem bom Serviço de Inteligência, que sabe de suas ações e eles as diminuem. O Irã tem medo de Israel. As ações da aviação israelense contra o Irã, são coordenados com a Rússia. Isto é, a Rússia é informada antecipadamente que Israel agirá e para que os russos não se aproximem. O que ocorreu na madrugada da quarta-feira (12) é que um avião comercial russo voou para o Aeroporto de Damasco.

Os russos foram informados do ataque e tiveram que desviar o avião para o Aeroporto de Latakia, a 100 km. do local. Não havia perigo. O General aposentado Amos Yadlin, que foi piloto da F.A.I e Chefe do Serviço de Inteligência acha que talvez as baterias antiaéreas sírias foram acionadas e atiraram para todos os lados, como foi o caso no Irã, que abateu avião comercial da Ucrânia, pensando que era parte dos caças americanos que atacaram no Irã. Mesmo assim, o avião russo não correu perigo, pois atrizou em Latakia, a100 km.de Damasco. As baterias antiaéreas sírias abateram avião militar russo por engano,em setembro de 2018, quando a aviação israelense atacou alvos iranianos na Síria.

Os assessores militares russos não são amigáveis a Israel, como seu presidente. Isto deve-se a demonstração da sua inabilidade de impedir a ação da aviação israelense na Síria, mesmo que as baterias antiaéreas russas tem que defender a Síria. Ao mesmo tempo tem o problema comercial, já que a Rússia quer vender os sistemas S300 e S400 e a ação israelense demonstra sua ineficiência. Israel tenta impedir a aproximação iraniana na Síria.

Segundo a Força Aérea de Israel, ela fez dezenas de milhares de incursões operacionais. Caças participaram de mais de 1800 incursões, helicópteros em mais de 600 e aviões militares de transporte em mais de 900. A maior parte ficou para os aviões não tripulados (Drones), que estiveram no ar cerca de 40.000 horas. A experiência israelense em Drones , tornou-o um expert no assunto. Israel vende drones de vários tipos para dezenas de países. Recentemente foi noticiado que vendeu 6 drones a um país árabe, ao Marrocos.

ULTRAJE DO MINISTRO DO EXTERIOR DA UNIÃO EUROPEIA

O ministro espanhol, Josef Borrell, do Partido Trabalhista Socialista, recentemente empossado (12/2019) já era considerado hostil ao Estado de Israel quando foi Ministro do Exterior da Espanha. Ele lutou para que a Espanha reconhecesse o Estado Palestino. Novo no cargo, nestes dias visitou alguns países árabes e o Irã e continuou sua linha anti israelense. Borrell advertiu que “ se Israel anexar povoados na Judéia e Samária, a União Europeia (27 países) não passará isto sem tomar medidas”. Ele tentou passar uma resolução da União Europeia, mas não pode obter a necessária unanimidade, pois 6 países- Áustria, Bulgária, Rep. Checa, Hungria, Itália e Romênia- se opuseram. Sendo assim publicou a nota como pessoal.
Em fevereiro de 2019, Borrell disse a infâmia: “ Não somos crianças. Temos clientes potenciais, interesses e estratégia e continuaremos trabalhar com o Irã. Êste país quer exterminar o Estado de Israel, isto não é novidade. Teremos que viver com isto”. Nada disso, o mundo tem que condenar cada país membro da ONU que ameaça exterminar outro país membro da ONU.

MORRE KIRK DOUGLAS, ATOR E JUDEU ORGULHOSO

O ator Kirk Douglas faleceu aos 103 anos de idade. Era filho de judeus imigrantes russos,pobres e nasceu com o nome de Issur Danielovitch. Integrava a clássica Hollywood só depois de fazer vários trabalhos, concluir a universidade e servir alguns anos na Marinha americana, durante a II Guerra Mundial. Entre dezenas de filmes interpretou 2 filmados em Israel. Um, em 1953, A Lista dos 3 Amores, do Holocausto. Primeiro filme rodado em Israel. Em 1966, interpretou o Coronel americano Mickey Marcus, que veio ajudar os judeus na Guerra da Independência, na Sombra de Um Gigante. Era conhecido pró israelense e visitou o país muitas vezes. Indicado ao Oscar 3 vezes e o recebeu em 1996 “ por 50 anos de modelo moral e criativo no mundo cinematográfico”.

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